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Relações humanas

por mandarina, em 25.11.11

Relações humanas...neste campo há muito pouco espaço para generalizações, o que é bom para mim não o será para ti, cada qual tem a sua maneira de ver as coisas, de as sentir, de reagir a elas. Uns tem a cabeça bem esclarecida neste ponto, outros nem tanto. Uns serão contra relacionamentos duvidosos, porque nunca se viram neles, nem se imaginam num relacionamento para eles mal definido. Pelo que tenho constatado, as pessoas que assumem esta posição de segurança são as que mais duvidam dos relacionamentos sérios em que se vêm metidas, talvez por isso, são tão bem definidos que perdem a piada acabando por ir procurá-la noutro lugar.

 

Eu não sirvo de exemplo a ninguém, e sem querer entrar em detalhes sobre a minha vida pessoal, confesso que também um dia me vi neste grupo dos seguríssimos e assumia uma posição segura acerca de relacionamentos. Jurava que a maneira natural das coisas era assumir as coisas com seriedade. Não considero que tenha mudado de ponto de vista, continuo a achar que o curso normal das coisas é esse.

Para ser sincera, prefiro jogar com as cartas todas na mesa, e que se for para perder que se perca em alta. Isso de dar pela metade parece-me sempre uma bela desculpa para no fundo justicar que não se vai dar é (quase) nada, mas, como em muita coisa na vida, tudo depende do momento e das circunstâncias, também neste caso se deve ter em conta esses vectores. Verdade que prefiro jogar com as cartas todas, o que não quer dizer que não saiba fazer de outro modo. Que sei. Aprende-se, a vida ensina-nos, as circunstâncias levam-nos a isso.

 

E lá está, é um jogo, é necessário saber as regras do jogo, estar bem esclarecida, e alerta para não as transgredir, e quando esse momento chegar então aceitar que nem sempre se pode ganhar e que a renúncia é a opção mais viável, porque às vezes há quedas das quais é dificil recuperar.

Mas considerando que se aceitam as regras do jogo e que se decide continuar a jogar, há que ter em conta sempre dois finais possíveis, um mais do que o outro: este "jogo" nunca vai passar disso mesmo, no inicio como no fim continuará a ser um jogo; poderá, no entanto, evoluir e tornar-se um jogo mais sério com regras mais complexas. Em rarissimos casos deixará de ser um jogo para passar a ser uma relação, no verdadeiro sentido da palavra.

 

E considerando que a hipótese n.º1 é a mais provável, diria em 95% dos casos, então aí é ter em conta, afim de evitar quedas desastrosas e corações partidos, que, nesta equação, deve-se deixar de lado expectativas, exigências, recriminações, fantasias e mais que tal. Que isto é um jogo, não uma relação. Deve pesar-se, por isso, os prós e os contras, e se os contras pesarem mais que os prós então não vale a pena insistir: meio caminho andado para o desastre, e ele é, neste ponto, quase sempre iminente. Do que se tira do jogo, muita coisa, às vezes muito mais do que em muitas relações que praí "abundam".

 

Ainda assim, ter em conta que o que para ti pode ser a coisa mais disparatada do mundo, para outros é a coisa mais natural do mundo. Resta questionar-se, estarei eu à altura do desafio ou a fasquia é demasiado alta para mim?

E a resposta não surgirá de imediato, não antes da resolução de todos os quebra-cabeças. Uma vez resolvidos, ela virá a ti naturalmente porque lá está a vida é constante aprendizagem, principalmente sobre ti, sobre os outros, e sobre ti com os outros.

 

Se vais com a ideia: "há isto vai mudar, é uma situação passageira e que mais dia menos dia passa a sério", então neste caso, o meu conselho é: "não vás...mais vale nem ires". Aceita que o outro não mudará porque queres que ele mude, aprende que ele só mudará se sentir que o deve fazer. A força da mente é grande, mas nunca o suficiente para mudares quem tem as ideias claras e seguras. Aliás, aí está porque a maioria das relações (as verdadeiras) acabam, porque há sempre um que quer mudar o outro e não aceita que a mudança tem de ser algo espontâneo e não algo imposto. Aliás mais do que querer que o outro mude, é a capacidade de o aceitar como ele é que te faz estar à altura do desafio sem medos e inseguranças.

 

Não deixa de ser uma lição de vida, aprende-se mais quando se joga do que quando se fica no banco de suplentes. Isto quando se joga limpo, claro! Aguça-se a inteligência emocional. Melhora-se a capacidade de defesa e torna-nos mais resilientes a (mais que prováveis) futuros desastres emocionais.

 

Life can only be understood backwards; but it must be lived forwards.

Soren Kierkegaard

 

 

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1 comentário

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Rita a 25.11.2011

Pois... É o que me ocorre neste momento...

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