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por mandarina, em 22.05.13

Queria que me apetecesse escrever mais e não apetece, em compensação tem-me apetecido ler e ontem acabei de ler "amor nos tempos de cólera" de Gabriel Garcia Marquez, e ler este livro deu-me um prazer que já há muito tempo não sentia. Da vontade de o voltar a ler e desejar que ele nunca mais se acabe. E eu ate sei que li, o que muitos consideram a obra-prima de Garcia Marquez, "cem anos de solidão" mas sempre que tento lembrar-me do livro ou da história em si não me ocorre absolutamente nada. Mas também sei que ate pode ser um grande livro, e eu ter achado isso, mas eu sofro de uma espécie de amnésia passados uns bons tempos de ler, ver, ouvir algo e só me dou conta de que já li ou vi algo quando o faço pela segunda vez, pelo que daqui a uns anos vou voltar a ler este livro, que adorei verdadeiramente, e vou conseguir lê-lo com o mesmo prazer (ou quase) tal como da primeira vez.

 

Mas isto tudo para dizer que acho que Gabriel Garcia Marquez neste "Amor nos tempos de colera", cujo titulo imaginaria outro, escreveu genialmente e não consigo imaginar, depois deste livro, uma escrita mais bonita que a dele. Apaixonei-me por tudo, o enredo, as personagens, o envolvimento, o sentimento, a expressão. Receio voltar a ler outra obra dele e não encontrar o mesmo amor, a mesma forca, a mesma invencibilidade.

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Literatura O

por mandarina, em 10.02.13

Do livro que ando a ler, roubado à estante alheia, agora dei para isso, "roubar" livros que outros já leram. O livro intitula-se Erotismo, escrito por Francesco Alberoni, sendo este livro uma espécie de trabalho sobre este tema visando explicar as várias nuances do mesmo e revelar como o erotismo se processa de maneira diferente num homem e numa mulher.

Deveras interessante ainda que date do ano 1988 e que provavelmente hoje já tivesse sofrido umas quantas alterações em certos capítulos.

 

Achei que devia partilhar estes dois excertos:

Acerca da exclusividade feminina, o autor cita Simone de Beauvoir que escreveu: "o homem enamorado é autoritário, mas depois de obter aquilo que queria fica satisfeito, enquanto não há limites para a devoção da mulher... Para a mulher a ausência do amado é sempre uma tortura...desde o momento em que poisa os olhos noutra coisa que não seja ele, desilude-a; tudo aquilo que vê, leva-o para longe dela... A sua tirania é insaciável... é a guarda do cárcere. Sente-se sempre em perigo. Não há uma grande distância entre a traição, a ausência e a infidelidade. A partir do momento que se sente mal amada, torna-se ciumenta...irrita-se quando os olhos do amado se voltam por um instante para uma estranha...O ciúme é para a mulher uma louca tortura porque é uma contestação radical do amor..."

Que quadro mais bem conseguido fez Simone de Beauvoir acerca da mulher ciumenta, achei soberbo.

 

Haveria tantas outras passagens a partilhar mas como o livro tem uma linguagem forte a dica fica dada para quem queira saber mais sobre o universo feminino e masculino, eroticamente falando...

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Livros em formato digital

por mandarina, em 10.08.12

Constato com grande satisfação que muita gente vai para a praia muito bem acompanhados com um livrinho. Eu faço o mesmo, e só quando o ruído me desconcentra ou o calor me convida à água é que desprego olhos do meu fiel companheiro, o livro. No outro dia, vi um casal, ele com o clássico livro em papel, e a esposa com um destes tablets onde desfolhava o seu livro digital, e fiquei a pensar para com os meus botões que por mais prático que estes tablets sejam jamais destronarão o prazer de folhear as páginas de papel e de sentir o livro nas mãos. E sim, já li em formato digital um ou dois livros, caso contrário não demonstrava o meu desagrado relativamente a estes gadgets.

Confesso-me antiquada quanto a esta modernice que, de todo, não me conquista e a vocês?

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Segundo

por mandarina, em 09.08.12

Marina de Carlos Ruiz Zafón foi o segundo livro que consegui ler até agora num mês inteirinho de férias. Fraquinho, mas quando a concentração não deixa não há nada a fazer, como diz Zafón, as palavras voavam das páginas.

 

Ao contrário do primeiro, devorei este em 2 dias, mas nada de mais quando se trata de Zafón, exímio contador de estórias, e que nos inebria com o seu jogo de palavras e, claro, que nos prende do início ao fim com as suas extraordinárias estórias misto fantasia misto realidade.

 

Gosto muito do estilo deste senhor, é excelente leitura light para desanuviar de leituras mais complexas e exigentes. Escreve bem e coisas do género, Quem não sabe para onde vai não chega a parte nenhuma.

 

Amanhã parto à procura de novos livros, e espero ter dedo certeiro, apetece-me continuar a ler coisas que agradem a esta mente em descanso mas não inerte. O que me vier parar às mãos é peixe, vou ao sabor das ondas, sem ideias pré-concebidas. Espero surpreender-me:) (pela positiva).

 

Boa noite, e ainda melhores leituras...

 

O tempo não nos torna mais sábios, apenas mais cobardes.

Carlos Ruiz Zafón in Marina

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Actual numa América: a sangue-frio

por mandarina, em 07.08.12

Desde que os meus olhos depararam com este título de Capote há uns anos atrás que alimentei o desejo de lê-lo. Fi-lo agora e não me arrependo minimamente.

 

A sangue-frio de Capote, que apesar de ser um livro de 1966, é o espelho mais fiel da América actual no que a assassinatos ou, como agora se designa, terrorismo doméstico diz respeito. E cito um excerto do livro que reflecte bem esta realidade passada e presente: Pode haver quem pense que os olhos do país inteiro estão postos em Garden City durante este sensacional julgamento. Mas não é assim. Mesmo a cem milhas a oeste, no Colorado, poucas pessoas se lembram do caso; quando muito recordam-se do assassínio de todos os membros de uma família muito conhecida. Isto constitui um triste comentário ao modo como o crime está vulgarizado nesta nação.Desde que os quatro membros da família Clutter foram mortos no passado Outubro, vários assassínios múltiplos tiveram lugar em diversos pontos do Condado. Precisamente nestes dias que precederam o julgamento, mais três casos de assassínios colectivos foram anunciados nos cabeçalhos dos jornais. Portanto, este crime e este julgamento não são mais do que um entre tantos dos casos que lemos ultimamente e já esquecemos...

 

Este livro não deixa o leitor indiferente, não tanto pela crueza e análise imparcial dos crimes cometidos a sangue-frio, ainda que se debruce sobre as vítimas, assassinadas sem motivo aparente, mas principalmente por fazer uma análise detalhada dos criminosos, da sua natureza, personalidade, analisando o que esteve na origem do crime assente sobretudo numa desconhecida fúria assassina e prazer no acto de matar, massacrar e torturar física e mentalmente as suas vítimas. A parte final do livro debruça-se sobre o julgamento dos assassinos e na sua tentativa incansável de escapar à pena de morte por enforcamento praticado no estado do Kansas em finais dos anos 60.

 

Para acabar, e porque o livro vale mesmo a pena, mais que não seja para que percebamos um pouco da mente de um assassino, de como a pena de morte é vista e sentida por quem está no corredor da morte, e de como a sociedade sempre se dividiu entre a pena capital e a possível clemência destes actos selvagens.

Ficou por ver referido nesta obra de romance não-ficção o tão polémico assunto do porte de armas legal que, a meu ver, é o rastilho desta epidémica onda de assassinatos que atormenta os Estados Unidos há inúmeras décadas e sem fim à vista.

 

p.s.: das poucas ocasiões que tive oportunidade de discutir este assunto com um americano confesso que fiquei espantada por ver que está disseminado e aceite como direito legitimo na cultura americana o porte de armas domésticas, sendo encarado como a sua principal defesa contra ataques à sua integridade física enquanto que as estatísticas provam que todas estas mortes não sucederiam caso o porte de armas domésticas fosse proibido. Triste mas, principalmente, assustador.

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Chanel

por mandarina, em 17.07.12

De volta às leituras, e à biografia de Gabrielle Chanel.

"Eu sou contra a moda que não dura; eu não posso aceitar que se deite roupa ao lixo só porque é Primavera. Eu amo as roupas, porque, tal como os livros, eu posso senti-las, tocar-lhes. As mulheres querem mudar; estão erradas. Eu sou pela felicidade, e a felicidade consiste na não-mudança", Chanel

{tradução minha do original em inglês}

 

 

 

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Little Black Dress

por mandarina, em 13.06.12

Confesso que sou uma inculta relativamente à história do mundo da moda. Tenho, contudo, aprendido bastante às custas da biografia de Coco Chanel que ando tão empolgadamente a ler. A sua vida, a sua personalidade, a sua estória de vida é completamente entusiasmante. Que verdadeiro génio era Chanel e que mulher tão real, igualmente perfeita como imperfeita. Um verdadeiro ícone, não só da moda, mas também como mulher que rasga com preconceitos e rígidos formalismos da sua época. Uma mulher sempre à frente do seu tempo, que teve a capacidade de influenciar, mudar e ditar as regras como primeira criadora de alta costura que pôs meio mundo prostrado a seus pés.

 

Aparte da sua vida como criadora, a sua vida amorosa também não desilude ninguém, mulher de múltiplos casos amorosos vividos e intensos, tendo amado só um homem. Amor esse que conheceu um fim trágico, a morte dele, morte essa que dilacerou profunda e irremediavelmente o seu coração, tendo também influenciado de modo definitivo a sua arte e as suas criações.

 

O little black dress hoje conhecido como um must em qualquer guarda-roupa de qualquer mulher, foi uma criação de Chanel na década de 20, e conta-se que, numa época, em que o preto estava cirscunscrito a ocasiões fúnebres ou viuvez, Chanel tornou-o numa cor popular que as mulheres podiam usar em qualquer altura. A morte de Chapel (único homem que amou) esteve na origem da criação com a mesma a admitir: "Vou pôr o mundo todo de luto por ele" (I'm going to put the whole world in mourning for him).

Quem haveria de imaginar que esta singela mas preciosa criação tivesse uma história de trágico amor por detrás.

 

 

Audrey Hepburn a usar um Little Black Dress @ Anos 20

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Leitura do momento

por mandarina, em 11.06.12

Depois de ver o filme ao acaso calhou vir-me parar às mãos o livro "Coco Chanel - A Biography" e para quem nunca antes leu uma biografia confesso que estou a achar bem interessante. Coco Chanel foi, sem sombra de dúvida, uma mulher fascinante, uma excêntrica rebelde.

 

Ressalto alguns excertos que caracterizam bem a personalidade rebelde de Chanel:

 

Disse para comigo que os mortos não estão verdadeiramente mortos enquanto as pessoas continuarem a pensar neles.

 

Quando a morte de alguém a incomodava, uma amiga recorda o que ela dizia então: "Não me digam o que estou a sentir. Desde a minha mais tenra infância tive a certeza que eles tiraram tudo de mim, que estou morta. Soube disso quando tinha doze. Tu podes morrer mais do que uma vez na vida.

 

Relativamente à sua permanência num orfanato francês e às freiras do orfanato, Chanel refere-se assim: eu fui ingrata para com as odiosas tias*. Eu devo-lhes tudo. Uma criança em revolta torna-se numa pessoa com armadura e força. São os beijos, carinhos, professores e vitaminas que matam as crianças e tornam-nas em adultos infelizes ou doentes. São as tias más e hediondas que criam vencedores, e conferem-lhes complexos de inferioridade, ainda que no meu caso o resultado foi um complexo de superioridade. Sobre a maldade assoma-se força, sobre o orgulho um desejo por sucesso e uma paixão por grandeza.

 

nota: traduções minhas do original em inglês.

 

*Chanel referia-se às freiras como tias.

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meio de escape

por mandarina, em 30.05.12

O meu tem sido a leitura, que ando maluca com estas aulas que nunca mais acabam já lá vão 4 meses consecutivos, e por completar. Agarrei-me à leitura como uma tábua de salvação. Li primeiro Milan Kundera, Jorge Amado, seguido de Mario Vargas Llosa, e, por último, Haruki Murakami.

Agora passei a A Heartbreaking work of Staggering Genius, de um americano finalista do prémio Pullitzer (ano 2000), de nome Dave Eggers (?). Logo à partida, não fui com o título, títulos longos de livros não são apelativos. Mas bom pensei, à falta de melhor, why not. E ontem eram 9h30 e estava com tanto sono, estava a ler, e tive de me ir deitar passado 10 minutos. Não que o livro ou a escrita seja enfadonha, que não é, é um pouco estranha, não ser sequer classificar melhor, mas o pior é que o livro me provoca náuseas e desconforto. Supostamente isto até seria bom, um livro com um poder tão grande que provoque no leitor emoções é um livro com valor, não é isso que também dizem de arte, quadros, esculturas, cinema etc que se te transtornarem é porque é são verdadeiramente bons. Eu concordo com esta teoria.

Mas a verdade é que ao ler este livro fico mesmo enojada e incomodada de uma maneira pouco agradável. O livro debruça-se sobre uma mãe com cancro e o sofrimento e transtorno que isso provoca na vida dos seus filhos que se vêem a mãos com todas as consequências físicas que o cancro inflige à pobre criatura. As discrições são tão minuciosas que o leitor consegue transpor-se para a cena descrita e viver aquilo tudo como se fosse real. E believe me, não é agradável, é assustador, é como ter a morte todos os dias a rondar, tipo sarna que se pega ao corpo e não desgruda. E eu até acho que o livro está muito bem conseguido, mas eu não tenho estômago. É não só deprimente, e arrepiante e humanamente cruel. Quase doentio. Nem sei.

 

Dou por mim a suspirar de saudades pelo norwegian wood de Murakami. Já não lia nada tão bom há muito, talvez por me identificar imenso com o personagem principal, com as miúdas do livro não. Mas com o rapaz é uma identificação quase por completo.

Volta Toru e fica a contar-me da tua vida eternamente.

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