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Sorte ou Azar

por mandarina, em 04.10.12

Depende sempre do ponto de vista.

 

Azar se considerar ter-me esquecido de um papel super importante para tratar do visto de trabalho na minha vinda a Hong Kong, azar se considerar que já não existe serviço expresso por questões diplomáticas e que, por isso, tenho de permanecer quase uma semana em HK. Azar se considerar que o meu plano de ir passar uns dias a Macau e rever uma amiga foram pela agua abaixo assim que fiquei com o passaporte retido para receber novo visto. Azar se considerar que, por pouco, não tinha um ataque cardíaco quando vi que, e apesar de me ter esfalfado a correr para chegar a tempo aos serviços de vistos, que fechavam as 17h comigo a chegar 10 minutos antes, o meu coração quase ia parando quando me apercebi que não poderia pedir o visto e que não tinha para onde ir, nem onde ficar, nem sabia o que fazer a seguir, porque os planos saíram todos furados e o cenário ontem as 18h não me parecia muito animador.

 

Sorte se considerar que o visto ja está pedido, pronto a levantar na próxima terça, mas não vale a pena falar nisso, não vá o diabo tece-las.

Sorte se considerar que pela terceira vez encontrei a mesma disponibilidade de um amigo em receber-me, caída do céu, em sua casa e, ainda por cima, quase por uma semana.

Mais sorte ainda se considerar que conhecendo quase ninguém em Hong Kong tinha ainda na agenda, desde Fevereiro, o numero dele guardado e por sorte, também, ele ainda usar o mesmo numero.

Sorte se pensar que tenho alguns dias pela frente nesta cidade maravilhosa, que nunca cansa o visitante, e que, a não ser faltar ao trabalho um dia, vim na altura certa porque estou de ferias da escola, logo são dias de ferias a saborear sem remorsos.

 

Agora resta saber se os tumultos ficam por aqui, e se ja posso respirar de alivio ou ainda mais alguma surpresa me aguarda.

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Sabes que

por mandarina, em 30.09.12

Vives num país comunista quando:

 

  1. Perguntas aos teus alunos "Gostam do Japão?" ao que eles respondem em uníssono "Não", e só para chatear volto à carga com "Quem já foi ao Japão?" e eles "Não, ninguém foi" e eu insisto "Então e querem ir ao Japão?" e eles "Nãooooooooo" "Quem quer ir?" e eles "NINGUÉM!" ahaha. O que eu me ri, e assim se ensina os tempos passado "foi", o presente "querem" e o futuro (desejo) "quer ir" com um pouco de ódio pelo meio e muito sarcasmo do meu lado. Lavagem cerebral ao rubro, num país que anda empenhado numa propaganda violenta contra os japoneses e tudo o que for japonês.
  2. Mal acabam as aulas começa a tocar em altos berros o rádio da escola, com mensagens do género "para ser uma boa cidadã é preciso isto e aquilo, uma boa pessoa isto e aquilo, uma boa mãe isto e aquilo, uma boa profissional isto e aquilo, amar e respeitar o partido único, ámen Hu Jintao. Etc...
  3. Não tens acesso a mais de metade das páginas web, blogspots, facebook, twitter, wordpress, sites de notícias internacionais, youtube, etc... Tudo bloqueado e barrado numa época que a política interna está conturbada o que faz com que as medidas de segurança estejam mais apertadas do que nunca com a censura a recair sobre tudo o que for contrário e prejudicial ao sistema.
  4. Lojas, cafés e restaurantes (cadeias internacionais) são totalmente vandalizadas, tudo partidinho, vidros, cadeiras, mesas, etc. e nem os empregados desses, chineses ainda por cima, são agredidos verbal e fisicamente. Falo de cadeias como Starbucks, MacDonalds, e japonesas então nem se fala.
  5. Manifestações anti-Japão têm lugar um pouco por todo o país, sendo assim levada a cabo uma propaganda e estratégia descarada de desviar as atenções dos problemas políticos internos e centralizar a atenção de milhões de pessoas num alvo a abater: Japão.
  6. Esta lista continuaria indefinidamente mas por agora é isto...

 

p.s.: Com a VPN da UA sem dar sinais de vida, não tenho acedido ao facebook nem youtube, nem blogspots, etc pelo que teria de pagar para fazê-lo, comprando uma freegate, mas sinceramente acho que não merece a pena, pelo menos por enquanto, não me esqueci de ninguém que importa e sei que esses tem notícias de mim aqui e em tempo real quase todos os dias.

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Argumento parvo

por mandarina, em 10.06.12

Sempre que queiras induzir alguém a fazer alguma coisa há ideias mais originais e argumentos mais sensatos do que dizer, "não deves deixar de fazer isso porque não sabes quando vais morrer". Há lá coisa mais parva do que isto. Não, que não seja um argumento como tantos outros, agora e quê? vamos todos fazer tudo o que nos passa pela cabeça só porque nunca sabemos quando nos passará um autocarro por cima, teremos um ataque cardíaco fatal ou uma ponte desabará mortalmente sobre as nossas cabeças.

Tenham é lá juízo. Que argumento mais parvo.

 

No máximo só me faz rir e não me convence a fazer nada que já me apeteça ou não fazer antes de o ouvir.

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citação para a vida

por mandarina, em 18.04.12

 

Be less curious about people and more curious about ideas

Marie Curie


{pausa no estudo senão tenho um ataque de insanidade} 

Nos dias que correm temos todos de dar graças ao fb por manter-nos informados! (isso ou amaldiçoá-lo de vez e rezar que inventem um vírus e dêem cabo daquela m*rda de uma vez por todas por toda a eternidade.) Não tenho nada contra o fb, aliás uso e abuso, mais do que me orgulho, e o fb é inofensivo se lhe soubermos dar o uso e valor adequado, que é o que a maioria das pessoas não sabe fazer, expõe-se a torto e a direito, expõe os outros, mesmo aqueles que não querem ser expostos, e há quem viva mesmo em função do fb, das fofocas, das partilhas, das fotos, dos comentários, em resumo, vivem em função do que os outros partilham da sua vida num espaço virtual, que é só mesmo isso, um espaço virtual que, desenganem-se, não é a vida real, aquela que só acontece no contacto físico com os outros. Mas bom, cada um é como cada qual.

 

Com pesar (not), a minha veia cusca é diminuída é que a minha cusquice não ultrapassa os limites das minhas amizades mais próximas, a vida dos outros é isso mesmo, dos outros e não alimento vontade de saber isto, aquilo do que se passa com o mundinho todo que conheço. Das pessoas mais próximas, que são as únicas realmente que me interessam, as que estimo, pelas quais me interesso e me preocupo, me alegro e entristeço, dessas sim, faço por saber, não pela cusquice, mas porque as suas vidas tocam a minha em algum ponto, enriquecem-na e preenchem-na. Então eu pergunto, não é isso que faz mais sentido? que saibamos da vida de quem queremos bem e não do restante meio mundo de quem raramente nos lembramos e que raramente se lembram de nós a não ser pelas news feed do fb? 

 

É triste saber da vida dos outros, dos que ainda nos interessam ou interessavam, via fb. É meio caminho andado para perder o interesse, se é que ainda havia algum. Boas surpresas virtuais são tão ou menos interessantes que as que vêm nos ovos kinder, é que no ovo kinder pelo menos, antes da surpresa, ainda tenho direito a chocolate e do bom!

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incredulidade

por mandarina, em 19.03.12

Fiquei incrédula por saber que a Rihanna (para quem não sabe é uma cantora pop do panorama musical actual) colaborou recentemente com o ex-namorado Chris Brown no seu novo álbum. E o porquê disto me deixar boquiaberta, pelo simples facto de, no passado, este cavalheiro, lhe ter dado uma valente sova que quase a matava tendo ela inclusive ido parar ao hospital, e acabado por alegar que ele a tentou matar. Coisa pouca portanto. Agora vem ela explicar-se a propósito desta colaboração que alega ser só música, e ser inocente. E que é resultado da boa convivência entre eles.

Nem é a questão de perdoar ou não que está em questão, esta atitude desta rapariga desequilibrada, que é o que ela só pode ser, deita por terra o que milhares de mulheres no mundo todo anseiam. Direitos humanos, respeito e igualdade de direitos, e principalmente, não à violência doméstica, física e sexual. Esta coloboração, é um ultraje à condição feminina. E eu quero lá saber da Rihanna, há gostos para tudo, se gosta de homens violentos problema dela. Agora de uma figura pública é um exemplo triste e vergonhoso, porque enquanto milhares de mulheres lutam, diariamente, pela igualdade de direitos em pleno século XXI sujeitas e condicionadas a leis atrozes pela sociedade machista em que vivem, vem-me esta tipa renegar um dos direitos mais primários da mulher ocidental: a sua integridade física.

 

E depois há notícias como esta, de uma jovem rapariga de 16 anos violada e obrigada a casar com o seu agressor. Isto passou-se em Marrocos, mas é só um exemplo do que se pratica consensualmente nos países árabes. Perante esta ordem do Código Penal que iliba o agressor de cumprir pena se este se casar com a vítima, esta menina decidiu suicidar-se. A sua morte fez com que centenas de militantes feministas e ativistas dos direitos humanos exigissem este sábado a suspensão imediata da lei.

 

Não percebo em que mundo vivemos, as que podem e vivem dentro da zona de conforto e que legitimamente usufruem de direitos humanos primários relativos à sua condição feminina não fazem caso deles, enquanto que, do outro lado, mulheres sujeitas a leis absurdas, que defendem o agressor em vez da vítima, lutam por um direito que lhes é negado continuamente enquanto que estes criminosos continuam impunes e até protegidos pela sociedade e estas atrocidades vão custando a vida de mulheres inocentes.

 

mais sobre Amina Filali aqui

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Noite adentro

por mandarina, em 03.03.12

Flash news de última hora: a áGua aqui da província, lapso desculpem, ´spestacular cidade de Wuhan está contaminada mas segundo os peritos "you can still consume it" que é como quem diz, a água está poluída mas e depois, vocÊs vivem na China, queriam o quÊ? água purinha a saber a nada. Muito melhor água com sabor único e cheiro a esgoto.

Mas passo a quotar:

According to Baishazhou Waterworks, the water's pollution levels are something of a scientific marvel -- Pollution levels are, at once, too low for consumers to get worried and too high for the plant to effectively clean the water. (para quem passa ao lado de inglÊs, isto trocado por miúdos significa tá tudo f*dido - desculpem lá o palavreado deve ser de ter de tomar banho com água a cheirar a esgoto).

e mais, afinal não é só a estrangeirada a queixar-se ao que parece os chineses também:

it is only one of many circumstances in which local government opacity and environmental abuses have led Chinese consumers to be less trustful that their air, water, and food aren't slowly poisoning them.

Não me venham cá com merdas, a água está contaminada até à última gota, cheira a esgoto, e lá fora chove mas não usem a água da chuva que está cheia de ácidos tais são os níveis de poluição do ar nesta cidade, a comida que comemos cozinhada nesta água espectacular e controlada a 100% pelos rigorosos controlos de qualidade chineses é um espectáculo para cancros e outras maleitas que tal. Mas não se chateiem, continuem a viver como até aqui, e a consumir a água que tem cor, cheiro e sabor de esgoto mas que segundo os peritos (da onça) tudo ok - "But you can still consume it."

 

às pessoas preocupadas com o meu coiro depois de dizer o que penso sobre esta corja que é o governo chinês, don´t be! Se algum dia as minhas palavras chegarem aos ouvidos do big brother chinês não se preocupem, a não ser que me prendam aí por alguma masmorra, eu sairei daqui a bom grado, mas não me peçam para me calar e ser hipócrita. Isso é o mesmo que consentir com todos estes abusos e concordar com o que aqui se passa. E passa-se algo de muito errado. E, mais tarde ou mais cedo, isto vai dar em merda da grossa.

 

Nota: notícia na íntegra aqui.

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Os bastardos da política do filho único

por mandarina, em 01.11.11

Ontem uma das notícias em destaque no sapo.pt sublinhava que a China não abdicará da política do filho único, política essa que entrou em vigor há 30 anos e que segundo especialistas chineses evitou o nascimento de "cerca de 500 milhões de nascimentos desde sua introdução". Não quero focar-me na política que só por si é extremamente polémica, e que por uns é considerada a única maneira de impedir a superpopulação, e por outros, é vista como uma lei injusta que só discrimina os mais pobres que como não têm capacidade de "pagar" a multa que advém do nascimento do segundo filho se vêem marginalizados enquanto que os mais ricos podem sempre contornar esta lei e "pagar" o segundo filho.

 

É bem verdade que as coisas funcionam assim, muitos chineses que conheço têm irmãos e muitos pensam ter dois ou mais filhos, por isso, a verdade é que esta política é também mais uma forma de corrupção e, que mais uma vez põe a olho nú a discrepância entre ricos e pobres. Quem pode e quer pode ter mais filhos, mas sem querer ser cruel, não é justo que num país tão populoso faça sentido ser assim. A meu ver, nas famílias mais pobres, os filhos são, muitas vezes, uma fonte de mão-de-obra, uma "mão a mais" para ajudar no negócio da família, ou mesmo em casa com os mais velhos. Bom, sinceramente não me cabe a mim julgar a razão e a predisposição de pessoas mais pobres para quererem mais filhos, não digo que em todos os casos seja assim, mas muitos desses nascimentos evitados com a político podem ter significado o estancar  da pobreza do país, e, por outro, como também já se provou, veio fazer com que a população activa estagnasse e que em muitos sectores se sinta a falta de mão de obra jovem.

 

Sinceramente para mim o pior nesta situação, não são as crianças que não puderam nascer nem as famílias que viram frustradas a vontade de aumentar a família, aqui em destaque neste vídeo é precisamente a situação precária em que vivem as crianças que contra a lei acabaram por nascer e que hoje não são nada aos olhos da sociedade chinesa porque não têm identidade, não têm quaisquer direitos, não tem direito à educação, nem à assistência médica, nem ao trabalho, nem sequer o direito de se deslocarem de transportes como o comboio, avião, barco etc... a não ser numa situação ilegal.

Acho tão chocante esta situação, coloco-me no lugar desta rapariga do vídeo e só consigo sentir angústia, não ter direito a ser mais do que "ninguém", viver à margem mesmo tendo vontade de querer pertencer à sociedade e não poder fazer nada contra isso, porque os pais decidiram que ainda assim viveria sem identidade, viveria para a família e só dentro dela.

Nem sei, é uma situação tão extrema, tão insólita que nem consigo, quando a oiço contar a sua história, materializar o que significa não ter identidade, ser uma sombra, como se não existisse. Acho triste a história destes "meninos-negros" e acho que é desumano simplesmente ignorá-los e marginalizá-los e chego mesmo a pensar que sinceramente, como no vídeo alerta o especialista, é legitimo que um dia se insurjam contra o sistema e que se tornem criminosos, porque no fim de contas, se não têm quaisquer direitos também não têm de respeitar leis e uma sociedade que prefere simplesmente fazê-los desaparecer das estatísticas pelo bem do país, qual quer que seja esse bem.

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Indiferença humana

por mandarina, em 21.10.11

Hoje não posso deixar passar ao lado esta notícia que correu o mundo e que chocou pela crueldade, pela frieza e, principalmente, pela indiferença humana tão visível que gera revolta, terror e incredulidade com as seguintes imagens: http://www.bbc.co.uk/news/world-asia-pacific-15398332 

 

Logo quando soube desta notícia senti que não conseguiria ver estas imagens, mas hoje, sabendo da morte da menina chinesa de 2 anos, que foi desumanamente atropelada duas vezes e que foi ignorada por 18 chineses que ficaram indiferentes ao que se estava a passar com ela, não pude deixar de me "obrigar" a ver para não deixar de sentir o que é a falta de humanidade na China. Este é, sem dúvida, um exemplo extremo, mas variadas vezes não pude deixar de perceber que os chineses tem um sentido muito particular de estar perante a vida humana alheia e, posso mesmo dizer que, no geral, há uma total ausência de compaixão e assistência a pessoas em situação de risco/emergência.

 

É desumano o que se fez a esta menina, nenhuma cultura ou pessoa por mais fria que seja, ou por mais indiferente que o "outro" lhe seja pode conceber como algo normal a falta de reacção numa situação destas. 

E não, não é normal, que alguém que assista a um episódio destes não sinta urgência de a socorrer nem um pingo de piedade. Esta indiferença humana choca, principalmente por se tratar de uma criança, um ser humano indefeso sem capacidade nem consciência para sequer tentar reagir perante o que passa com ela.

 

É uma brutalidade e é uma pena que, por mais que os chineses sejam imensos (sim, são mesmo muitos) e que tenham outra noção do valor da vida, não sintam que uma vida humana é algo único e não uma banalidade, e que o sofrimento (imagine-se o que a pobre criança não tenha agonizado) de uma criança não suscite absolutamente nada para além de espanto e curiosidade.

 

O coração ficou tão apertado a ver estas imagens, mas é necessário ver, e, ainda que não vivesse na China, chocar-me-ia de igual modo, mas vivendo, sinto que isto não só não é desculpável de modo algum como também é um abre-olhos à insignificância que a vida alheia assume aos olhos deles.

 

A China, once again, a ser notícia pelas piores razões.

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