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humpf

por mandarina, em 05.04.12

Compreender e aceitar que as pessoas, por mais que gostemos delas, estão de passagem pelas nossas vidas e que quanto a isso não podemos fazer nada, não as podemos amarrar a nós, não as podemos obrigar a ficar, nem incutir-lhes, como que por artes mágicas, a vontade de ficar para sempre, é um verdadeiro exercício mental do diabo.

Compreender, até que consigo compreender muito bem, já aceitar não encaixo tão bem. Bom, fica para um dia mais tarde...

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metanóia

por mandarina, em 04.04.12
metanóia
palavra de origem grega que significa "mudança de ideia", "mudança de direcção" e "mudança no sentimento".


Se a vida fosse uma constante, se os nossos sentimentos se perpetuassem imutáveis no tempo seria possível pertencermos uns aos outros. Mas não é isso que acontece, a nossa vida está em contante mutação e, em consequência disso também os nossos sentimentos. Vai daí que eu não acredito em pertenças, nós não pertencemos a ninguém e ninguém nos pertence. É ilusório pensar assim, porque enquanto pensamos no outro como um ser que se possuí tiramos-lhe a liberdade e rotulamos as relações humanas com um para sempre insensato e algo fantasioso. Normalmente é-o pelo tempo que fizer sentido, e muito dificilmente para sempre. Os rótulos estragam quase sempre tudo, e poucas vezes fazem jus à verdade. Mesmo as pessoas comprometidas aspiram à liberdade quando a sentem castrada pelas imposições da possessividade alheia e, mais ainda quando sentem que a vontade de perpetuar uma relação, que já foi algo muito bom e que supostamente o seria no futuro, se evaporou algures entre o que foi e o que é,  e quando assim é dificilmente se recupera o vigor de outrora.

Abusamos dos determinantes possessivos, meu isto, meu aquilo, meu, meu, meu...Será mesmo teu? Será mesmo meu? Será que quer ser pertença de alguém? Esquecemo-nos que só possuímos objectos e nunca pessoas. No que toca a relações, costumo pensar que os rótulos pouco interessam, fiem-se, antes, no que os vossos olhos vêem, o coração sente e as atitudes provam. E, principalmente, que ninguém é de ninguém especialmente quando a própria pessoa (a suposta pessoa possuída) não sente assim. So se é/está quando se quer continuar a ser/estar, e sempre de livre e espontânea vontade. (isto numa sociedade livre)

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verdades

por mandarina, em 21.03.12

Olhamos o mundo com os olhos que queremos olhar. Pura e simplesmente assim. Só acreditamos no que os outros nos dizem porque queremos, e quando há uma réstia de desconfiança a balança pesará para aquilo em que verdadeiramente queremos crer que seja a verdade, ainda que na maior parte das vezes seja mentira. Já ninguém tem vergonha de falar a mentir olhando nos olhos da outra pessoa. Hoje em dia, aceita-se a mentira tanto como se aceita a verdade. E normalmente opta-se pela perspectiva que nos favorece mais aos olhos das outras pessoas. Mente-se sem pudor.

Está em nós a livre decisão de acreditar ou não. Querer acreditar ou não.

Adoro observar certo tipo de comportamentos, também porque já ali passei, já estive na pele de quem recebe uma mentira, ou uma meia verdade e faz dela a sua verdade. Acreditar nela sabe bem, dá mais paz de espírito, ajuda-nos a viver mais felizes e a ilusão nunca foi uma má realidade, até ao momento que acabe é a realidade mais saborosa e mais inocente.

No outro dia, observava o playboy aqui da parada, como dizer, observava as suas técnicas de engate. Não era a única a observar o comportamento dele em plena acção, da caça a bem dizer. Rapaz vistoso, ar safado, ousado até mesmo destemido, estilo engatatão. E teve muita piada porque estávamos a olhar para ele, e ele estava a dar conversa da chacha a uma moça que se derretia toda, e ele falava, falava, e ela sorria, e ele sorria, e continua blablabla até que um colega que estava ao meu lado grita "hey C**** stop telling lies" e toda a gente partiu o caco a rir. Ele olhou para nós, fez um pirete e levou a donzela para fora dali, não fosse isso arruinar o conversé todo. Teve mesmo muita piada. Conclusão: foi em tom de brincadeira que o colega disse aquilo, mas a bem dizer disse a verdade. O moço lá estava a dar a volta à moça a contar isto e aquilo, a criar a tal imagem de bom samaritano e rapaz decente e bom menino. E ela, lá está, estava a gostar de ouvir e acreditar. Ainda que desconfiasse que ele não estava a falar a verdade. Só não desconfia quem é muito tola que este tipo de gajos topam-se a léguas.

Isto para dizer, que acreditamos no que nos convém. E a verdade ali à mão. Mas não, muitas das vezes somos mais felizes deixando-nos enganar, em vez de enxergar a verdade que normalmente equivale a uma bela bofetada que nos faz cair na real, e ups... afinal, andaram a mentir-me. Não andaram a mentir, quando muito tentaram criar uma imagem que não correspondia à verdadeira. E a ilusão é sempre mais apetitosa. As mulheres preferem os contos de fadas à realidade desprovida de encantos mil. Pois pior é quando cai a ficha. Aí é acordar para a vida, seguir com os olhos mais abertos, e aceitar que os outros contam as verdades deles, e que nem sempre isso corresponde à real verdade. Ainda assim, o que contam de si aos outros não deixa de ser verdade, depende é da perspectiva e dos factos conhecidos até ao momento.

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inveja

por mandarina, em 17.03.12

A inveja silenciosa não faz de ti uma pessoa mesquinha, senão sensata, porque inveja todos sentimos, não fossemos nós humanos e imperfeitos. O pior é quando a inveja ganha forma e se manifesta em palavras e atitudes. Aí pára tudo, desvia-te dela o mais que possas e recomeça longe dela. O melhor que possas, o mais distante que consigas. A inveja audível é um buraco negro, mostra-te que és um ser limitado mas principalmente que não sabes apreciar quem és nem o que tens.

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Pensamentos aleatórios #15

por mandarina, em 15.03.12

Pensamento super sapiente que me ocorreu quando estava a fazer os alongamentos hoje no final da aula de spinning que, diga-se de passagem, me ia matando de todo.

Os alongamentos são como o fim de um relacionamento: senão doeu é porque não surtiu efeito, ou seja, a ruptura que não provoca dor só pode querer dizer que os sentimentos eram mais leves que uma pena atirada ao vento, mais fragéis que uma boneca de porcelana caída ao chão e mais superficiais que um olhar cúmplice trocado com um estranho na rua. Senão doeu, não foi para valer, não foi a sério, não deixará marca, e o tempo encarregar-se-à de apagar essa pessoa do livro da sua vida.

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Validade

por mandarina, em 02.03.12

Quanto vale o momento presente? não vale porque já passou.

Quanto vale a felicidade sentida ontem? não vale porque já não a sentes.

Quanto vale a felicidade que sentirás no futuro? de pouco vale porque é utópica.

Quanto vale o prazer? Vale enquanto o sentes. Vale no momento, só e apenas.

Quanto vale e por quanto vale sentimentos que não desejamos sentir? Valem menos do que julgamos sentir. No futuro, quando eles já fizerem parte do passado, valem menos de um centésimo de segundo. Hoje valem mais que a conta, mais do que valem na verdade.

Por quanto valem as conquistas e todas as vitórias? Um milésimo de segundo elevado ao exagero, ainda assim não mais que um milésimo de segundo.

Por quanto valem as angústias e tristezas? Dramaticamente valem o que nos parece uma eternidade, ainda que a eternidade seja uma fracção ridícula do nosso tempo.

E a felicidade efémera, quanto vale? Vale o tempo que a soubermos recordar. Na verdade vale menos que o tempo que a passamos a regar para depois a colher. Um fingimento.

E o amor próprio quanto vale? Aparentemente 0  a julgar pelo momento em que o dispensamos em prol de uma (ilusória) causa maior. Esse só vale no depois, quando nos apercebemos que vale tudo e que os outros não valem nada. Porque ninguém vale o nosso amor-próprio. Se valessem não nos fariam abdicar dele.

 

E a vida quanto vale? Vale-nos enquanto a vivemos. Depois não vale nada.

Nada fica de nada. Nada somos.

Cadáveres adiados que procriam.

            {Ricardo Reis, in "Odes"
            Heterónimo de Fernando Pessoa}
 

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Pela metade

por mandarina, em 21.02.12

Tudo pela metade, relações pela metade, compromissos pela metade, palavras pela metade, sentimentos pela metade. Chatices em dose XXL para os implicados.

Relacionamentos aparentemente muito mais saudáveis, segundo a nova moda de relacionamentos à século XXI, que, a meu ver, são relacionamentos pela metade, "estou contigo mas não estou a sério, vou estando enquanto der, enquanto quiser, enquanto me apetecer". É só na minha cabecinha ou que raio de relacionamentos são estes!? Digo-vos eu, não são. São a maior palhaçada pegada que por aí existe.

 

Sofre-se menos que naqueles em que as pessoas se deixam consumir por paixões desenfreadas!? Ah espera, não é isso que conta aqui, a questão é, eles não têm capacidade de se apaixonar, por isso, tentam facilitar-se a vida e pensar que facilitam a delas deixando bem claro que o que têm é uma relação temporária, por isso, aguenta aí os cavalinhos e nada de te envolveres demasiado. Tudo preto no branco, se elas querem alinham senão mais vale saltarem logo fora! Ora, como muitas mulheres têm espírito masoquista e caem sempre por pessoas emocionalmente egoístas e desiquilibradas acabam por ceder de bom grado às regras do jogo, e pensam que, no entretanto, eles mudarão, elas, tal e qual super-heroínas, julgam-se capazes de driblar a sua teimosia e conquistá-los para toda a vida.

Desenganem-se, eles não mudam, quer dizer, ocasionalmente mudam, mudam de namorada, de chatice, de telefone, de morada, mas o essencial continua lá - seres ausentes emocionalmente.

 

De quem tenho mais pena? Delas que sofrem horrores mas que foram avisadas à partida e sabiam ao que iam ou deles que as avisaram e estão conscientes de que estão perdidos para esse sentimento e que, quanto a isso, podem nunca mais vir a sofrer por amor mas também nunca virão a saber o que é ser verdadeiramente feliz às custas dele.

 

Eu descobri a tempo que tenho o coração no sítio certo, e que há balizas impenetráveis e só é estúpido quem insiste em fintas sucessivas e infrutíferas para a vida. Essas são as que, gente com o coração saudável, deve, a qualquer custo, evitar.

 

Camões é que sabia, ou fazia que sabia, o que era:

Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se e contente;
É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos

 

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Convictamente

por mandarina, em 20.02.12

Cenário inspirador: aula de spinning

Personagem inspiradora: a professora chinesa de spinning que dá guinchinhos a toda a hora e que é uma professora preguiçosa

Lição para a vida inspirado nela + spinning, uma das modalidades de ginásio mais energéticas e exaustivas.

 

No spinning como na vida sê convicto. Pedala com convicção, esforça-te com convicção, transpira com convicção. Na vida, estuda com convicção, trabalha com convicção, ensina com convicção, apregoa com convicção, dá-te com convicção, assume-te com convicção, levanta-te com convicção, caminha com convicção, dança com convicção, come com convicção, dorme com convicção, ri com convicção, beija com convicção, f*de com convicção, ouve com convicção, chora com convicção, nega com convicção, escolhe com convicção, olha-te com convicção.

 

Lição de vida: Vive com convicção para quando te falhe o mais importante, viver com paixão.

Amar só mesmo com paixão, que amar com convicção é não amar de todo.

 

Convicção: (Do latim convictiōne-, «acção de convencer») Certeza adquirida por fatos ou razões; persuasão íntima, convencimento

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Risco

por mandarina, em 12.02.12

Pensamos sempre que tomar um risco é irracional e despropositado e tentamos sempre que a nossa vida siga pelos caminhos mais racionais e seguros. Sempre me disseram, sonhar é bom, mas com os pés bem assentes no chão. Hoje dou por mim a pensar, e "se", os sempre inconsoláveis "ses" que fazem da nossa vida um verdadeiro ponto de interrogação e que quase sempre acaba com um estúpido ponto de exclamação. Hoje penso, entre lamúrias meias disfarçadas, e "se" e se eu tivesse arriscado quando tive tempo, tivesse feito por ficar e não decidido partir em busca de algo que hoje me deixa assim só a meio, meio satisfeita, meio insatisfeita, meio feliz, e meio triste. E "se" quando tinha tempo e tive incentivo à iniciativa tivesse tido eu vontade e firmeza de dizer que ali seria mais feliz e teria vivido bem mais feliz que aqui, não sei por quanto tempo teria sido, mas valeria a pena. Hoje esse "se" foi-se, já não faz mais sentido, perdeu o lugar e foi-se o tempo que poderia ter deixado de ser um "se" para hoje ser uma certeza. Uma pena tê-lo perdido, ou uma dor evitada, mas certamente teria valido a pena ter pago para ver. Hoje é um risco que ficou por tomar, não tive "tomates" para isso, nem visão. E o tempo para abraçar as oportunidades, esse não perdoa. Porque cada oportunidade tem o seu tempo, e esta, como todas as outras, teve o seu.

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Stop

por mandarina, em 31.01.12

Stop quando passas dos limites, Stop quando te magoas, Stop quando magoas os outros com palavras que não deviam ter sido pronunciadas, Stop quando julgas a vida dos outros pela tua própria, Stop quando passas o limite do aceitável e razoável, Stop quando te decepcionas não com os outros mas contigo mesmo, Stop quando não sabes medir as relações e o mau se torna mais pesado, Stop quando tens o coração pesado e cansado, Stop quando vês tudo turvo, Stop quando te machucas feio e procuras ferir, Stop para quando já não sabes parar. Stop quando a balança da infelicidade pesa mais que a da felicidade, Stop quando te deixas cegar pela inveja, Stop quando desejas a quem amas má sorte, Stop quando a história acaba e tu não te dás conta disso no momento certo, Stop às birras, Stop às ofensas, Stop às minhas verdades, Stop ao ridiculo de discussões sem propósito, Stop a esta história...

 

Na vida às vezes, senão mesmo muitas vezes, é preciso fazer reset e começar de novo num sitio bem distante para que voltes a saber quem és e que o coração não se encha de névoa e um dia se torne num imenso nevoeiro cerrado.

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