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Ser português

por mandarina, em 27.01.12

Sei ser-me portuguesa, e dou graças aos meus pais, ambos portugueses de gema, nunca me terem confundido a identidade, porque até posso ter um nome francês e ter nascido num país que não o meu, e até posso estar um ano, dois, três sem pôr os pés no meu país mas sei-me ser portuguesa da cabeça aos pés, até ao mais infimo fio de cabelo, e tenho orgulho em ser 100% portuguesa.

 

Acho que só agora sei e sinto o que isso é, e o porquê deste post, especialmente porque foi na China que descobri a minha identidade, não me sabia tão portuguesa como hoje sei que sou. Hoje ao ouvir o programa da manhã da Rádio Comercial, pronto vai parecer um pouco ridiculo, mas emocionei-me por ouvir pequenas piadas em português e por sentir que aquela não é só a minha língua, a língua mais linda do mundo, aquela é também parte da identidade de quem sou. Nunca vou ser outra a não ser portuguesa.

 

No outro dia, ainda em Shanghai, conheci uma rapariga brasileira, ela não sabia de onde eu era, não nos conhecíamos, claro, mas depois de saber que eu era de Portugal, disse-me em português do Brasil "ah então você sabe falar português" e, ainda, disse "que bom estar a falar em português" que ao que parece a moça já não falava português cara-a-cara há dois meses com ninguém.  É mesmo uma sensação indescritível e eu tenho a sorte por ter a R. à mão e por não saber o que é estar sem falar português diariamente e directamente.

 

Tenho a sensação que passo sem muita coisa, até sem coisas que outras pessoas não passariam, mas sinto que não aguentaria estar sem alguém por perto com quem pudesse falar a minha língua, aquela em que nos sentimos confortáveis, em que nos podemos soltar e ser nós, deixar correr o pensamento, dar à língua, e dizer coisas que só fazem sentido na nossa língua.

 

Tenho pena de não ser fluente numa segunda língua, poderia ter sido, mas quiça tenha sido pelo melhor não ser, que, assim, não me sinto dividida, e sinto que a língua materna é determinante no nosso desenvolvimento enquanto pessoas, e é ela que, até certo ponto, nos confere identidade. Uma coisa que nunca poderia aceitar seria que, enquanto portuguesa, na minha casa se fale outra língua que não o português, aparte da língua do país em que se vive, há antes disso, a nossa língua, a língua dos nossos pais, dos nossos avós, dos nossos bisavós, a nossa herança, e a nossa língua é o nosso património intangível mais valioso.

 

Infelizmente, e com muito desagrado meu, vejo que na minha família, por ser uma família de emigrantes, se tenha perdido o entusiasmo pela língua portuguesa, mas comigo nunca haverá espaço para ser assim, nem que o meu respectivo fosse chinês, os meus rebentos haveriam sempre de saber desde o primeiro momento que podessem falar, a língua mais bonita do mundo: a nossa, a língua de Camões.

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