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Atalho

por mandarina, em 23.02.12

Hoje, feita chica-esperta, não tivesse eu também sangue tuga, a caminho do hospital para ir buscar o atestado de não, não tenho SIDA nem outras doenças contagiosas*, ai desculpem, o atestado médico, pensei cá para os meus botões "vou atalhar, vou por aqui e chego lá em metade do tempo, tá de chuva e tá, bora lá". Isto para o mais comum dos mortais é um pensamento do mais curriqueiro que existe, mas para mim, que sou só das pessoas mais desorientadas que conheço, é tipo o fim do mundo. Inventei e pois tá claro, perdi-me.

 

Mas como eu, faz parte da mudança que empreendi, me deixei de medos, receios, temores e pânicos quando me perco, pensei cá para mim "não vou voltar atrás, perdi-me agora hei-de dar com a (maldita) saída", ao invés de ter pensado "e pedir ajuda, não?". Também tenho disto, sei que estou errada e na merda mas não peço ajuda logo à primeira. Então convicta de que ia encontrar rápido a saída, lá continuei a andar por mais X tempo e nada, cada vez me via mais perdida, ainda ponderei ir de táxi, mas desisti da ideia porque não sabia como se chamava o hospital e hospitais é o que mais há nesta santa terrinha. E não, também não tinha comigo nem morada nem nome da rua do hospital nem pontos de referência. Mas adiante, acabei por perguntar a uma tipa (africana) que inglês não era com ela, chinês também não, esqueci-me de tentar português, nem me ocorreu. Coitada, ainda sabia menos que eu, se eu lhe tivesse perguntado em que universidade estava tenho cá pra mim que nem me saberia responder. E eu ainda sabia que estava a passear na Universidade aqui ao lado, perdida lá pelo campus. Happy ending: lá encontrei a rua principal e cheguei ao hospital.

 

Perdi-me mas daqui tiro uma lição de vida. Uma boa lição de vida. Muitas vezes temos muita vontade de atalhar, seguir o caminho mais fácil, mais aliciante e mais rápido. Falo na vida, das escolhas que fazemos na vida. Conheço alguém, que respeito muito, que tinha trabalho há alguns anos, que tinha namorado há outros tantos, que tinha o conforto da família, e que tinha o conforto do ambiente em que vivia e que decidiu ousar, largar tudo, e vir para a China estudar. E não, claramente não falo de mim, eu não tinha nada disto quando vim, porque aí não sei se teria eu tido coragem igual.

 

Mas bem, dizia eu, este atalho frustrado serviu-me de inspiração para analisar a minha vida e as minhas decisões do momento. Até há alguns dias atrás ponderei atalhar, lançar-me por aí, mundo fora, sair até da China, e ir para qualquer outro lugar onde fosse ser mais feliz que aqui (ou onde julgava poder ser mais feliz, que isso ninguém me garantia), ponderei isso mas logo vi que não. Não está na hora de seguir atalhos, está na hora de ser responsável e de começar o que aqui vim fazer: estudar mandarim para um dia ser fluente nesta língua. Não quero seguir mais atalhos, mesmo que eles sejam uma espécie de Ovo Kinder com uma surpresa agradável ou nem tanto, quero antes perfilhar um caminho com início, meio e fim para um dia seguir o caminho certo, sabendo que este percurso, sem atalhos, ainda que mais doloroso, menos feliz e mais demorado, no final de contas, a bom porto me levará (tenho muita esperança que assim seja).

 

Agora aos tpcs sem atalhos, e com muito sono e molenguice...avante camarada (a propósito do último livro que li de Jorge Amado "Capitães da Areia" e não como palavra de ordem comunista)

 

*é a única coisinha a que os chineses olham.

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4 comentários

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De Rita a 23.02.2012 às 16:09

Lol... Vês?? Às vezes gostamos de "mudar" e depois... Corre mal! :P Mas assim ficaste a conhecer o campus da Ligong, ih ih! Com chuva e tudo! :P

Gosto da tua determinação, sabes o que queres. Agora... Há que respirar fundo, procurar ser optimista e encontrar ânimo para fazer as coisas. Força! :) (E nada de atalhos, é sempre em frente!)

PS - No ano passado quando fui buscar os exames perguntei se estava tudo bem, meio atrapalhada. A rapariga que entregou os resultados só apontou para a parte relativa ao VIH e disse, "Não tem problema!" Ai..........
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De Silvia a 23.02.2012 às 19:23

Heheheh tá boa, mas estou farta de te dizer que com a prática vais lá nada de desistir;) Boa analogia com a vida;) Na vida realmente concordo, mas no dia-a-dia os atalhos dão tanto jeito :D Lá nisso tens de te aventurar mais e pensa, essa orientação já esteve bem mais enferrujada ;) beijos**
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De mandarina a 24.02.2012 às 08:46

Dão jeito, quando és minimamente orientada, not me! Sabes, continuo igual, perdi foi o medo, ahaha
uma viagem n verão vai-te provar isso :P
bj amorzão
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De Silvia a 24.02.2012 às 14:14

Hum não concordo!Acho que o teu sentido de orientação já melhorou muito;) Mas venha lá a viagem :D

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