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Afónica

por mandarina, em 26.09.12

Amanhã ensino aos alunos uma palavra nova: afónica. Que vai ser tal e qual vou estar. Depois de 6 horas a falar a alto e bom som para duas turmas de mais de 40 alunos, e uma de 35 só vos digo uma coisa, mudei a minha opinião quanto ao microfone. Venha de lá o microfone.

 

Correu bem, muito bem aliás, tirando a parte do "L" em tudo o que é "Olá", "Ali", "Ele" etc. Eles repetem o que digo logo, devido à minha deficiência com o L que não consigo ler bem, eles acabam a dizer (como eu) Oua, Aui, Eue. E eu só me apetece levar as mãos ao céu. Mas bom vou ver como resolver isto com terapia da fala, já me disseram que fico impecável depois de um mês de exercícios.

 

Alunos que nunca mais acabam, e eu amanhã sem fala, não sei se quero ver isto. Digamos que ter ido comer aoBBQ de rua onde se respira, engole, leva com picante por tudo o que é sítio, olhos, garganta, e ainda beber cerveja fria também não terá ajudado ao cenário que já se adivinhava crítico. Mais defender Portugal perante os nuestros hermanos, tarefa árdua.

 

6 horas a falar dói, muito, mesmo que seja a ensinar o abecedário e pouco mais. Mas tem sido supergiro, são turmas muito grandes o que é mau, péssimo, horrível, mas visto que é assim e não será de outra maneira terei de ter estratégias para pouco a pouco os fazer falar a todos, isto porque as minhas aulas são todas de Oralidade. Falar, falar, falar, falar, e se falo só eu, não falo no dia seguinte.

 

Mais, conheci a nova professora de português que é chinesa mas viveu 3 anos em Angola. Simpática, até convidou (convidar na China é pagar) as portuguesas (as nativas) para almoçar. Muito simpática, diz que tenho de retribuir com um jantar de bacalhau. Assim seja.

 

Único problema do dia, uma professora chinesa fala com sotaque brasileiro, a outra com sotaque angolano, e nós (as nativas) com sotaque português de Portugal. Isto tudo deixa os alunos baralhados, pois tá claro. E estudante chinês que é verdadeiro estudante é queixinhas, por demais, logo foram queixar-se à professora principal "ai professora que não entendo", "ai professora que falam tão diferente", "ai isto e ai aquilo".

Conclusão vem a professora, a chinesa, pedir-me para que fale de forma mais aberta. E eu não sei se rie ou chore, então eu que falo português standard tenho de começar a falar português com sotaque angolano ou brasileiro. Façam-me rir. Não vou mudar uma vírgula do meu português standard, não por arrogância mas porque a entender têm de entender todos os tipos de português, sensibilizar bem aqueles ouvidinhos para quer seja português angolano, brasileiro ou o de Portugal.

 

E foi mais ou menos assim, mais muitas outras coisas o meu segundo dia como professora de português, e não como hoje me disse uma aluna, de brasileiro. Disse-lhes logo, ò aves raras (por outras palavras, claro) entendam bem que brasileiro não existe. Imperdoável isto ter saído da boca de uma aluna do 2º ano. Brasileiro o C#ra###! Ai que até me fazem dizer asneiras, a mim pessoa por tão bem educada...

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O primeiro dia

por mandarina, em 25.09.12

E que dia, ainda para mais quente e húmido que já não bastava ter de subir logo de manhã mil e duzentas escadas ainda tive de levar com este tempo abafado que me deixou literalmente ensopada logo na primeira aula da manhã. Entrada em grande portanto.

 

Mas tirando isso e desconfiar que chego ao final desta semana sem voz, correu tudo super bem, aliás até estou bastante admirada como correu tudo tão bem e sem espinhas.

 

Primeira aula, logo pelas 8h da manhã, que é para começar o dia em beleza, os alunos estavam claro todos excitados, alunos do 2.º ano com professora nova é festa na certa. E assim foi, muita animação logo a começar o dia, a aula foi comigo a falar mas "devagarinho professora" e com eles a palrearem no português que ainda mal dominam. Apresentações do género, nome, idade, origem, e claro a pergunta da praxe "porque estudas português?". Os nomes todos muito portugueses, a Sara, a Carina, a Ana, a Lara, a Inês, a Sónia, a ... e já não sei muitos mais. E claro os rapazes, tão poucos que mal se notariam no meio de tanta rapariga, não fosse pelo facto de serem uns verdadeiros engraçadinhos. Um escreveu no papel com o seu nome "Olá sou o Gil, tenho 19 anos e sou solteiro". Saídos da casca são eles. As respostas à pergunta do porquê estudarem português era quase sempre a mesma, "Quero ganhar muito dinheiro", perguntei a fazer o quê, "Tradução". Esperemos que sim.

Para o final da aula já não sabia bem o que haveria de dizer, isto porque depois de os ter posto a fazer um diálogo duma suposta ida ao médico fiquei sem tema, afinal 90 min. dá que falar.

 

Segunda aula, das 10h ao 12h, naquela hora que uma pessoa começa a perder a pica matinal, hora da turma mais que gigante, acho que não cabia nem mais um alfinete na sala, 1º ano, mais de 40 alunos, não muito barulhentos, ou pelo menos não hoje, porque senão não sei como me vou fazer ouvir. Ficaram um pouco assustados, porque tentei falar o mais possível português, intercalado com inglês e algum chinês, mas, no geral, a aula correu muito bem, com eles bastante interessados em repetir tudo o que eu dizia.

Vão ser aulas intensas estas do 1.º ano com 3 turmas e todas com mais de 40 alunos. Rouca no final da semana até aposto. Isso ou uso o microfone, coisa que detesto, a voz soa muito artificial.

 

Resumindo, correu bem, agora em todo o lado, é Olá Professora, Olá Olá olá .... tantos Olás e eu pobre de mim nem me lembro delas das aulas.

A não ser de uma aluna de 2.º ano com a qual ainda nem sequer tive aula e ela já me raptou hoje para almoçar com ela e com os amigos dela. Quer ser a minha melhor amiga, diz que me leva a conhecer a cidade, a subir a montanha daqui, a isto e aquilo, que me ensina chinês, que me visita em casa, etc. E vai lá saber que a miúda gira e extrovertida e que fala pelos cotovelos e em português, dá pelo nome Sílvia. Assim de repente fez-me lembrar alguém :=)

 

Bom agora já chega de testamento.

Foi resumidamente isto o meu dia, isto e mais uma aula de chinês dos diabos. Aprender a escrever os caracteres pelo sentido de escrita correcto. Credo, coisa impossível.

 

p.s.: já descobri o meu tique a ensinar, acabo todas as frases com "ok?" e os do 2ºano até brincaram com isso, a responderem sempre "ok"! Hilário

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Impecável

por mandarina, em 17.09.12

Afinal não vim para apagar nenhum fogo como inicialmente supus. Só começo a dar aulas para a próxima semana, visto ter as turmas do 1º ano principalmente que estão estas duas semanas em treino militar, e algumas do 2º e 3º anos talvez também. Bom vou aproveitar para me orientar por aqui, conhecer a cidade, e a boa noticia é que no final da primeira semana de aulas entro de férias por ocasião do feriado nacional da China, que será de uma semana. Nada mau portanto, depois disso, mais uns três dias ausente para ir a Hong Kong tratar das devidas formalidades. Ai que chatice Hong Kong pela terceira vez, adoro :) Já a carteira nem tanto!

 

Digamos que é um inicio bastante calmo, questão é que depois terei de trabalhar aos fins-de-semana para repor as aulas que não poderei dar. Mas bom, nada de grave. Já sei o que a casa gasta nestes termos.

 

Amanhã hospital para ver se terei de refazer exames, espero bem que não, dinheiro meu mal gasto, principalmente porque os últimos que fiz foi em Fevereiro deste ano, caca de exames que só tem validade de 6 meses. Mas bom, regra e regra, não dá para contornar.

 

Bom parece que tenho uma semana pela frente para andar a fazer de turista, melhor assim, dá tempo para me preparar psicologicamente para o que tenho pela frente. Ensinar português a caloiros que nunca ouviram uma palavra de português na vida parece-me um cenário assustador, impor disciplina, respeito e gerar empatia com os imberbes jovens parece-me uma tarefa hercúlea, mas eu estou cá para isso mesmo. Isso e ensinar a língua mais bonita do mundo.

 

Primeira tarefa: congeminar uma lista de nomes portugueses a adoptar pelos meus noviços. Resta saber se vou ser mázinha, e sugerir nomes do arco da velha, o que pode ajudar muito no processo de identificacção das criaturas.

 

p.s.: o contrato estava nos trinques, bem melhor que imaginei, só espero que seja levado literalmente a letra.

p.s.1: Agora resta mentalizar-me que vou ensinar português segundo o tal odioso Acordo Ortográfico, mas nem quero pensar muito nisso por enquanto.

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Adaptação em banho-maria

por mandarina, em 16.09.12

Tal e qual como me sinto, em adaptação, primeiro ao fuso horário (continuo a acordar as 6h da manhã, upa upa), comida e cidade.

 

A adaptar-me ao novo espaço, gosto muito do apartamento, so meu, sossegadinho, tirando as vizinhas dos prédios em frente, em baixo, ao lado por todos os lados musica chinesa a quase todo o momento, em alto e bom som.

 

A pior parte, ter muito, muito sono durante a tarde, e imaginar-me a dormir a meio da tarde, estou aqui a combater o sono ao limite, não posso sucumbir a ele durante a tarde (madrugada em Portugal) senão este jetlag nunca mais me deixa em paz.

 

Segunda pior parte, tenho o estômago as voltas. Nota mental, nunca mais voltar a comprar comida jácozinhada de supermercado, isto foi a minha tentativa patética e mal sucedida de fugir aos noddles instantâneos. Foi pior a emenda que o soneto.

 

Terceiro e ultimo, voltar a por todos os sentidos alerta, ou pelo menos, a visão, e a audição em alerta máximo quando me passeio nas ruas ou passeios chineses, e simplesmente olho por olho dente por dente, senão quero ser atropelada impiedosamente. Anda-se tão melhor em passeios para peões quando estes não são invadidos por motas, carros, etc. Na China não há disso.

 

Quase que me esquecia de mais uma particularidade das ruas e da China chinesa em geral, os cheiros fortes, insuportáveis de tão maus que são, umas vezes de comida de rua que tem um cheiro pestilento, e na maior parte das vezes, o cheiro forte a lixo, a putrefacção de vai-se lá saber o que, e talvez também cheiro a esgotos. Digamos que a China chinesa não cheira a rosas.

 

E assim estamos em pleno processo de adaptação, o estômago todo virado do avesso, não saber onde comer relativamente bem é chato demais, mas começar a cozinhar esta para breve.

 

Agora vou-me preparar para  a missa, diga-se de passagem que vou adormecer, espero que não seja sacrilégio adormecer na missa. Que infiel que eu sou, mas como, meus fieis leitores, já vos disse, só vou pelo passeio, e pela padaria ao lado da igreja, e já agora por curiosidade, dizem que a igreja fica num bairro de prostitutas, haverá cenário mais peculiar?

 

p.s.: continuo a escrever num teclado sem acentuação pelo que vou remediando com a verificação automática.

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Ni hao

por mandarina, em 14.09.12

Olá estou de volta ao Mandarina e como podem adivinhar de volta a China. Caramba já sentia saudades de comer com pauzinhos.

Haverá muito para contar nos próximos tempos, visto que esta minha terceira vez na China será, sem duvida, a mais badalada, visto ter pela frente um grande desafio.

Mas como hoje ja e tarde e amanha acordo cedo para escrutinio policial como dita a regra, vou entao tentar descansar.

Só posso adiantar que as primeiras impressões são boas, e que o pessoal me recebeu muito bem, tanto chineses como estrangeiros, pelo que não posso estar mais satisfeita para um inicio de nova vida que se quer isso mesmo nova, num sitio novo, num ambiente novo, com um desafio novo pela frente.

 

Ate amanha

 

A Mandarina esta de volta e veio para ficar (pelo menos pelos próximos tempos).

 

 

p.s.: a escrever num teclado sem acentos, perdonai.

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Jiayou Portugal!

por mandarina, em 21.06.12

Vamos lá Portugal, vamos ganhar aos checos, nós vamos ficar acordada até às 4h da matina para ver Portugal passar à fase seguinte, tu?

 

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já que

por mandarina, em 13.05.12

não há dinheiro para viajar e para conhecer mais esta maravilha natural de Portugal, esta preciosidade verdejante plantada em pleno Atlântico é sempre bom dar uma espreitadela nestas fotos da Ilha do Pico, Açores que são, simplesmente, de tirar o fôlego. Fica a muita vontade de ir.

 

p.s.: isto a propósito de uma apresentação oral de uma montanha de interesse do nosso país. O Pico foi a minha escolha. Escolhi bem, não? Ora vejam

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literatura tuga na China

por mandarina, em 14.04.12

Vou ser completamente honesta e admitir que, tirando o que li no citador, nunca li um livro deste autor português, José Luís Peixoto. Não me envergonho disso, há tantos bons autores portugueses que ainda não li e que ficam sempre para um dia mais tarde, mas a certeza que um dia os vou ler a todos essa ninguém me tira.

Descobri, por casualidade, que o premiado escritor português está, este mês de Abril, de visita à China por algumas semanas, mais concretamente a Pequim, com a finalidade de desenvolver acitividades literárias.

Acho que é uma excelente notícia uma vez que, não só é um orgulho para qualquer português ver o trabalho literário de um escritor português reconhecido nesta terra tão longíqua mas também porque, ao fim e ao cabo, é também uma excelente oportunidade para a promoção da língua portuguesa junto de um público jovem, interessado e com sede de desvendar os mistérios lusitanos. [Ver mais aqui]

 

Do que li aqui realço esta passagem, com a qual não só me identiquei como também acredito que encerra a essência de quem sente pela leitura e escrita uma genuína paixão.

"Na leitura e na escrita encontramo-nos todos naquilo que temos de mais humano."

José Luís Peixoto, in 'Diário de Notícias (2003)'

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arte tuga na China

por mandarina, em 10.04.12

Hoje vi esta notícia num site chinês para expatriados a dar conta da exibição do trabalho do artista português Alexandre Farto, mundialmente conhecido  por Vhils, numa galeria de arte em Shanghai. Como não conheço o trabalho deste artista e não vivo em Shanghai, não posso senão divulgar esta excelente oportunidade, junto de quem vive perto e tem a oportunidade de ir ver ao vivo e a cores o excelente trabalho, pelo que pude apurar, deste artista urbano português em exposição, pela primeira vez, na Ásia.

 

Achei muito interessante só pelas fotos que vi, ao vivo deve ser bem mais:

 

 

 

mais aqui

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