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Desconectados

por mandarina, em 17.11.12

Esta semana bloquearam o google, que esteve a falhar toda a semana num abre e não abre de meter raiva, depois o gmail, bloqueado durante vários dias, e agora lá voltou mas com falhas e tal, já para não falar de inúmeros sites de notícias que não abrem nem por nada, e dos já super bloqueadíssimos pela eternidade facebook, blogspot, wordpress e youtube, agora nem com vpn´s lá vai. O firewall do partido comunista está ao rubro e tenho cá para mim que durante esta semana do 18º congresso do partido e do maior acontecimento político, ou a maior fantochada como muitos lhe chamam, ou seja, a passagem do poder para mãos do camarada comunista Xi Jinping deve-se ter ponderado exterminar de vez com a net ou com o acesso a tudo o que não incluir caracteres e for do consentimento do escrutínio chinês. É que nem o google maps passou na apertado cerco da censura. Medo...

 

Bem-vindos à era passada da desconexão internauta

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Assassínio do português

por mandarina, em 16.11.12

Devia ser o que os meus professores de chinês pensavam sempre que eu e os meus colegas falávamos chinês nas aulas, especialmente com os tons que nunca conseguíamos acertar. Neste caso assassínio do chinês.

 

Agora sou eu que tenho de levar com um verdadeiro assassínio do português, desejar não ter que ouvir tanta coisa sem sentido, e aguentar-me à bronca para aguentar tanta matança do português com o atropelo exagerado das palavras, géneros, conjugações, estruturas frásicas, semântica, pronunciação, etc... tudo o que podem assassinar na língua, eles assassinam.

 

Só alguns exemplos,

 

"a casal foram de féria na ilha fazer 7 anos de casamento"---> querendo dizer "o casal foi de férias a uma ilha festejar 7 anos de casamento"

"ela é a precinsa da neve branca e ele é o precinpe" ----> "ela é a princesa da branca de neve e ele é o príncipe"

"eles são medo" ---- "eles têm medo", "ela está de triste" ----> "ela está triste"

(...)

 

Eu bem que os corrijo mas os erros batem sempre nas mesmas teclas, porque pensar, isso, custa muito. Coisa para lhes provocar dor de cabeça.

É claro que tenho a noção que todos erramos quando falamos uma língua que não a nossa, mas a questão é que eu tenho a sensação que eles usam as palavras à toa, porque, na maioria das vezes, não se entende nada do que dizem, é pior que descodificar código morse.

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Publicitá

por mandarina, em 12.11.12

Ando aqui a preparar as aulas da semana e como vou falar de publicidade com os alunos do 2.º ano dei por acaso com esta curiosidade, a Oreo (nham nham) que comemora este ano 100 anos e, como toda a gente conhece a bolacha que antes de ser comida tem de ser partida ao meio, lambida e molhada no leite, esteve recentemente envolvida numa polémica devido a esta publicidade com um bebé sul-coreano a ser amamentado e a espreitar esfomeado a bolachita Oreo, isto porque a marca usa-se deste slogan "Oreo, a bolacha preferida do leite". Ao que parece esta campanha não viu a luz do dia porque gerou controvérsia no que toca ao tema amamentação em público.

Se por um lado uns vêem a amamentação em público como um acto de coragem pelas mães que o fazem em público vinculando-o como um acto do quotidiano, já outros vêem-na como um atentado ao pudor porque segundo defendem ela assume um conteúdo sexual explícito.

 

Ler notícia na íntegra aqui:

 

 

fonte: get_images

 

 

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Dramático

por mandarina, em 12.11.12

Emigrar é para muitos a única solução quando o país em que crescemos, em que nos educámos, onde temos as nossas raízes está simplesmente a mãos com uma crise sem fim à vista.

Dramático não é ter de sair, é antes saber que muito dificilmente se poderá voltar um dia mais tarde!

Mais aqui:

 

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Apanhada de surpresa

por mandarina, em 11.11.12

Mas desta vez pela positiva, com um simpatiquíssimo convite dos alunos finalistas do 3.º ano que fizeram um almoço de despedida tendo convidado as professoras de português e eu, que não tendo sido professora deles estranhei o convite mas aceitei com muita satisfação. Conhecia alguns deles.

Para eles começa agora, nesta recta final do curso, um grande desafio, encontrar trabalho onde possam usar português para verem o investimento dos quase 3 anos de curso finalmente a dar frutos. Alguns partem na próxima semana para Angola, onde já arranjaram trabalho, os outros vão ficar à espera de oportunidade, normalmente encontrarão algo por Angola, parece ser o país que mais precisa de chineses que falem português, o Brasil também seria uma boa aposta mas é mais díficil estabelecer contactos profissionais.

 

Fizemos muitos brindes, ganbei inclusive (ganbei quer dizer beber tudo até ao fim), esperemos que seja o início de uma boa vida para eles, certamente espera-lhes muito trabalho pela frente e (chatices também), e principalmente muito amadurecimento pessoal, vão de lá sair homens e mulheres feitas. Assim como a China fez comigo desde o tempo de tropa que já levo, vai fazer dois anos em Janeiro.

 

Outra boa surpresa do fim-de-semana

Ter a minha boss a telefonar-me para me pedir conselhos, primeiro sobre uma possível nova estratégia para o jardim-escola, diz que como já trabalhei noutro jardim-escola consigo dar-lhe boas orientações para este. I guess so... Gostei de ter a boss à espera que eu lhe indicasse o caminho do sucesso. Isto ontem.

Hoje telefona-me outra vez, e eu a pensar "que raio quererá perguntar agora?", outra vez algo que me surpreendeu, se recomendava o trabalho da nova assistente, se achava que ela tinha experiência a ensinar e com as crianças, se gostava de trabalhar com ela e se era competente. Fui o mais sincera possível e disse só muito bem da moça, tudo verdade, que além de ser genuinamente simpática comigo, nada graxista ou chata, é amorosa com as crianças e ajuda-me imenso a estimulá-las e a prender-lhes a atenção. Disse estar bastante satisfeita com ela. Fossem todas assim -.-

Bem giro ter a boss a confiar em mim para recomendar novas estratégias e assistentes para o kindergarten. Sempre me encheu um pouco (ainda que modestamente) o ego profissional.

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A princesa e o sapo

por mandarina, em 09.11.12

Foi assim que acabei as aulas esta semana, a ver este filme de animação da Disney, e só porque era sexta-feira das 16h às 18h e porque o áudio do filme era em português e aquelas manhosas do 2.º ano me convenceram a não dar aula e vermos este filme. Diga-se de passagem que me soube mesmo bem, ainda porque o filme estava brilhantemente interpretado para português com pormenores linguísticos muito bons que tenho a certeza que eles não perceberam, mas eu adorei os trocadilhos, e as piadas que só quem é português consegue perceber.

 

Além disso, de vez em quando temos de deixar cair a capa de professora séria e profissional e juntarmo-nos aos alunos e desfrutar de umas boas duas horas de filme, em português claro, de outro modo nem pensar nisso.

 

Dia comprido, semana mais comprida ainda, com frio e muita chuva, não dá apetite nenhum de ir para a escola e aquelas salas frias, vai valendo que eu ando sempre de um lado para o outro e falar, e a escrever, e a chatear-me às vezes. Hoje o dia começou com algumas chatices. Tou a encontrar alguma resistência com os alunos de uma das turmas do 2.º ano, ou porque dizem que falo muito rápido, ou porque falo como dizem "difícil" ou porque não querem trabalhar. Pois então agora é sempre puxão de orelhas atrás de puxão de orelhas, e muito me custa ter de adoptar esta postura de durona, mas se assim não for levam tudo para a brincadeira, é que fazê-los perceber que há que saber diferenciar o tempo de brincar do tempo de levar as coisas a sério. 

 

Aqueles vão ser ossos duros de roer, e eu simplesmente ainda estou para perceber se os enfrente ou entregue os pontos para não arranjar cabelos brancos cedo demais.

 

Bom seria se a vida fosse um conto de fadas como este filme "a princesa e o sapo".

 

 

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Birra é mimo a mais

por mandarina, em 06.11.12

É o que acho quando os meus putos (alunos, entenda-se) de 3, 4 ou 5 anos fazem muita birra nas aulinhas de inglês. É fazer fita ou porque querem a mãe dentro da sala, ou porque não querem brincar, ou porque não querem cantar, escrever, desenhar, etc. ou porque não lhes dei tantos doces/autocolante como as outros, enfim um sem fim de desculpas para fazer fita que nem vos conto, haja imaginação que eles inventam sempre uma nova. Eu acho que é mimo a mais, e nunca me engano, no intervalo é ver os papás de volta dos pequenotes amuados com beijinhos, abracinhos, promessas, etc. Ou seja, eles que já são uns mimadinhos, amuam e depois ainda levam com mais mimo em cima. Assim se estragam os miúdos e os meus alunos, e olhem que mimo a mais na infância fá-los adultos caprichosos, egoístas e dependentes dos outros. Difícil tirar a chucha aos mimados. Nada contra mimo, eu fui muito mimada especialmente pela minha avó materna, mas sempre um mimo saudável e não um mimo defensivo e exagerado.

 

Não tenho perfil para ser a professora que anda de volta dos miúdos que fazem birra a toda a hora a tentá-los convencer para não fazer, só a energia que teria de perder para isso, e os outros é que sairiam a perder porque esses miúdos nas suas crises exigem muita atenção. O meu método é mais o seguinte, dar atenção mas não muita, tentar ignorar ao máximo e continuar o ritmo da aula com os outros, isto porque desta forma as ovelhas ronhosas normalmente, por não conseguirem a atenção que queriam, voltam a juntar-se ao rebanho naturalmente.

 

Os putos são mesmo espertos, que manha que eles têm, só não sabem que eu já lhes vou conhecendo a esperteza. E normalmente não é no contra ataque que se ganha a batalha, é mesma na indiferença.

 

p.s.: bom bom era se esta estratégia da indifirença funcionasse com os graúdos, é que neste caso eles não se sentem mal por estarem a ser excluídos, neste caso eles até agradecem que eu os deixe em paz.

Ser criança não tem mesmo preço. A inocência deles é mesmo qualquer coisa de extraordinário.

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A vida é como uma caixa de chocolates

por mandarina, em 05.11.12

No outro dia estava a passar "Forrest Gump" no canal de cinema pelo qual estou definitivamente viciada porque me dá preguiça de ver os filmes que tenho no pc quando só preciso de ligar a tv sem ter de pensar o que hei-de ver, mais fácil ver o que está a dar no momento mesmo quando o filme já vai a meio.

 

Já tinha visto "Forrest Gump" uma vez, mas não resisti ver de novo, também porque já não me lembrava muito bem, mas sabia que tinha gostado da primeira vez que vi. Agora gostei mais ainda, pela mensagem do filme que é única, pela história que é muito bonita e que pode bem ser a história de vida de alguém real, pelas paisagens e cenários dispares e encantadores, e, sobretudo, pela magia do filme.

 

Esta frase resume a mensagem do filme, "Life is like a box of chocolates. You never know what you're gonna get." - "a vida é como uma caixa de chocolates, nunca sabes o que vais encontrar".

 

A vida é mesmo uma caixinha de surpresas, julgamos que temos poder para decidi-la mas de um momento para o outro ela prega-te uma partida que muda a equação toda. Algo que te deixa preso, algo que te muda para sempre, algo que te faz equacionar toda a tua vida de uma nova perspectiva e, que nos deixa a pensar se o chocolate que nos vai sair a seguir sempre esteve ali à nossa espera, porque nos estava destinado, ou se, pelo contrário, fomos nós próprios a escolhê-lo de livre e espontânea vontade. Muito sinceramente não sei, talvez seja como o Forrest Gump diz no final do filme, talvez sejam ambos a acontecer ao mesmo tempo, destino e poder do acaso a funcionarem em simultâneo para imprimir à nossa vida um carácter de aleatoriedade premeditada.

 

E quando temos a certeza do chocolate que queremos para nós, mas tampouco sabemos se ele nos está destinado, aí faz-se o quê? Deixa-se tudo nas mãos do acaso? isto porque se formos a crer na ideia de destino, então é certo que, mais tarde ou mais cedo, esse chocolate nos virá parar às mãos caso nos esteja destinado.

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Passar das marcas

por mandarina, em 04.11.12

Todos os dias penso que já quase nada me pode surpreender no reino do arroz, mas a cada dia que passa acontece sempre mais alguma coisa que contraria esta minha convicção.

 

Se abres a boca para dizer alguma coisa em chinês, nem que seja para agradecer, para pedir um saco no supermercado, para agradeceres, ou fazeres a pergunta mais banal, ou então sugerir isto ou aquilo, quer seja ao taxista, à empregada do supermercado, à funcionária da loja A ou B, então é vê-los girar os olhos nas suas pequeninas órbitas e esperar que digam a tal frase "o teu chinês não é nada mau" que após ser repetida cem mil vezes só soa a oco e despropositado porque digamos que dizer meia dúzia de frases não é nada do outro mundo, ainda que para eles, os chineses, seja motivo de muito e inusitado espanto e admiração, como se jamais alguém, não chinês, pudesse alguma vez falar a sua língua. Go figer!

 

E quando a este tipo de comentários se junta a pergunta da praxe "de onde és?" (nacionalidade) mas assim até à exaustão e quando já não tás virada para responder, e te saí à descarada, como num dia destes me deu para provocar um taxista idiota (um dos muitos) e disse que era japonesa, ou melhor que éramos japonesas. O que diz o imbecil a isto "se forem japonesas faça-as sair do táxi". Até que gostava de ter visto isso a acontecer, imbecilidade.

 

Às vezes custa-me crer que estou rodeada de gente tão quadrada, e por mais que queira achar piada, já nem consigo, no outro dia ao almoço senta-se um chinês à minha frente que me pergunta "és chinesa?" no dialecto daqui, e como não percebi lá perguntou outra vez "és chinesa?", ah carago até já passo por chinesa, upa upa, devia ter respondido "claro que sou" ao invés do educado "não".

 

Juro que a sensação que tenho é que estamos todos a ser filmados, do género para aquela série de tv "apanhados" e alguém do outro lado do mundo se está a rir às gargalhadas com todo o tipo de cenas que aqui se passam com nosotros, os tontos dos estrangeiros.

 

 

Este sinal, amiguinhos, que vocês bem podem achar estúpido, ridículo, fora de sentido e claro desnecessário, mas deixem-me que vos diga, que tendo em conta as marcas de sola bem visíveis que vi no outro dia numa toilet estilo ocidental e, logo, no sítio destinado ao nosso rabinho, então só vos digo que estes sinais fazem todo o sentido em existirem e deviam ser obrigatórios em todos as casas de banho estilo ocidental.

 

Mais específica não consigo ser. Tudo isto é passar das marcas.

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Diário expresso

por mandarina, em 03.11.12

A China num todo:

 

Não há dia que não haja alguma coisa que tire estrangeiro que é estrangeiro do sério nesta santa terrinha, Deus quando fez a terra esqueceu-se de pôr os pés na China. É ver (ou viver aqui) para crer.

 

Em dia de chuva, a situação já por si má agrava-se, as cidades chinesas viram um verdadeiro pandemónio, trânsito de já por si sempre entupido, mais entupido fica. O chão sempre sujo e imundo vira um verdadeiro lamaçal, a água acumula-se em toda a esquina, e o chão, esse torna-se perigosamente escorregadio, mas não é só a água que o torna tão fatal, digamos que também outras substâncias ajudam ao barulho, e sinceramente vou-vos poupar a saber do que se trata.

 

Se onde havia ponte para facilitar a passagem às centenas de peões que transitam no caos destas ruas, então não se admirem se de um dia para o outro essa ponte, que tampouco impedia os carros de circular, desaparecer só porque sim, na China é assim, um dia está lá, no outro desapareceu, sem razão aparente. Acho que com muitas pessoas também se passa do mesmo. Puff, desapareceu, morreu? viajou? emigrou? quem sabe!

 

China que é China tem de ser anarquia, mesmo com um regime aparentemente ordeiro, mas tudo aqui é anárquico, como fazem as coisas, como seguem as regras (mais como não seguem), como coordenam o trabalho, como coordenam os trabalhadores, como atendem os clientes, como entram nos autocarros, como se metem nas filas, tudo é caos, absolutamente caótico, Deus não passou por aqui, em vez disso mandou o diabo divertir-se e desconfio que deixar um código genético de anarquia por toda a eternidade.

 

Olha para ela, uma tuga a queixar-se de caos e desorganização, mas juro-vos que até o pior desorganizado tuga se sentiria doente e perdido neste regime do caos.

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