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Pela metade

por mandarina, em 21.02.12

Tudo pela metade, relações pela metade, compromissos pela metade, palavras pela metade, sentimentos pela metade. Chatices em dose XXL para os implicados.

Relacionamentos aparentemente muito mais saudáveis, segundo a nova moda de relacionamentos à século XXI, que, a meu ver, são relacionamentos pela metade, "estou contigo mas não estou a sério, vou estando enquanto der, enquanto quiser, enquanto me apetecer". É só na minha cabecinha ou que raio de relacionamentos são estes!? Digo-vos eu, não são. São a maior palhaçada pegada que por aí existe.

 

Sofre-se menos que naqueles em que as pessoas se deixam consumir por paixões desenfreadas!? Ah espera, não é isso que conta aqui, a questão é, eles não têm capacidade de se apaixonar, por isso, tentam facilitar-se a vida e pensar que facilitam a delas deixando bem claro que o que têm é uma relação temporária, por isso, aguenta aí os cavalinhos e nada de te envolveres demasiado. Tudo preto no branco, se elas querem alinham senão mais vale saltarem logo fora! Ora, como muitas mulheres têm espírito masoquista e caem sempre por pessoas emocionalmente egoístas e desiquilibradas acabam por ceder de bom grado às regras do jogo, e pensam que, no entretanto, eles mudarão, elas, tal e qual super-heroínas, julgam-se capazes de driblar a sua teimosia e conquistá-los para toda a vida.

Desenganem-se, eles não mudam, quer dizer, ocasionalmente mudam, mudam de namorada, de chatice, de telefone, de morada, mas o essencial continua lá - seres ausentes emocionalmente.

 

De quem tenho mais pena? Delas que sofrem horrores mas que foram avisadas à partida e sabiam ao que iam ou deles que as avisaram e estão conscientes de que estão perdidos para esse sentimento e que, quanto a isso, podem nunca mais vir a sofrer por amor mas também nunca virão a saber o que é ser verdadeiramente feliz às custas dele.

 

Eu descobri a tempo que tenho o coração no sítio certo, e que há balizas impenetráveis e só é estúpido quem insiste em fintas sucessivas e infrutíferas para a vida. Essas são as que, gente com o coração saudável, deve, a qualquer custo, evitar.

 

Camões é que sabia, ou fazia que sabia, o que era:

Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se e contente;
É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos

 

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