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Dois lados

por mandarina, em 12.12.12

Todo o emprego tem um lado bom e um mau.

O lado bom de ser professora é ter todo o tempo de antena do mundo. Às vezes dou comigo a falar quase 90 minutos seguidos sem parar. E isto para quem tem, por vezes, 6 horas de aulas por dia é só como quem diz fartar-me de gastar latim, e, às vezes, dá a sensação que é mesmo em vão.

O lado mau é que naqueles dias que não te apetece sequer abrir a boca, não socializar, não ver ninguém e desejar passar despercebido por tudo e por todos não podes fazer nada disso e tens de fazer das tripas coração para ter de falar as tais 6 horas sem que se deixe notar que nesse dia estás tudo menos virada para a comunicação.

Mas hoje começa o countdown para ir para casa, daqui por um mês estarei a regressar a Portugal :)

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Sorte grande

por mandarina, em 11.12.12

É música, é boa e em português.

Muito romântica e lamechas, sim também, mas de vez em quando é necessário um pouco de lamechice, que nos faça esquecer o quão cinzenta pode ser a vida. E sonhar nunca fez mal a ninguém, é que essa capacidade ninguém ma rouba, que sonhar pode até ser pateta mas nunca em vão.

 

Que bela dupla, ele tem uma voz linda, ela uma forma de estar magnífica e cativante. É um belo duelo, enfim uma bela música.

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Qual é o caminho?

por mandarina, em 10.12.12

De um dia para o outro passei de estudante a professora, e, às vezes, acho que ainda não encaixei bem esta mudança repentina. Ontem via-me a criticar os meus professores, hoje vejo-me a tentar não imitá-los, não lhes seguir os maus exemplos, a tentar dar o meu melhor ainda que isso exija mais de mim do que seria suposto ou normal, isto porque sou-vos sincera tenho tido de assumir uma postura de durona nas aulas e não sei até que ponto quero ser uma professora que massacra os alunos.

 

Massacrar no bom sentido, no sentido de os obrigar a esforçarem-se mais, de os obrigar a estudar, a estarem atentos, a respeitarem-me acima de tudo e até agora não tenho tido problemas, mas nem sempre é possível com quase 200 alunos mantê-los a todos no caminho certo. O rebanho é grande demais para conseguir salvar todos os carneirinhos.

 

Tenho adorado ensinar, sinto um grande orgulho nisso, verdadeiramente, não sei até que ponto fui feita para esta tarefa que é uma das mais louváveis do mundo, ensinar é quase como uma missão, é preciso uma grande entrega, e eu tenho tentado ser uma professora paciente, atenta, presente e amiga, compreensiva também, mas não compactuo com a preguiça, aquela de que também eu sofro, continuo a ser estudante de chinês e sei o quanto custa estudar uma língua totalmente diferente da nossa, mas é aí também que está o encanto, é na dificuldade que nos sentimos a cruzar ali o Cabo das Tormentas, e eu e eles, os meus alunos, continuaremos a remar para chegar a bom porto.

 

Também porque sei o quão difícil é, também lhes tento fazer ver que uma língua nova é como um tesouro, que temos de ir descobrindo pouco a pouco, desfrutando, e não ficando chateados porque é difícil, porque pensar numa outra língua é uma tarefa hercúlea, mas é possível, e quando chegamos ao outro lado, quando já compreendemos, quando já comunicamos, quando já a domámos sentimo-nos reis.

Com este meu trabalho descobri que há muita coisa a aprender para se poder ensinar eficazmente, que não basta sermos nativos numa língua para a ensinarmos e descobri também que a nossa própria língua é, por vezes, uma incógnita, na medida que transmiti-la é mais desafiante que dominá-la.

 

E agora em resposta a uma leitora e comentadora, a quem agradeço desde já os seus comentários curiosos e sempre perspicazes, digo-lhe que o ensino chinês pode ser verdadeiramente muito eficaz, porque os bons, os verdadeiramente bons alunos deste gigantesco país são como máquinas, conseguem num tempo record encaixar uma nova língua, mas desengane-se se pensa que é um processo natural. Não tendo conhecimento das realidades de Shanghai e Pequim garanto-lhe que os alunos são, sem dúvida, muito bons e muito trabalhadores, mas é à custa de sacrificar tudo o resto, é à custa de muito decorar, de muito "marrar", de, como verdadeiras máquinas, engolirem e assimilarem um dicionário tipo enciclopédia. E o fruto disso é essa posição mas deve-se, a meu ver, mais a sacríficio que a inteligência. Mas bom, se lhes valeu uma boa posição no ranking mundial da educação então todo o sacríficio terá valido a pena.

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Por amor

por mandarina, em 09.12.12

Ontem vi um filme, porra também ando a acertar mesmo em cheio em filmes deprimentes, e demasiado melodramáticos, então no filme de ontem, a gaja, a super sensível, genuína, altruísta, numa palavra, a verdadeira, apaixona-se pela eternidade, e até que é correspondida, até ao momento que chega outra, mais esperta, mais decidida e determinada, cabra sem coração, invejosa e desesperada que põe logo fim ao namoro platónico dos dois.

Depois é vê-la a guardar aquilo que sente só para si, aguentar ver e ouvir os outros dois a fornicarem, e a aceitar calada e quietinha no seu canto, é claro que passados muitos anos a coisa dá para o torto e o casalinho separa-se que lá está quando não há amor não há milagres, e ainda assim, a tonta afasta-se e deixa passar a oportunidade à espero que o destino o traga de volta, que acaba por trazer, lá vivem o seu amor enquanto o diabo esfrega um olho, e o filme acaba com ele a morrer e com ela a agradecer por ainda ter tido algum tempo com ele. E eu fiquei a pensar, será que é ela que se contenta com pouco ou será que são as minhas expectativas que são grandes demais?

Será que o amor não tem mesmo limites?

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Passados dos cornos

por mandarina, em 09.12.12

Quem? Os chineses, pelo menos estes seguranças daqui, que em vez de protegerem as pessoas que aqui vivem fazem o contrário, ameaçam-nas.

O caso não foi de todo comigo, nem sequer tive o desprazer de o presenciar mas a colega chinesa que ensina português, que foi atacada "verbalmente" e quase fisicamente, contou-me que um dos seguranças ao vê-la entrar no seu prédio com os seus alunos de português que costumam ser "habitués" em casa dela e do marido, quis impedi-los de entrar. Disse-lhe que ela não podia entrar com pessoas naquele prédio, sendo que ela vive lá e a meu ver somos todos livres de trazer para casa quem bem quisermos, logo ela, que pensa o mesmo, discordou e disse ao segurança que vivia ali, ele, o parvalhão, disse que não a conhecia, que nunca a tinha visto, e que ela estava a mentir.

Imagino que ela não deva ter gostado muito de ter sido chamada mentirosa e os ânimos exaltaram-se, entretanto os alunos disseram que ela era professora, mas o segurança disse que eles não podiam estar ali, imaginem, os estudantes não podem estar perto das residências universitárias, patético. A conversa já devia tar bem quentinha quando para o culminar da situação já de si vergonhosa, o segurança dirigi-se à colega com o pulso erguido fazendo com a mão um sinal de arma e dizendo-lhe ao mesmo tempo que a matava.

 

Este incidente ainda deu mais que falar quando a colega se dirige ao responsável para fazer queixa, e eles além de não acreditarem nela, mesmo tendo visto a gravação das câmaras de segurança, ainda lhe disseram que relevasse a situação porque o segurança é mais velho (e senil só pode) e que todos os seguranças deste sítio são muito bons e que jamais poriam em risco a segurança de alguém. Ela ficou, coitada, além de assustada, indignada e a sentir-se injustiçada, que no meio desta história toda, aos olhos deles ela é que estava a mentir e a exagerar o acontecido e que devia aceitar um pedido de desculpas e assunto encerrado.

 

A colega disse-me que não queria sequer ver o tipo, e disse ainda que não consegue viver descansada num sitio onde um dos seguranças a ameaça de morte, tendo mesmo dito que nunca na vida dela alguém a tinha ameaçado de morte (pois não é para menos, a menos que sejamos doidos não andamos praí a ameaçar pessoas de morte). Ela disse que se não resolver isto, e a meu ver seria o despedimento deste segurança, pondera ir embora daqui e desistir de ensinar na escola.

 

Agora eu já sabia que os chineses não são tão calmos como aparentam, mais uma ideia pré-concebida errada, mas imagino-me no lugar dela, e talvez até fiquem chocados com o que vou dizer, mas não sendo eu uma pessoa violenta, alguém que me levantasse a mão e me dissesse que me ia matar, levava bem o troco, e era naquele focinho. Não se deve bater em pessoas mais velhas, pois não, aliás não se deve bater em ninguém, mas quando é a tua segurança que está em risco, oh meus amigos, este sangue também ferve e, às vezes, uma pessoa tem de se controlar para não ir às trombas de muito chinês sem um pingo de educação, respeito e bons modos.

E sim eu sei, violência não resolve nada, mas deixarmo-nos pisar e ofender muito menos, viu-se pelo estado de nervos da colega, ofendida duas vezes por estes bandalhos de merda.

 

E agora, vou ali aprender Kung Fu para quando precisar de dar uns açoites nesta corja.

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Se é

por mandarina, em 09.12.12

 

 

E eu que não tenho feito outra coisa...

"roubado" daqui

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Tempo perdido

por mandarina, em 08.12.12

O futuro está ... no segredo dos Deuses. E apesar de ter uma genuína curiosidade por saber o que ele me reserva, acho que a magia é essa, não termos acesso a essa informação. É claro que se soubéssemos o que o futuro nos reserva seria mais fácil mas também mais desinteressante.

Assim vivemos, a vida como uma caixinha de surpresas, nem todas boas, mas certamente nem todas más.

E ainda que fosse mais fácil se hoje soubesse que lá na frente a minha vida deu certo, que encontrei o meu lugar no mundo, que encontrei as minhas pessoas, que fui feliz enquanto vivi, que aproveitei a vida o melhor que pude, viver não teria a mesma graça quando tudo o que nós temos é o desafio diário de viver cada dia como se fosse o último.

 

Disse um génio da arquitetura do século XX que recentemente deixou este mundo, "A vida é um sopro", Oscar Niemeyer

 

Banda sonora do filme "Homem do futuro"
 
Tema original Legião Urbana
"Somos tão jovens, tão jovens"

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Portugueses pelo mundo

por mandarina, em 08.12.12

Deixo-vos aqui um relato de um amigo português que tem a sorte (e mérito, claro) de viver em Hong Kong. Quase na íntegra faço minhas as suas palavras, partilhamos, enquanto portugueses expatriados, o mesmo desejo de viver num sítio que nos ofereça uma vida melhor, de descobrir novas culturas, de aproveitar as oportunidades profissionais que surgem fora do país, ainda que o pensamento, esse, continue com Portugal, no desejo de um dia mais tarde ter oportunidade de voltar para perto dos nossos amigos e familiares, e eu acrescentaria, para bem perto das nossas raízes.

 

A ouvir aqui.

 

E o engrançado é que tínhamos falado disto, dum potencial relato para este programa, aquando da minha estadia em Hong Kong. Tem piada.

 

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Blog absent

por mandarina, em 07.12.12

Tenho pena de andar a deixar este blog mais desinteressante, mais despido, mais vazio do que já antes era, mas a verdade é que o tempo que tenho não dá para tudo, e, às vezes, tenho tempo mas não energia, e às vezes tenho ambas mas não tenho ideias, não tenho histórias, a não ser as do quotidiano que giram sempre à volta do mesmo, dos chineses, do atraso de vida que ainda é este país, pelo menos na província, das chatices diárias, dos alunos, e pouco mais.

 

Perdi tempo de escrita, ganhei noutras coisas, mas sinto que estou a perder capacidades para escrever aqui, nem sequer tenho tempo, vontade e criatividade para escrever algo de interessante. Não é fácil escrever sem tempo, escrever exige tempo, exige serenidade, exige conversar intimamente connosco próprio, e além de tudo exige que tenhamos tempo para parar, pensar e reflectir sobre tudo o que nos rodeia e sobre como vamos comunicar essas ideias. E outra coisa muito importante, requer que tenhamos tempo para ler os outros, para ler muito, para ler livros, coisa que eu deixei quase totalmente de fazer, à excepção deste habitual cantinho de estimação.

 

Escrever é e sempre será um prazer, por isso, jamais me consideraria obrigar a escrever porque a partir do momento que escrever for uma obrigação então considerem este blog morto. Escrever é e sempre será uma evasão, um mundo só meu, uma espécie de ritual que me deixa completa, leve e realizada. Escrever será um prazer sempre até ao momento que eu não encare a escrita como um fardo, por isso, considerem as minhas ausências bloguistas como um bom sinal, porque, no dia que me obrigar a escrever só para encher dias e páginas então será o princípio do fim deste blog.

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北京 em fotos

por mandarina, em 05.12.12

Sou-vos sincera com as temperaturas que estavam tirar fotos era penoso além de que o céu cinzento e a pouca luz deixava qualquer cenário feio, deixo-vos estas pouquinhas fotos para terem uma ideia da capital no Inverno.

 

 

 

 

 

 

 

Não são lá grandes fotos, mas como vocês vêem o tempo não ajudou a grandes sessões fotográficas. Fica, no entanto, um parque gelado, Ritan parque, e um exemplo da arquitectura moderna com este edifício do canal televisivo CCTV que dizem que desafia a gravidade. Ao vivo é mesmo impressionante.

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