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Happiness is up to YOU :)

por mandarina, em 29.04.14

Happiness is a CHOICE. You prescribe your own happiness. It's really ALL about the mindset. You are the only one in the way of your own happiness. Yes, there is a lot of negativity in the world but to be happy you have to learn to see past that and focus on everything positive in your life, and love yourself over anyone else.

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Desfocado

por mandarina, em 19.10.13

Violência doméstica. É um assunto muito sério neste país e não só. Enquanto mulher sinto-me na obrigação de alertar para a situação que muitas vezes se passam mesmo nas nossas barbas e muitas vezes preferimos ignorar, porque pensamos, eles são um casal, logo não é certamente um problema meu. Já dizia o provérbio, "entre marido e mulher não se mete a colher", mas não nesta situação. Eu creio que quem não consegue pôr-se na pele de uma mulher que está submetida, voluntaria (e sim também acontece) ou involuntariamente à violência doméstica não é suficientemente corajoso para denunciar estes casos antes que seja tarde demais.

 

No outro dia, quando estava a fazer o meu jantar, ouvi uns gritos bem altos de alguém, pensei que seria alguma excitação da habitual que viria de um grupo de amigas mais excitadas e eufóricas dos prédios circundantes. Mas o barulho não parava, e os gritos eram notoriamente não de excitação e sim de dor. A curiosidade levou-me a tentar, chegando-me junto da janela, perceber o que raio se passava. E bom, longe suficiente para perceber quem eram as personagens de tão acesa discussão, foi o suficiente para perceber que se tratava de um caso de violência doméstica. E não, não era sequer preciso ver o horror em si, porque por palavras ou apelos dela dava perfeitamente para perceber, que ele, o agressor, lhe assentava bem a mão ou o punho, enquanto ela gritava a plenos pulmões "pára, por favor pára" e muitos "não, não, não, mais não". Senti de imediato um nó na garganta.

 

Os vizinhos do prédio ao lado dos deles, tão estupefactos e assustados ao mesmo tempo, vinham constantemente à janela e assistiam, de muito mais perto que eu, ao que se passava. Eu não vi nada, admito, assumi que se passava uma cena de pancadaria, em que ela suplicava e tentava justificar qualquer coisa, e ele lhe batia continuamente. Sem apelo. E ninguém fazia mais do que assistir impassivelmente. Ninguém chamou a polícia, os vizinhos do prédio ao lado, lá acabaram por perder a curiosidade e fecharam a janela e foram embora, a cena lá acalmou, os gritos extinguiram-se e acredito que os ânimos do agressor e vitima também, ela imagino foi, para o seu canto, lamber as feridas e ele, talvez tenha tido um acesso de remorso ou lá foi à sua vida indiferente à dor física provocada.

 

Não está em questão o agressor ser homem e a mulher a vítima, por norma é assim, mas também sucede o contrário. Está em causa a violência, o mais forte contra o mais fraco. O que levanta a mão e aplica o castigo. E quem sofre a pancada e aguenta calada, a medo, com vergonha de ser julgada, com medo de "pra próxima ser bem pior", a dependência em que vive, a insegurança que sente, o pavor da exclusão social, como se fosse a vitima fosse a principal culpada pelo acontecido. E acredito que muitas sejam mesmo, porque é mentira que uma mulher não tenha escolha quando vê no parceiro os primeiros indícios de violência, e que são visíveis na primeira reacção mais exaltada, confirmada ao primeiro empurrão, no primeiro estalo, e que, muitas preferem encarar como uma descarga de adrenalina do parceiro que "jamais se irá repetir". Também as há, as que pensam mesmo que têm a culpa, que se julgam as provocadoras do descontrolo da situação.

 

Nestes casos de violência doméstica pública tudo está errado, os vizinhos que assumem que não é nada com eles. Custa-me perceber que se possa ignorar a situação e ir dormir descansadinho, quando muito provavelmente conhecem a vitima e seu agressor. Virar costas é sempre mais fácil. Amanhã será um dia melhor. Eu tenho a certeza que não, quem ameaça um dia, quem cumpre a ameaça uma vez vai voltar a fazê-lo vezes sem conta. Porque não é a vitima que o vai parar. A não ser que um deles seja parado. Ou tratado psicologicamente. Porque na verdade estas duas pessoas estão doentes e o mal está em não procurarem ajuda.

A certeza que tenho é, acredito que seja difícil sair duma situação destas, do papel de vitima, ninguém gosta de passar pelo fraco e oprimido, o que tem medo e procura asilo, é talvez como lutar sozinha numa guerra, é ter de passar vergonha e admitir que quem escolhemos para parceiro foi um grande erro, é virar a mesa e assumir o jogo, o que para a maioria de mulheres mais fracas é ficar à deriva num oceano cheio de perigos. Sendo o maior deles elas próprias com a falta de auto-estima, a falta de confiança, a falta de amor próprio e uma tremenda dependência.

 

E é aqui que eu acho que é necessário ter uma palavra a dizer, eu nunca estive e espero nunca vir a estar numa situação semelhante, mas compreendo que muito provavelmente no fundo da questão esteja um grande medo em ficar sozinha contra o mundo, solteira, divorciada, assumir o papel de vitima, e que pior que isso lutar contra o amor que essas vitimas, inconscientemente, sentem pelo agressor, porque gostar dos agressores, amá-los, até ao momento que esse amor não virar ódio, é a principal guerra que as vitimas tem de enfrentar, ainda que seja uma forma de amor muito distorcida. E aqui sublinho, amor que encurrala, amor que ameaça, amor que magoa física ou psicologicamente, que deixa marcas grosseiras na carne, que exige isolamento, do mundo, dos amigos, amigas, etc.... e que se serve da desculpa 'ciúmes' por tudo e por nada, não é amor. Ou antes, é, um amor doente e doentio que pode ter um final muito trágico. É um amor totalmente desfocado e disforme.

 

Por todas as vitimas da violência doméstica fica aqui um apelo, não tenham medo da solidão, maior solidão é aquela que o agressor, que diz que só vos quer para ele por vos amar demais, vos quer fazer viver.

E custa-me dizer mas os vizinhos, esses, não vão ajudar muito, mesmo que denunciem o caso, porque na verdade a única pessoa que pode ajudar uma mulher vitima de agressão é ela própria. Dizendo NÃO.

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Pão pão, queijo queijo

por mandarina, em 03.09.13

É como eu vejo as relações com os outros. Pra evitar dissabores mais eficaz impossível.

Seria uma maravilha acreditar que todos somos bons e acreditar que não há entre nós gente de mau carácter, estragado, que tem o poder de manchar a vida dos outros, de lhes querer passar a perna, de disfarçadamente querer sugar o que o outro tem de bom. Uma maravilha mas na verdade duma insensatez tremenda se trataria. Há pessoas que nasceram para ser a maçã podre que pode, se não detetada a tempo, danificar as outras.

Felizmente nos dias que correm sei afastar-me, proteger-me, isolando-me, de gente que tem essa capacidade tal qual erva daninha. Já há muito que não aturo as merdas dos outros porque sim, se não gosto não convivo, se sei que me fizeram mal uma vez, daquele mal consciente, então não há cá segundas chances, que a paciência é para se ter com aqueles que nos amam e não com aqueles que nos querem manipular. Por isso, assumo que gosto de pessoas, mas apenas das pessoas certas, que não andam um passo atrás de mim mas sim ao meu lado, que erram tal como eu erro e já errei, mas que não o fazem por mal, mas por azar. E quando vejo pessoas, que tem sempre a escolha de não errar, o fazem por querer então levam logo com um cartão vermelho, e quase asseguradamente para sempre. Porque eu não sou uma pessoa desconfiada e muito menos dificil de confiar nas pessoas, com uma  única diferença, eu só confio uma vez, se quebram a minha confiança, a não ser que sejam relações de uma vida, então não há cá errar é humano, perdoar é divino. Eu nem sequer aspiro a ter um lugar no Céu.

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Direitos Vs hiprocrisias

por mandarina, em 27.05.13

A propósito de tanta coisa que já li sobre o assunto e que prometi a mim mesma não ler mais porque não vale a pena discutir o assunto. É simples. Acesso ao amor é um direito vital (ou deveria ser tomado como tal) para qualquer criança que naturalmente não o tenha.

Não se trata de ter a razão do lado ou não, cada um tem a sua própria razão, o que se trata é de impedir o acesso ao sentimento do qual estas crianças não deveriam ser restringidas: amor de pais.

O que eu sinto e vejo é uma tremenda hipocrisia na sociedade em que vivemos porque sinceramente o comum dos mortais, aquele que não adota, nunca adotou nem pensa adotar está-se bem marimbando para as crianças que estão à espera para ser adotadas, o que estas pessoas querem é defender algo, talvez a moral, a tradição, os bons costumes, agora a defesa do bem-estar destas crianças é que não é, porque o que para mim é contranatura não é estas crianças poderem vir a ser adotadas por dois pais ou duas mães, contranatura é elas não serem adotadas de todo. Ter acesso a uma família, mais do que isso, ter acesso ao amor dos pais é um direito e quando a tantos se vê negada a oportunidade (senão mesmo o direito) de serem amadas um dia, seja lá por quem for, um pai e uma mãe, dois pais, duas mães é o maior erro do mundo e uma mesquinhez de todo o tamanho. Crescer sem amor de pais deve ser igual a cortar as asas a um passarinho que acaba de nascer.

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Descompliquemos

por mandarina, em 03.01.13

Do pouco que sei o que é o amor julgo que o amor não é a coisa complicada que nós fazemos dele, quando ele existe (aí está pelo menos 90% do ingrediente principal) basta somente senti-lo e não rotulá-lo, não tentar defini-lo por palavras nem sequer estereotipá-lo. A vida é complicada, pela frente encontraremos sempre vários constrangimentos, nem sempre se conjugam bem as variáveis país, religião, dinheiro, emprego e lá está amor, aquele que não conhece constrangimentos e que faz bater o peito mais rápido e que há falta desse amor o fazem sufocar. Nunca sabemos o amor que os outros sentem, podemos testemunhá-lo todavia, e há amores indefiníveis, e casais que fazem todo o sentido. Tenho conhecido poucos ao longo destes anos, aliás se pensar verdadeiramente talvez me consiga lembrar de 1 ou 2 no máximo, daqueles que fazem todo o sentido.

 

Aqui tive a sorte de conviver com um desses casais, e não sei, ninguém sabe o amanhã mas, com alguns casais ficamos com aquela sensação que a não estarem juntos então o universo ficará desarranjado. Tive a sorte e o prazer de poder testemunhar dum amor assim, esse pelo qual hoje torço para que dure e dure até que o Sol se acabe.

 

Para quem (ainda) não sabe eu sou uma romântica (incurável) e, quanto a isso nada a fazer, sendo que só me resta desejar com todas as minhas forças que no futuro eles dêem tão ou mais certo que no presente.

 

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Isto sim é o fim do mundo

por mandarina, em 12.12.12

Depois de ler isto só consegui pensar que em 2030 o mundo será um lugar mais triste e deprimente do que já hoje é.

Quando formos (já o somos mas em dose q.b) totalmente manipulados e conduzidos por uma potência que só pensa em lucro, em desenvolvimento desenfreado, e em consumo acima de tudo, então meus amigos, a humanidade, com os seus valores já de si debéis, conhecerá um modo de estar mais frio e calculista do que já alguma vez conheceu. Não me refiro à população chinesa no seu todo, mas à nata da sociedade que ocupa os lugares de poder e que terá, então, um poder exagerado sobre as nossas vidas quer sejamos chineses ou não.

 

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Qual é o caminho?

por mandarina, em 10.12.12

De um dia para o outro passei de estudante a professora, e, às vezes, acho que ainda não encaixei bem esta mudança repentina. Ontem via-me a criticar os meus professores, hoje vejo-me a tentar não imitá-los, não lhes seguir os maus exemplos, a tentar dar o meu melhor ainda que isso exija mais de mim do que seria suposto ou normal, isto porque sou-vos sincera tenho tido de assumir uma postura de durona nas aulas e não sei até que ponto quero ser uma professora que massacra os alunos.

 

Massacrar no bom sentido, no sentido de os obrigar a esforçarem-se mais, de os obrigar a estudar, a estarem atentos, a respeitarem-me acima de tudo e até agora não tenho tido problemas, mas nem sempre é possível com quase 200 alunos mantê-los a todos no caminho certo. O rebanho é grande demais para conseguir salvar todos os carneirinhos.

 

Tenho adorado ensinar, sinto um grande orgulho nisso, verdadeiramente, não sei até que ponto fui feita para esta tarefa que é uma das mais louváveis do mundo, ensinar é quase como uma missão, é preciso uma grande entrega, e eu tenho tentado ser uma professora paciente, atenta, presente e amiga, compreensiva também, mas não compactuo com a preguiça, aquela de que também eu sofro, continuo a ser estudante de chinês e sei o quanto custa estudar uma língua totalmente diferente da nossa, mas é aí também que está o encanto, é na dificuldade que nos sentimos a cruzar ali o Cabo das Tormentas, e eu e eles, os meus alunos, continuaremos a remar para chegar a bom porto.

 

Também porque sei o quão difícil é, também lhes tento fazer ver que uma língua nova é como um tesouro, que temos de ir descobrindo pouco a pouco, desfrutando, e não ficando chateados porque é difícil, porque pensar numa outra língua é uma tarefa hercúlea, mas é possível, e quando chegamos ao outro lado, quando já compreendemos, quando já comunicamos, quando já a domámos sentimo-nos reis.

Com este meu trabalho descobri que há muita coisa a aprender para se poder ensinar eficazmente, que não basta sermos nativos numa língua para a ensinarmos e descobri também que a nossa própria língua é, por vezes, uma incógnita, na medida que transmiti-la é mais desafiante que dominá-la.

 

E agora em resposta a uma leitora e comentadora, a quem agradeço desde já os seus comentários curiosos e sempre perspicazes, digo-lhe que o ensino chinês pode ser verdadeiramente muito eficaz, porque os bons, os verdadeiramente bons alunos deste gigantesco país são como máquinas, conseguem num tempo record encaixar uma nova língua, mas desengane-se se pensa que é um processo natural. Não tendo conhecimento das realidades de Shanghai e Pequim garanto-lhe que os alunos são, sem dúvida, muito bons e muito trabalhadores, mas é à custa de sacrificar tudo o resto, é à custa de muito decorar, de muito "marrar", de, como verdadeiras máquinas, engolirem e assimilarem um dicionário tipo enciclopédia. E o fruto disso é essa posição mas deve-se, a meu ver, mais a sacríficio que a inteligência. Mas bom, se lhes valeu uma boa posição no ranking mundial da educação então todo o sacríficio terá valido a pena.

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Forçado

por mandarina, em 13.10.12

Há tanta mas tanta coisa que soa a oco na China. Tudo o que não se é mas tem de se parecer ser. Hoje tive o meu primeiro no jardim-escola, e espero que tenha sido só impressão minha, mas aquilo hoje pareceu um teatrinho muito mal feito. A começar com os pais todos entusiasmados com o levar os filhos às 9h da manhã, com os pobrezitos todos mais que ensonados e cheios de vontade de brincar e não de estarem numa sala a repetir "hello, my name is...". E digamos que eu sou o carrasco que os obriga a repetir isto, mas bom sou paga para isso.

 

Depois ter a minha assistente, a 100 à hora, toda stressada e nervosa, tão histérica/louca que até me estava a fazer dor de estômago ter de levar com ela. Porque com as birras dos miúdos posso eu bem, com o choro, com as diabrices, com a rebeldia de uns, agora com uma suposta pessoa que me deve ajudar e não atrapalhar a deixar-me com os nervos em franja isso é que não. Tive, no final da primeira aula, um pouco a contragosto de a repreender e dizer "calma, acalma-te senão isto não vai correr bem". Também porque ela estava literalmente a dar-me ordens, quando, e não estou aqui a tentar ser arrogante, a aula é minha, eu é que sou a professora, ela é só a assistente que tem como principal função manter os putos em ordem e sossegados, e não coordenar a aula, que btw, é a minha aula.

Cada macaco no seu galho. Não gostei de ter de o fazer, mas disse-lhe muito directamente "eu sou a professora, tu és a minha assistente, não me interrompas, eu decido como levar as coisas" e estive mesmo para lhe dizer "não me dês ordens". Mas não disse, esperei que ela tivesse o bom senso de perceber a ideia.

 

No final fui aconselhada pela boss para no final das aulas ir brincar com as crianças, porque os pais gostam de ver. Mais teatrinho do oco, lá fui eu brincar. Depois levo com os pais a gritar aos filhos "diz hello à professora, diz "nice to meet you" diz "goodbye" diz "thanks" etc. Nada de mal, a não ser pelo tom severo com que o fazem, a intimidar os miúdos, e também porque exigir aos putos que o façam na primeira vez que têm contacto com inglês e têm 3, 4 e 5 anos, sabem lá o que estão a dizer. Enfim...oco, oco, oco, tudo oco!

 

E por fim, vira-se um pai para mim e diz, "are you from America?" ao que eu respondo, e sim, sou obrigada a mentir, "no, I'm from England" ao que ele diz, "ah, right, because you´re english is so fluent" e eu sorrio e digo "right, thanks", quando na verdade só me apetecia dar um tiro nos miolos. Mentir não me faz espécie, faz-me espécie é esta merda de manter as aparências e parecer sempre ser o que não somos a todo o custo. Oco, forçado, ridículo.

 

E olhem a minha moral para tar aqui a dizer que é oco, é tão oco como eu entrar nos esquemas deles.

Do pouco que me pareceu verdadeiro hoje, é que as crianças, apesar da paranóia dos pais, estão ali, tal como eu, para passar um bom bocado. Se bem que eu tenho o trabalho mais difícil, fazê-las passar um bom bocado e não as aborrecer até à exaustão, ainda que tenha de provar aos pais que elas aprendem e se divertem ao mesmo tempo. Fácil??? De todo que não.

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Na verdade

por mandarina, em 12.08.12

Olhar e julgar a China e os chineses é muito mais difícil do que parece, e tentar compreender esta nação é tarefa ingrata para quem mal consegue compreender a vastidão de culturas, línguas, etnias que caracterizam o país. Tentar compreender os meus próprios sentimentos relativos a este país e sua cultura também não se adivinha tarefa fácil, uma vez que, apesar de ser mais fácil criticar do que enaltecer, também não consigo negar a minha afeição ainda que afectada ou demasiado afectada por um misto de sentimentos positivos e negativos para com a minha vivência neste país. Uma coisa é certa, a permanência de milhares de estrangeiros na China é o factor chave na integração de um estrangeiro, uma vez que, muito dificilmente um estrangeiro conseguiria sobreviver sem os demais estrangeiros, mesmo sendo fluente na língua. Muito dificilmente um estrangeiro sobreviveria na China se lhe retirarem os outros estrangeiros que fazem deste país menos estranho e suportável.

 

Não tendo consciência do que é ser estrangeiro num outro país, sei que, pelo que já experienciei neste ano e meio que vivi na China, que dificilmente nos sentiremos tão estrangeiros noutra terra. Porque se não nos revemos nos valores, cada vez mais centralizados no "eu", na aquisição desenfreada e no deus "dinheiro" dificilmente conseguiremos sentirmos identificação com esta cultura. E enquanto estudante, caramba, teria tanto a dizer, e mal infelizmente, aliás muito mal, mas talvez não esteja nesse direito, uma vez que a não acreditar neste sistema, e quando não acreditamos em algo tão dignificante e importante quanto a educação mais vale então abandoná-la, isto porque a meu ver, a não acreditar num sistema que forma não só mentalidades mas que dita o destino de um país, então dificilmente conseguimos sobreviver nesse sistema corrompido e desiquilibrado.

 

Não tenho por ambição tornar-me chinesa, nem estabelecer-me na China por muitos e muitos anos, não sou hipócrita a esse ponto, é um país que a meu ver está a perder o norte, ainda que pensem que o crescimento económico os salve, a meu ver é esta a perdição deles, no entanto, há algo que ainda me leva a querer dar-me uma segunda oportunidade neste país, e essa é a vertente profissional. E julgo que depois ficamos por aí. ´

 

Viver, estudar e trabalhar na China é uma experiência, é um aprendizado, é uma prova de fogo também, mas capacita-nos, acredito piamente, para que no futuro saibamos lidar com outras experiências não só a nível pessoal, mas principalmente a nível profissional, sejam essas nacionais ou internacionais, e, por isso, é uma aposta e ganho a longo prazo.

 

Para quem quer conhecer a China actual por uma perspectiva acutilante é ler este obrigatório e completo artigo.

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Valores

por mandarina, em 10.06.12

Li algures "boa capacidade de transmitir valores" e pensei para comigo "transmitir valores só às crianças mesmo e já assim é uma tarefa árdua".

Acredito piamente que a única altura da nossa vida que conseguimos assimilar valores é mesmo na nossa infância, depois é a vida que nos vai ensinando alguma coisa e moldando, mas, no geral, dificilmente um adulto planta noutro valores de que espécie for.

 

Verdade, sinceridade, amizade, lealdade, fidelidade, generosidade, solidariedade, humanismo são valores que têm de ser apreendidos desde que somos do tamanho de um feijão, depois disso é uma batalha perdida. As pessoas não mudam porque os outros querem que elas mudem, podemos moldar-nos às situações e às pessoas que nos rodeiam, mas, na essência, não mudamos em nada (em valores) a partir de uma certa idade. Podemos é saber fingir possuir valores que na verdade não possuímos, e o ser humano é, cada vez mais, perito na arte do fingimento. 

 

No meu entender, fingir valores é antagónico a possui-los. E há para aí tanta gente a fingir que mete medo. Sinceramente, prefiro quem não os tem e assume isso do que quem os finge.

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