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felicidade é o quê?

por mandarina, em 21.05.12

Os textos do livro andam muito dados às filosofias e espiritualidades da vida, tal qual livros de auto-ajuda. Para ser sincera ainda não prestei grande atenção no que diz o texto, haverei de descobrir quando o ler. Mas foi interessante a professora de gramática no final da última aula como introdução ao texto nos ter dividido em grupos e dito, agora pensam pra aí o que é para vocês a felicidade e escrevam as ideias num papel. Que foi o que fizemos meio contra vontade que isto de pôr em palavras algo tão abstracto e em chinês dá que pensar e ando com a sensação que pensar não é coisa que os meus colegas e eu também que não sou melhor que eles nos tenha apetecido fazer muito menos nas aulas dela. Juro que ando com a sensação que a minha turma virou de repente um bando de zombies que estão sempre em modo poupança de energia.

 

Mas como ia a dizer lá nos juntámos e começamos a debitar ideias. Uns disseram logo que felicidade é como sempre dizemos né, ter dinheiro, ter saúde, ter família, poder estudar, encontrar um bom trabalho, ser feliz amorosamente falando, ser independente, poder viajar, entre outras. Depois já cá faltavam as humanitárias como ajudar os outros, fazer voluntariado, partilhar, doar a instituições de caridade, ajudar os pais, irmãos, filhos, avós, etc, etc. E pôs-me eu a pensar, será isto a felicidade, estas coisas que eles disseram e que práli apontaram todos contentinhos da vida. Será mesmo? É a felicidade ou os caminhos para a atingir?

Não faço ideia. 

 

Depois não fosse eu dar-me com a pessoa mais sensata da turma, a que tem o coração maior e os olhos mais profundos e que enxerga mais além, diz-me a minha amiga indiana, Shaya é o nome dela, a felicidade é algo muito simples, muito mais simples do que ter isto ou aquilo, a felicidade consiste em saber apreciar o que temos, darmos valor ao que possuímos, e não cobiçarmos nem invejarmos o que os outros têm.

Assim simples, a felicidade é a capacidade de nos contentarmos e de refrearmos a nossa cobiça e a permanente insatisfação com que vivemos a vida.

E pra mim tá tudo dito, adorei como ela pôs a coisa. "estamos sempre a comparar-nos aos outros, o que eles têm, o que eles são, o que eles fazem, o que eles podem, estas constantes e obsessivas comparações só nos fazem ser infelizes, porque desejar sempre mais é meio caminho andado para vivermos uma vida insatisfeita sem nunca nos darmos conta de que o que temos é o suficiente para nos fazer feliz".

 

ESTA ENTREVISTA A MATTHIEU RICCARD (homem mais feliz do mundo) EXPLICA MELHOR

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à beira do colapso

por mandarina, em 03.05.12

Não, eu não vou falar do Pingo Doce e da tal campanha, mais do que comentada, criticada, gozada, até porque estou a 10000 kms de distância e não vivi nem vi, nem senti, in loco, o que se passou a não ser pelo que li na imprensa digital e nos blogs que acompanho. E li de tudo, dos que fizeram troça, dos que aplaudiram a campanha, dos que estiveram na cena do crime, dos que criticam e dos que se ficam ali pelo meio divididos entre o desrespeito pelo dia do Trabalhador e os campos de batalha criados, um pouco por todo país, ou em cada Pingo Doce, e, do outro lado, a compreensão com a angustiante situação financeira das famílias e a carga psicológica que isso acarreta. Mas bom, eu que estou aqui, na China, bem longe, talvez longe demais para perceber bem os contornos da situação que se vive em Portugal, só posso dizer uma coisa, é assustador. Afinal aquela velha teoria de que a situação de um país à beira da ruptura seja uma imagem mediatizada pelos meios de comunicação está posta de lado.

A julgar pelo que se passou, e não o vejo só uma campanha de bom ou mau marketing, mas antes como um alerta para a situação financeira de milhares de famílias que é, hoje, insustentável. Só pode ser, porque eu não acredito, mesmo por todo o amor a descontos, que possam existir pessoas dispostas a submeter-se a tamanho inferno num dia que devia ser de descanso e paz de espírito só pelo prazer de comprar. Esta campanha a bem ou a mal, para mim, simboliza uma única coisa, um alerta gritante de que o país está definitivamente à beira do colapso numa total ruptura financeira e psicológica.

 

A sensação que fico é que quando voltar a Portugal não vou reconhecer o meu país, porque aqui a 10000kms de distância consigo sentir a agitação, o medo, a insegurança, a desmoralização e o pior, a falta de soluções para um problema que, a dia-a-dia, se intensifica e que não tem, num futuro próximo, um final feliz. E dói-me dizer isto mas, infelizmente, a esperança não cura os males da nação nem mata a fome e desespero destas famílias, que hoje dá que falar, seja como motivo de troça ou de compreensão, mas que, amanhã, estaremos a mãos com fundo vazio.

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caminho inverso

por mandarina, em 27.04.12

Hoje a ler toda a excitação dos novos inovs (os C16) relativa à sua vinda para a China não pude deixar de sentir um grande distanciamento desse momento, parece que esses 6 meses que passei aqui aconteceram há dois mil anos atrás. E pergunto-me hoje aqui na minha vida de estudante se faria o caminho inverso para voltar a ter tudo aquilo de novo? com aquilo refiro-me ao bom salário, às festas, aos excessos, à vida de bon vivant, à cidade, às pessoas, às nights, à suposta liberdade, ao ócio. Hoje sei que não faria o sentido inverso, até porque hoje sei que escolhi o caminho certo, agora entendo o porquê de a minha vida me ter trazido aqui, um dia quando estiver a olhar para a big picture, aí ainda fará mais sentido do que hoje. Não trocaria a minha vida de hoje por aquela ilusão daqueles 6 meses até porque um dia a gente acorda, e vê que a vida não é só festa, não é só o encanto pelo novo, não é só querer gastar todos os cartuchos duma só vez, é antes saber saborear a experiência, a maturidade e a sabedoria que a vida nos concede e, partindo deles, saber que futuro queremos perfilhar para nós.

 

Mas compreendo a excitação, está claro, compreendo mas já não me revejo minimamente nela, e ainda bem, é sinal que avancei com a minha vida no sentido certo.

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espírito crítico, minha gente

por mandarina, em 26.04.12

É que lá onde cresci e onde me educaram sempre houve disso, depois chega-se a terras do Oriente e cadê algo tão fundamental a iluminar as cabecinhas pequeninas desta gente. A educação não deve ser nunca passiva, mas antes activa. Não te deves colar nunca ao pensamento dos outros, deves antes partir dele para chegar mais além, para tu próprio abrires caminho, e não seguir o que já existe. Porque se fossemos ovelhas faríamos todos parte do mesmo rebanho e baixaríamos todos as orelhas perante o nosso pastor, mas não somos, aliás é em não queremos ser que reside a verdadeira magia, a nossa individualidade, o nosso factor distintivo. Porque se fossemos todos iguais este mundo era uma seca.

Por isso, critico, critico e volto a criticar quantas vezes for preciso, este método de ensino em que não nos é dado a escolher, em que se foges um milímetro à resposta do professor ou à maneira que ele quer que tu entendas as coisas e estás, por isso, errado. Pois, mas não, meus amigos, é quase totalmente o oposto, enxergar com os nossos olhos é a maior preciosidade do ser, e a mim não me a tiram nem por nada. Porque lá do sítio onde venho ensinaram-me a duvidar, a pôr em causa, a criticar construtivamente, a olhar e a entender o mundo com o meu cunho pessoal. E não como aqui se ordena ao rebanho, rebanho do qual me orgulho por não fazer parte, porque podem tirar-me tudo menos o meu bendito espírito crítico.

 

Não nasci com personalidade de ovelha, e não é agora que me vão forçar a tê-la.

Espírito crítico, minha gente faz-vos crescer e aparecer. Assim como assim, é o suficiente para não se tornarem iguais a tantos outros milhares.

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Aprendamos com as crianças

por mandarina, em 25.04.12

Temos muito a aprender com as crianças, são sinceros, não andam com rodeios e sempre vão directos ao ponto e não se escondem atrás de máscaras. Isso é coisa de adultos. Às vezes são tão sinceros que até dói, mas fossemos todos assim e sinceramente evitavam-se muitos mal entendidos, não devíamos ser tão politicamente correctos, antes fossemos como as crianças, a verdade a todo o custo, doa a quem doer. 

 

Mas aprendamos também com eles na medida em que eles sabem olhar com olhos de ver. Olham o que é novidade com uns olhinhos bilhantes de pequenos génios como se lhes tivesse a contar o segredo mais bonito do mundo e lhes tivessem dado a chave para a descoberta do tesouro do Ali Babá.

Uma das crianças a quem ensino disse à mãe que por sua vez disse ao meu patrão, que me passou a mensagem "ela disse à mãe que quer começar a ver filmes em inglês". E isto seria a coisa mais banal do mundo se a criança em questão não soubesse mais do que 20 ou 30 palavras em inglês.

 

Não sei se é uma boa lição para vocês, é para mim pelo menos, faz-me questionar o meu interesse pela língua, pelo mandarim, e perguntar-me a mim própria para onde fugiu a minha vontade de descobrir e de explorar novos mundos com a mesma paixão e sentido de aventura que tinha quando era criança e começava a estudar algo novo.

 

Tenho mais a aprender com eles, do que eles comigo, eça é que esa.

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