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Transparências

por mandarina, em 26.11.12

Hoje dois colegas disseram-me ao jantar que parecia cansada, e eu pensei para mim "raios se ainda nem comecei a semana de trabalho como posso aparentar um look tão cansado que salta à vista de pessoas que já não vejo há tanto tempo e que mal me conhecem?". Só pode querer dizer que estou cansada, e que sou infinitamente transparente.

 

O dia-a-dia cansa, o corpo cansa-se da rotina, e mais do que isso, a alma cansa-se mais do que tudo o resto quando tudo roda à volta sempre das mesmas tensões e chatices, a rotina é silenciosa e impiedosa e só faz desgastar a alma que se quer nova mas que cada vez se acha mais velha e usada.

 

Mais vale pensar que para as férias já só falta mais ou menos um mês e esperar que esse pensamento acalente corpo e alma.

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Introspeção

por mandarina, em 25.11.12

Ando numa fase introspectiva, talvez por andar com mais tempo para parar e realmente pensar na vida, na minha principalmente, que é a única que me diz inteiramente respeito, e não a partilhando com ninguém, a não ser com os meus botões, então tenho de me entender comigo mesma.

 

Se calhar o frio, que não tem dado descanso, mais a chuva, o vento, e o céu cinzento que parecem que vieram para ficar indeterminadamente também tem contribuído para o despoletar deste período mais intimista e introspectivo. Não sei, apetece-me escrever sobre isto, sobre nada, nada em concreto, coisas do dia-a-dia que, a meu ver, significam muito pouco para quem as lê e não as vive. Palavras que não chegam a lado nenhum, pensamentos inconclusivos, sem razão de ser, sem sentido, à deriva no emaranhado precipício de pensamentos que surgem e logo se desfragmentam em mil pedaços.

 

Revejo-me, avalio-me, reavalio-me, relembro conversas, palavras, olhares, momentos que cada vez me soam mais a passado, num espaço que se avista mais distante, mais improvável. E questiono a veracidade desses momentos, que entre mil e outros momentos, não consomem mais do que uma pequena porção do tempo da minha vida e que ainda assim lhe conferem substância.

 

Momentos, palavras, olhares que consomem um segundo da tua vida, e que deixam uma marca por muito tempo. Sensações que te aquecem a alma, que te despertam, que te relembram o sentido da vida. Esse que tão facilmente esquecemos no passar moroso dos dias cinzentos de chuva e frio. Esse que não nos deixa esquecer que estamos vivos, que sentido faz estarmos vivos, sermos meros peões de um caprichoso jogo à escala universal e, ainda no meio disso tudo e mais importante que tudo o resto, pensar que tudo (nós) começou do nada e que ao nada regressará.

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Tempo escasso

por mandarina, em 20.11.12

Pois é amigos, ando meio ausente das lides bloguistas mas, na verdade, entre preparar aulas, testes intercalares, avaliar trabalhos de grupo, ir às aulas de chinês, fazer compras de inverno que o malvado já chegou em força, organizar outras coisas que tem surgido, pensar na vida, muito importante e, tem sido algo que me tem roubado muito tempo, sair para espairecer e beber uns longos cafezinhos também para dar sossego à cabeça, e ainda arranjar tempo para dormir decentemente, não sobra muito tempo.

 

Por isso, nos próximos tempos não vou andar tanto por aqui é que com isto dos testes intercalares, que ninguém me obriga a fazer, mas que não sendo assim eles não estudam e não aprendem, o que significa tempo perdido de aulas que dei, então bora lá carregá-los de testes e tpcs, fico mesmo atolada de trabalho extra. Quem disse que ensinar português não dá muito trabalho? É a nossa língua materna mas ainda assim perde-se muito tempo a pensar o que ensinar, como ensinar, o que avaliar e como.

 

Bom deixem-me lá voltar ao trabalho, o que vale é que quem corre por gosto não cansa...que grande balela, cansa igual!

 

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Outono

por mandarina, em 29.10.12

Chegou para ficar, mas também quase em Novembro nem se podia esperar outra coisa, e não consigo imaginar melhor maneira de começar a semana que não em casa a preguiçar pelo sofá, a fazer por esquecer as aulas e os exames que tenho de preparar para a semana de trabalho que começa amanhã, esta mais curta que quinta e sexta não se trabalha por estas bandas por ocasião do encontro desportivo que tem lugar um pouco por todo o país com as universidades e colégios a organizar eventos desportivos durante dois dias. Eu ainda não estou convencida de que vou correr, é que sinceramente apetece-me 0, nem é por fazer exercício físico que só faz bem, mas porque ainda estou ressentida com a boss a quem quero continuar a mostrar má vontade pelos últimos acontecimentos.

 

Mas num dia como o de hoje, cinzentão, invernoso, e chuvoso realmente sabe maravilhosamente bem estar aqui no aconchego do lar, e ignorar os deveres por umas boas horas, ficar a ver filmes e as notícias nos únicos dois canais internacionais/em inglês da TV. E ficar a desejar que a segunda-feira nunca mais acabe, do dia mais odiado da semana passou a ser o meu dia preferido, ironia da vida.

 

Assim este dia de Outono tem mesmo outro sabor, mesmo que seja sol de pouca dura, amanhã já volto ao batente, mas também é só amanhã e quarta e como corri todas as turmas a exame, 1.º e 2.º anos, numa tentativa de os obrigar a estudar, digamos que o tempo até vai passar mais rápido, que diga-se de passagem que fazer orais a mais de 40 alunos por turma em 1 hora e meia vai dar que falar.

 

Quem haveria de imaginar (eu não certamrnte) que até há uns meses atrás estava super preocupada com os exames, e stressada por ter de estudar tanta coisa em tão pouco tempo, e agora sou eu a fazer os exames e a avaliar os meus alunos e em português. Talvez por ter estado do outro lado até à pouco tempo consiga dar um desconto aos meus alunos. Mas pequenino, como os meus professores me davam a mim.

 

Bem deixem-me voltar à preguicite. Doença crónica horrorosamente boa.

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Domingo

por mandarina, em 14.10.12

E já é domingo outra vez, choro, birra, má-vontade, preguiça. E não são as crianças, é mesmo o meu estado de espírito.

O fds passa rápido demais, mesmo a acordar às 7h30 da matina em ambos os dias, e amanhã, excepcionalmente também, para repor uma aula. Isto porque chego morta dos putos, ao sábado pelo menos cheira-me que sim, e só quero fazer uma big siesta. Que foi o que acabei de fazer. Entretanto também já preparei um mini lanche porque algumas alunas do 2.º ano vêm cá a casa. Pediram-me e eu claro que aceitei. Uma delas é a Sílvia, a super simpática e querida e a que de todos os meus alunos fala mais, e melhor. As outras vem um pouco por arrasto porque não falam tanto assim.

 

Hoje no jardim-escola correu bem. Tenho uma turma mega super amorosa, quase só de meninas lindas e fofinhas de morrer, tão apetitosas que só apetece agarrar todo o tempo aquelas bobechinhas de anjo. Além de que são super bem comportadas :) Nesta turma tenho um par de gémeas, na China não é muito comum, e eu estou cá a pensar como raio vou distinguir as miúdas.

 

A Victoria (boss) veio assistir à aula e eu fiz por dar show. Digamos que é muito importante eu cair nas boa graças dela. E modéstia à parte caí. Adorou a aula, e só me agradecia no final. Ainda se fartou de rir e tudo. Muito, mas muito bom sinal. Digamos que eu me esmerei :)

Já a assistente depois de me ter vindo embora, deve ter levado um puxão de orelhas da boss, que nem gostava de estar por perto. A Victoria estava super insatisfeita com a prestação dela, ou seja, eu fiz tudo sozinha, tudinho, ta bem que as miúdas eram fáceis, mas ela não deu uma para a caixa. E com a boss ali ao pé. Que tonta. 

 

Mais, antes da aula a Victoria disse que ontem os pais sentiram que não estávamos preparadas, e nem à vontade uma com a outra, pelo que pediu para que falássemos entre nós afim de melhorar e estarmos bem preparadas. Muito bem, assumi o meu papel e disse-lhe muito sinceramente o que esperava dela. Disse-lhe que a professora era eu, ela a assistente, logo eu ensino, ela mantém os putos em ordem e certifica-se (usando chinês) que os putos me percebem e fazem o que eu lhes mando, principalmente enquanto não entendem o básico.

Ela muito indignada, "eu não sou uma máquina tradutora, mas se é assim que queres eu faço-o", só me apeteceu bater-lhe. Também a repreendi por me ter deixado sozinha com 8 putos ontem, enquanto ela andava de volta de um puto problemático, dizendo-lhe que tem de estar de olho em todos, e não em apenas UM deles. Lá diz ela "isso é muito difícil e o professor também tem de impor disciplina". Bom enfim. Sem palavras.

 

Agora às alunas do 2.º. A Sílvia deve vir aí toda tagarela :)

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Ao terceiro

por mandarina, em 27.09.12

Dizem sempre que ao terceiro é de vez e foi mesmo. Passei-me dos carretes às 8h da matina de hoje, mais exactamente às 8h15, tendo em conta que tinha a 1ra aula da manhã às 8h10. É que aqui nesta instituição chegar atrasado dá penalização de 700 yuan, tipo 80€, oh yeah. Logo eu uma pessoa, portuguesa por assim dizer, não chega nem 15, nem 10 minutos antes da aula começar, quando muito chego 5 minutos que é o tempo de ir buscar as chaves à sala das chaves e ir, com tempo, para a aula descansada da vida. Que foi o que fiz hoje, tendo só tido como problema deparar-me com a já mais que conhecida incompetência chinesa de gente que passa o horário de trabalho ou no QQ (msn chinês) ou a ver filmes.

 

Pergunto onde está a chave, ao incompetente dum raio, ele "não é preciso chave" e eu "tem a certeza?" e ele "sim", tudo em chinês claro e não foi problema do meu mau chinês, lá vou eu, já mais que desconfiada para a sala, chego porta fechada, alunos à espera, os alunos chineses gostam de chegar tipo cedo, eu sou a professora, pois que esperem até à hora da aula e não antes. Porta fechada, volto a correr ter com o fil#o da p#ta que me disse não ser precisa chave. Logo enervada, começo aos berros, liga para outro, e diz-me, "já tá aberta", eu enervada lá vou, à frente chego primeiro, um palhaço vem nas calmas com a chave, grito-lhe "rápido, rápido" e lá se decide a correr, lá vem o paspalho abrir a porta, depois aparece uma segunda paspalha, ao que eu lhes grito, "podem ir agora, saiam daqui" tal a minha carrada de nervos. E saíram, se não saissem juro que não começava a aula, não com eles nela, em pé, no fundo da sala, a dizer m#rda e a distraírem os meus alunos.

 

Isto correu foi bem, para a próxima arranco-lhes os olhos a estes incompetentes duma figa (para não chamar nomes bem piores).

 

No que eu me torno, Deus meu, os chineses, os incompetentes, provocam em mim uma fúria que eu julgava não possuir.

E isto é só o início de um longo ano de convivência com aqueles pseudo trabalhadores/porteiros/seguranças. Só ainda agora começou, pior para eles que eu sou um osso duro de roer. Logo aprenderão.

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privacidade issues

por mandarina, em 25.06.12

Também tenho disto, na maior parte do tempo é coisa que não me arrelia, depois há alturas, que me incomoda mais que um espinho alojado num pé. Odeio exposição, gosto de andar sempre pela calada, está na cara que não tenho este blog para ter resmas de leitores ávidos por escândalo, intrigas, e outras coisas que tal. Aliás o meu registo é, e perdoai-me quem me lê, mas o meu registo é escrever de mim para mim, por necessidade, para não rebentar tudo para dentro, para não sufocar.

E, porque ultimamente me sinto algo exposta, ninguém me mandou ter andado a abrir as bolsas da minha privacidade, sinto-me, agora, um pouco claustrofóbica e com alguns 'privacy issues' e sinto que anseio controlar tudo ao meu alcance para me proteger e voltar ao meu low profile. Quando digo proteger, falo somente dos meus fantasmas, que não tenho a presunção de ter seguidores ávidos por exposição exagerada de fotos, desabafos, asneiras nem ando a ser assediada virtualmente.

Isso jamais sucederia comigo, o meu mundo é muito meu, muito particular, só é visível na medida que eu o deixo ser. É e será sempre assim, mas, até assim, às vezes, sinto que abro demais os cordões à bolha da privacidade que se quer bem restrita, tal como eu gosto, e só sei viver.

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Depré

por mandarina, em 17.05.12

Este blog anda [ou é, como vos apetecer classificá-lo (me)] como a dona dele depré! Assim a não achar graça a patavina, a querer fazer nada, sem imaginação nem apetite a não ser para ler e dormir; nem ouvir música me tem apetecido especialmente, e quando isto acontece meus amigos, moi que não vive sem música diariamente e o prazer que ela me concede, então é porque a coisa é grave que eu não funciono assim sem banda sonora. Também tem fases que gosto da música que o silêncio produz, sim porque o silêncio tem uma música muito própria. Mas não gosto de gostar do silêncio quando fico assim meia morta viva a olhar para ontem, mumificada por tempo indeterminado. Olhem nem sei que vos diga, e tem estado uns dias tão bonitos e eu que rejubilo ao ver o sol tal qual uma lagartixa espraiada ao quentinho da tarde, ando como que, a preferir ir pela sombra. A minha alma está morna. Nem fria nem quente, é um estado tão indefinido que nem sei de onde veio tanta apatia.

 

Pardón se não respondo aos vossos comentários, nem comento onde é habitual. Não acho as palavras. 

 

Oh Etta nem tu me animas hoje!

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ukulele sounds

por mandarina, em 15.05.12

{ou estado de espírito}

 

"I'm a creep and, and I, I'm a weirdo" 

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mau-humor 2

por mandarina, em 14.05.12

Ter o vizinho do Iémen da porta em frente ao meu quarto a gritar, há N tempo ao telefone, em árabe. Que além de ser uma língua feia como o caraças, faz uma dor de cabeça muito grande. F&$#E!

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