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Ela

por mandarina, em 03.03.12

Ela é a pessoa que melhor me conhece, que me sabe julgar, que me sabe ouvir sem questionar quando é preciso, que me sabe chamar à razão quando é urgente. Ela é o meu oposto, a prova que pólos opostos se atraem. Ela é a única que me conhece de cor, que me sabe ler nas entrelinhas, que adivinha os meus estados de espírito sem palavras, que me lê nos olhos o estado do coração, que me conhece o feitio, com o qual aprendeu a lidar, que sabe desdramatizar os meus dramas, que sabe atenuar os meus exagerados fatalismos. Ela é água, eu azeite. Não nos misturamos, nem em carácter, nem em personalidade, nem em feitios, nem em amores, nem em valores. Ela é razão, eu sou toda coração. Ela é forte, eu uma manteiga derretida. Ela é reservada, eu sou transparente. Ela é paciente, eu urgente. Ela é constância, eu inscontante. Ela é pausada, eu sou um turbilhão. Ela é um vulcão, eu a erupção. Ela é misteriosa, eu previsível. Ela é determinada, eu hesitante. Ela é um rochedo, eu frágil.

 

Somos os opostos que se completam aos quais o tempo ajudou a limar as arestas para nos adequarmos uma à outra. Senão tivessemos crescido juntas não nos suportaríamos, senão tivessemos vivido tanta coisa, boa e má, juntas não seriamos amigas hoje, senão tivessemos ido ao limite juntas não nos respeitaríamos tanto como hoje. Ela é a mão invisível por detrás de mim. É uma parte do que sou, sou às custas dela, por causa dela.

 

Já quebrámos, já nos odiámos, já nos magoámos, já nos ferimos uma à outra, já nos batemos, já lambemos as feridas uma da outra. Já nos silenciámos. Já quase nos perdemos, não na distância, mas na falta de espaço, na medida em que passamos barreiras instransponíveis, já nos perdemos quando não soubemos como lidar com pessoas pelo meio. No meio que não existia e que provocou um verdadeiro terramoto, e deixou uma cratera que levou tempo a sarar, mas sarou e só nos fez ficar mais fortes e unidas. Já abdicámos da nossa amizade, eu quando julguei fazê-lo em prol de um bem maior, que era afinal um imenso nada. Ela quando me atacou de frente para provar que estava certa (e estava mesmo).

 

Ela sabe mais de mim que, às vezes, eu própria, e, ainda assim não me tenta defender das agruras da vida porque sabe que aprendemos mais por nós próprios. Ela não põe paninhos quentes quando não sente que o tem de fazer. Ela não questiona os meus momentos maus, já os sabe de cor, conhece o meu lado lunar. Ela manifesta-se no silêncio e chega sabê-la ali. Ela entende-me os estados da alma, o meu lado negro não a assusta, aprendeu a respeitá-lo, às custas de tanto conviver com ele. A minha obscuridade não é coisa que a inquiete, ela sabe dos meus pólos. Ela sabe-me por completo. No bem e no mal. Na alegria e na tristeza.

 

Ela é a irmã que nunca tive. Ela é a minha irmã que não tive porque a vida não me daria uma irmã tão à minha medida quanto ela. Ela é uma das minhas poucas certezas na vida. Ela é um para sempre na minha vida. É uma certeza que nunca vou perder. É a minha pessoa no mundo.

 

Ela não precisa que eu lhe diga isto, ela sabê-lo. Mas eu digo-vos que tê-la é uma benção. É um não à solidão para sempre. É um conforto maior para uma alma inquieta como a minha. Ela é, na perfeição, a minha alma gémea imperfeita. Assim como eu gosto dela. O meu oposto.

 

E já vivemos tanto juntas, que esta distÂncia é um empecilho menor. Viveremos mais decerto. Coisas boas e más, sempre com a certeza que podemos não ter mais ninguém mas que enquanto nos tivermos uma à outra temos tudo. E isso é só o maior bem do mundo.

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Privação

por mandarina, em 02.03.12

Privação de sono.

Cansaço, cérebro em papa, pensamentos a cirandar entre o hoje, ontem e o amanhã.

Corpo pesado, movimentos arrastados, energia negativa.

Causa provável da privação: abuso da cafeína e sossego a mais, vida em suspenso. Entre o que tenho, o quero e o que não tive.

Nem o Mario Vargas Llosa serve de consolo ao infinito que hoje há em mim. Que me sirva, pelo menos, de embalo.

Boa noite

 

"A literatura não é algo que nos faça felizes, mas ajuda-nos a defendermo-nos da infelicidade."

Mario Vargas Llosa

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Ir na onda

por mandarina, em 02.03.12

Andamos na onda. Na onda do que é moda. Moda é estudar chinês. Cada vez mais é moda. Até há uns anos haviam vagas e ficavam por preencher por falta de candidatos. Agora há candidatos e menos ondas.

Mas muitos de nós ainda andamos na onda. Na onda que ainda fomos a tempo de apanhar. E pensávamos nós que seria uma bela surfadela. Primeiro aprendíamos como nos colocar em cima dela, depois ganhávamos equilibrio e a partir daí já ninguém nos parava. Esqueceram-se foi de avisar que o mar às vezes é manhoso, tem umas correntes tramadas e não se deixa dominar fácil fácil. Assim é o mandarim. Quando pensamos que estamos a ganhar equilibrio tudo se complica mais um bocadinho. E tal como no surf (do qual não percebo absolutamente nada) é preciso ter resiliência para quando levares com uma onda nas trombas e ficares atarantado, agarrares no medo, metê-lo no bolso e voltar mais uma vez com mais coragem, com mais veemência, com mais espírito de vencedor.

Assim o é com o mandarim. Levas uns safanões, apanhas umas quantas (milhões) de desilusões, vês que a tua evolução é tipo de 0,0001, decepcionaste, tás ali quase como que a desistir, mas depois lembraste do prazer que é quando afinal te dás conta que nada nem ninguém é invencível. Nem que para o comum dos mortais seja chinês.

 

À hora do almoço falava-se de um queixume que vem invariavelmente à baila. Após alguns semestres cadê o domínio da língua? Perdeu-se aí por alguma esquina. A verdade é que um amargo de boca saber que ao final de 2 anos não se fala chinês como se suponha. Não quando não se dá o litro a estudar pelo menos 3/4 horas por dia fora aulas e tpcs. Não quando a exposição à língua não é constante e forçada. Não quando tens amarras na língua e os locais te desincentivam a perder a vergonha.

 

Motivação. Objectivo final. Meta. Consciência de que não há milagres, mas antes um processo longo e demorado. Muita dedicação e perseverança. Muito gostar não chega, não chega ir às aulas religiosamente, não chega ser bom aluno, não chega ter 90tas% nos exames, não chega querer. Há que obrigar, sofrer e penar. Não vai lá por gosto, não vai lá com suavidade, só vai a mal. Gostar não chega, falta a motivação e o peso da obrigação que custa mas que não há volta a dar-lhe. Como a sopa que não gostávamos mas que tinhamos de comer senão não saímos da mesa sem um valente par de estalos.

{why learning chinese is hard}

"I can’t agree with anyone who says that learning Chinese isn’t hard, because it’s got to be one of the hardest things I’ve ever done. In essence, it’s “hard” because it’s frustrating.  Actual performance does not live up to one’s reasonable expectations for one’s performance, and this is a blow to one’s ego.  It’s emotional, not rational. It takes a lot of effort to acquire an entirely new skill.  Many people simply get discouraged and quit.  “It’s too hard.”

John Pasden, linguist in sinosplice

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Validade

por mandarina, em 02.03.12

Quanto vale o momento presente? não vale porque já passou.

Quanto vale a felicidade sentida ontem? não vale porque já não a sentes.

Quanto vale a felicidade que sentirás no futuro? de pouco vale porque é utópica.

Quanto vale o prazer? Vale enquanto o sentes. Vale no momento, só e apenas.

Quanto vale e por quanto vale sentimentos que não desejamos sentir? Valem menos do que julgamos sentir. No futuro, quando eles já fizerem parte do passado, valem menos de um centésimo de segundo. Hoje valem mais que a conta, mais do que valem na verdade.

Por quanto valem as conquistas e todas as vitórias? Um milésimo de segundo elevado ao exagero, ainda assim não mais que um milésimo de segundo.

Por quanto valem as angústias e tristezas? Dramaticamente valem o que nos parece uma eternidade, ainda que a eternidade seja uma fracção ridícula do nosso tempo.

E a felicidade efémera, quanto vale? Vale o tempo que a soubermos recordar. Na verdade vale menos que o tempo que a passamos a regar para depois a colher. Um fingimento.

E o amor próprio quanto vale? Aparentemente 0  a julgar pelo momento em que o dispensamos em prol de uma (ilusória) causa maior. Esse só vale no depois, quando nos apercebemos que vale tudo e que os outros não valem nada. Porque ninguém vale o nosso amor-próprio. Se valessem não nos fariam abdicar dele.

 

E a vida quanto vale? Vale-nos enquanto a vivemos. Depois não vale nada.

Nada fica de nada. Nada somos.

Cadáveres adiados que procriam.

            {Ricardo Reis, in "Odes"
            Heterónimo de Fernando Pessoa}
 

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Idiotice do dia #10

por mandarina, em 01.03.12

Estudar que é bom não é comigo, e amanhã tingxie que para quem não sabe é tipo uma chatice das piores que obriga uma pessoa a saber escrever estes caracteres todos esquisitos, a cada dia que passa surjem caracteres mais esquisitos, e eu a pensar que vim estudar chinês afinal vim estudar foi desenho. Epa e logo eu que não tenho jeito nenhum para a coisa, assim não nos entendemos senhor mandarim.

 

Mas como procrastinar é comigo mesmo, de tão aborrecido que é divertir-me a desenhar caracteres deu-me para mudar as tags quase todas! Depois mandem palpites sobre o quão original não fui (não fui não me enganei a escrever não).

 

E agora ir dormir. Zzzzzzzzzz

Procrastinar, dormir, comer e dormir, e mais procrastinar. Ai sou tão boa nestas coisas. E com o fds À porta ainda melhor.

 

Bom Quase FDS

zaijian

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Nem às paredes confesso #5

por mandarina, em 01.03.12

mas o professor de spinning tem um corpo de invejar e uma expressão corporal muito sexy (ainda que não seja bonito).

Bem que desconfiava que o chinês tinha queda para a dança. Uma pessoa can tell a julgar pela expressão corporal. Ontem tive a prova que dança* e muito bem. Deu-lhe para não dar aula, e deixar-se substituir por um prof. muito enfadonho e chatinho que não sabe motivar o pessoal, e vai daí pôs-se a dançar mesmo à frente da minha bike. upa upa

Agora o subtituto que seca pah, no final só faltou mandar-nos fazer o pino em cima da bike.

 

*aqui entre nós que ninguém nos ouve, sabem o que se costuma dizer de um homem que dança bem, right!? (naughty thought)

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NO COMMENT

por mandarina, em 01.03.12

Hoje teste de nível a audição. Em 20 não respondi a uma única pergunta com 100% certeza.

Espero não ter sido a única. Todos disseram ser difícil. A ver se a vergonha é colectiva ou individual.

 

p.s.: a colega da Índia diz que sempre que a aula acaba e tira os phones sofre de dores de cabeça. Subscrevo.

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