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Dias de esturro

por mandarina, em 07.01.12

Eh odeio estudar, estar aqui fechada no quarto a tentar-me concentrar em mil e um caracteres na esperança de os interiorizar como por magia.

Odeio, obriga-me a estar fechada no quarto horas a fio, horas que passam mais rápido do que era suposto, e vai que não vai não se estudou foi nada. Hoje é um dia improdutivo nas lides do estudo, e tenho tanta coisa para estudar. Mas distraio-me e por ser obrigada a estar para aqui a estudar dá-me para pensar em coisas que não quero pensar, que não quero remoer, que não quero voltar a questionar, e traz-me sentimentos que não quero sentir, não quero, quero que eles partam e não voltem mais. Não quero mais fantasmas, não quero mais trevas, não quero abismos nem indefinições. Vão-se embora de vez, deixem-me em paz, deixem-me com os meus caracteres, e com os meus planos futuros.

 

A vida não é a merda de um teatrinho que brincamos aos papéis de bonzinho, mauzinho, amiguinho. Não, a vida não é um teatrinho, a minha não é um teatrinho, e depois, assim, como por estupidez universal está alguém a brincar com a minha vida como se eu fosse uma marioneta num teatrinho desajeitado e doentio e a obrigar-me a encarar situações que não sei como lidar com elas, e a encarar pessoas que me vão fazer sentir coisas muito contraditórias, e a obrigar-me a actuar e a aceitar que sim,  que a vida, às vezes, é um teatrinho e nós, personagens ridículas, que obviamente, porque somos humanos, estúpidos e imperfeitos, nos vemos a desempenhar um papel reles num teatrinho de terceira categoria e de muito mau gosto.

 

The world is a stage, but the play is badly cast.

Oscar Wilde

 

p.s Perdoem-me o mau humor e a parvoíce que para aqui despejo, mas estudar deixa-me mesmo insuportável e azeda, ah e mais parva que o habitual!

 

 

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Semanas assim

por mandarina, em 05.01.12

Semanas assim em que recebes boas noticias e tudo parece estar a entrar nos eixos.

Primeira boa notícia, já tenho o meu mês de férias quase todo planeado. Viagens compradas, só falta estudar bem o roteiro. Consegui excelentes preços, e a ajudar a isso, consegui boa companhia, e, normalmente, alojamento for free. Temos de ser uns para os outros, né?

Segunda boa notícia da semana, uma amiga vai voltar para trabalhar na China, e eu não podia ficar mais feliz por ela. Não vem para perto de mim, mas decerto que nos vamos ver várias vezes apesar da distância. E depois, o importante é que conseguiu emprego e que por ora vai sair de Portugal que tem muito pouco para oferecer.

Saudades daquela maluca, vai ser como um bálsamo revê-la. A China fica mais aconchegante com pessoas assim. Que boa notícia mesmo.

 

Ontem começaram os exames, o primeiro está feito, e correu bem, a ver os outros 3. Amanhã temos as duas últimas aulas do primeiro semestre. E eu levo as mãos ao céu por isso, já não aguentava mais aulas, e aulas e mais aulas. A rotina dá cabo de mim. Por isso, aguardo com ansiedade o fim deste semestre, só tenho pena que algumas pessoas que gosto muito se vão embora de vez de Wuhan. Mas a vida é mesmo assim, uns partem, outros chegarão.

 

A vida é um constante vaivém de pessoas, momentos, sentimentos, lugares, oportunidades, etc... O que nunca muda? muito pouca coisa. Até nós mudamos, mas a nossa essência é sempre fiel a si mesma independentemente do que nos rodeie.

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Clarividência

por mandarina, em 04.01.12

Como eu aguardava este momento com tamanha ansiedade. Eis chegado o momento de clarividência.

Chegou e trouxe paz, bem-estar, harmonia e equilibrio à minha vida descarrilada de constantes altos e baixos, de constantes angústias, de anseios e desejos desequilibrados. E já não me sentia leve assim há séculos. E que bem que é ser leve.

No outro dia, num dia em que não estava bem, lembro-me de ter visto escrito em qualquer lado "The end is (just) the beginning" e gozei com a frase, lembro-me de ter dito: "não de todo". Hoje diria, é sim, é mesmo, tem toda a razão quem escreveu, pensou ou disse aquilo. Todo o fim é um só um novo começo. É o começo de uma nova fase nas nossas vidas. Aquilo que tinha de acabar acabou, e veio provar que só fazia sentido ser assim. Aliás durou foi muito, não querendo ser injusta, fui-o comigo, arrastei algo que não devia, e fiz-me mal por minha própria conta e dano. Se me arrependo? sinceramente não, não me arrependo de nada. Foi bom, deixou uma doce lembrança, e para sempre ficará como isso. Momentos doces, momentos bons e bem vividos com alguém muito especial.

Mas há que saber quando as coisas boas podem virar más, e chegado esse momento, é pôr de lado, renunciar, sair de cena e limpar o coração de fantasmas. Do pouco que me arrependo na vida é disso, não ter conseguido salvar pessoas na minha vida que me eram caras justamente pela mágoa que me provocaram e que eu lhes provoquei.

Hoje espero não ser o caso, não quero perder um amigo, aliás um bom amigo, um amigo que vale milhões, não duvido disso. Pena ter duvidado disso em algum dos momentos passados. Espero que ele o venha a saber, que saiba um dia que a sua amizade me é cara, é importante, que só lhe quero bem, que quero ser uma amiga como deve ser, e que torço pelo sucesso e felicidade dele.

 

Agora que não vivo enganada, que sei o que sinto, sei que me (nos) confundi, sei que, na realidade, todo o fim significa um total recomeço. Hoje sei-o!

Sei quem sou, sei o que realmente sinto, sei que sou feliz, sei que gosto dos meus, quero que eles saibam que eu só lhes quero bem. Não deveria haver lugar para o rancor nos nossos corações, mas também sei que sem ele (rancor), nunca saberíamos o que é a serenidade, a felicidade e a bonomia. Eu tive de passar por uma fase de caos emocional para hoje dizer que me reencontrei. Reencontrei as minhas bases, voltei a ser eu, sem mentiras, sem rodeios, sem farsas. E gosto, gosto tanto, adoro aliás.

 

Ontem disse, 2011 foi um ano doloroso, e foi! Hoje digo, 2012 começou da minha melhor maneira possível e tem tudo para dar certo.

 

2012 is a brand new beginning!

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Pedido de namoro sui generis

por mandarina, em 03.01.12

Porque ainda há pessoas a fazer-me o dia ao me deixarem a rir às gargalhadas em frente ao computador. Hoje sugeriram-me namoro via msn, mas o mais engrançado é a pessoa se encontrar a 5000km de distância, o que torna o pedido ainda mais ridículo, ah espera, não é por isso que é ridiculo, é mesmo porque entre nós não há, nunca houve nem nunca haverá nada. Vá, também não sejas mentirosa!Ok, pronto em tempos longínquos digamos que tive uma paixoneta pelo moço, felizmente passou rápido que Oh meu Deus, ele é a risota em pessoa. A ideia do cujo, "se eu for para aí (China? Wuhan? sei lá?) podemos namorar". E eu...what? Ai opa, risota (...)! Só comigo, juro que não sei se devia rir ou chorar. Do desespero alheio, medo, muito medo.

 

Deus queira que ele não venha aqui parar, mas, além disso, ainda disse, "eu quero muito ir, tenho muita vontade!" e eu, pois, acredito, muita vontade e muita necessidade e etcs. Deu para rir, visto que não é todos os dias que uma pessoa a 5000 km me propõe namoro, e ainda para mais diz que se muda para cá porque tem muita vontade.

 

Um conselho rapaz, se tens vontade mata-a, mas não comigo querido que não tenho escrito na testa "desesperada", ou será que vês os outros à tua medida?

 

Adenda: e nem me perguntou se achava bem ou se queria, partiu do pressuposto que por mim tudo bem, sim, sim vem daí que eu cá te espero(not). Dar corda a gente maluca/desesperada nunca dá em boa coisa, por corda entenda-se conversa, que a esta distância só se for ideias virtuais.

 

já dizia o outro,

The only normal people are the one's you don't know very well.*

 

*o que também não é o caso (não o conheço por ai além), mas do que conheço chega e basta, não quero aprofundar conhecimento, obrigado!

 

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O grande Dragão

por mandarina, em 03.01.12

Depois de ler este artigo e, constatar que tudo isto é verdade, a China está a ponto de tornar-se a dona do mundo, será ela a ditar as regras do jogo e a senão mudá-las, a geri-las à sua maneira. Não é preciso perceber muito de política e mercados financeiros para saber que a China está com a faca e o queijo na mão. Bom sinal ou não? A seu tempo o descobriremos, mas uma coisa é certa, os chineses têm garra, perseverança, determinação. E mais, tem muita ambição. Desde o jardim de infância, sim as criancinhas de 3 anos dos papás ávidos pelo conhecimento da língua universal (inglês salvo seja) põem as criancinhas aos fins de semana de manhã a aprender 3 horas seguidas de inglês quando se sabe que uma criança tão pequena nunca se consegue concentrar mais de meia hora seguida. Além disso, os adolescentes e jovens não tem vida social por aí além, por isso, não se importam muito de sacrificar todo o tempo-livre no seu enriquecimento enquanto cidadãos e a levar avante o crescimento do país. São ávidos por riqueza, aqui não há religião que os cegue, nem espiritualismo que lhes valha, trabalham muito, esforçam-se mais ainda, podem até dar a sensação que trabalham como um rebanho mas é mais cada um por si. É isso que vejo todos os dias. Cada qual por si, e numa sociedade em que ser o mais forte é dificil, a competição está-lhes no sangue e vivem para vencer, ainda que muitos para sobreviver. É uma sociedade que vive com os olhos postos no futuro, naquele em que eles deixarão de ser a fábrica do mundo para passarem a ser os patrões do mundo e das grandes empresas do mundo.

 

Muitos dizem que esta China com a mania das grandezas é uma China rude, mas eu diria antes, é uma China que quer provar que não deve nada a ninguém e usa-se do seu poder económico para fazer valer a sua vontade perante uma Europa cansada, uma América amedrontada, e o resto do mundo meio perdido entre guerras e governos fracassados. A China perante este cenário avança certeira, e não tenho a minima dúvida que falta tão pouco para o mundo lhe pertencer e lhe obedecer. Eles continuam dispostos a pagar o preço que for necessário.

 

E depois, com que olhos eles nos vêem? Vejo nos chineses um misto de curiosidade e de desdém perante os estrangeiros, alguns são mesmo arrogantes, e vêm esta invasão de estrangeiros com olhos pouco amigáveis, até mesmo com um trejeito de troça, como quem diz "pois com o barco a afundar na Europa vêem na grande Nação a tábua de salvamento". Aos olhos deles, podemos ainda não ser uma ameaça (nós os expatriados), a maioria jovens com poucas oportunidades de emprego na Europa ou então empresários que vêm aqui vender os seus produtos, mas que, no geral, sempre que um chinês toma conhecimento dos muitos estudantes estrangeiros a aprender a sua língua fica com um brilhozinho nos olhos, um brilho de malicia, diria até, como que, suspeitando que nós precisamos deles mais do que eles precisam de nós. Ainda que não saibamos se é mesmo assim, uma vez que o chinês nunca será uma língua acessível e usada universalmente como o inglês o é.

 

Dinheiro, o deus magnânimo dos chineses, juro que, ultimamente, só vejo nos chineses o ímpeto de comprar, comprar sem parar, como se todos tivessem sido infectados com o vírus da compra compulsiva e desenfreada. Cifrões a passar pelos olhinhos deles a mil a hora, comprar é a palavra de ordem, o resto pouco importa, a compra traz felicidade, juro que é o que sinto no dia-a-dia, principalmente nestas épocas mais festivas. Comprar para satisfazer os seus ímpetos de consumidor que pode, e que ganha face porque se compra mais é porque agora pode mais, e numa sociedade em que mostrar que se tem e que se pode é tudo, então, compra-se para se ganhar mais face perante os outros.

 

Assusta-me esta necessidade compulsiva de show off de poder a toda a hora, seja no supermercado, nos centros comerciais sempre apinhados, seja na imitação do estilo europeu ou americano, seja na ostentação de luxo e poder, seja no desperdício à mesa de um qualquer restaurante, assusta-me todo este "demasiado" por ser uma ostentação agressiva e, ainda mais, porque o gap entre ricos e pobres é tão visível e está a nú nesta China tão desigual.

 

É a China do blim-blim. O pior é que nem tudo o que reluz é ouro.

Bom ano do Dragão. Bom ano na China (país) ou sob os tentáculos dela (resto do mundo).

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Passos em falso

por mandarina, em 02.01.12

Vacilamos, sabemos que não devemos ceder perante o abismo, e mesmo assim, decidimo-nos por ele, é aliciante afinal. Até ao momento que nos vimos lá em baixo, o abismo visto de cima é quase encantador, visto de dentro é apavorante e não se encontra a saída facilmente. Uma vez lá só há uma saída possível, enfrentá-lo, enfrentar os nossos medos, angústias, pavores, e dar a volta por cima. Não há outra solução, é um ir empurrando o tempo com a barriga e esperar que o tempo cure tudo, tudo passa, tudo é uma grande efemeridade, mas quando queremos que o tempo cicatrize as nossas feridas, ele parece teimar connosco e não passa, parece antes alongar-se, e uma hora parece uma eternidade, um dia um inferno de tempo que não mais acaba, e um mês uma vida inteira. Mas e aprender a viver não contando com a passagem do tempo? é aqui que reside o segredo, gosto tão pouco de segredos, e este parece-me um segredo demasiado bem guardado, quem mo conta?

 

Aqui fica uma pista para o revelar:

Dica da Bad para isto das relações erradas: se sabem o que querem, não se ponham a ceder. Mantenham-se focados no objectivo. O suficiente não chega no que toca à coisa do amor (nem do sexo, já agora).

 

E não é que é mesmo!? sim é. Da próxima vez que te escolheres pelo abismo lembra-te que o abismo não está para ti como tu estás para ele. Quem cede quando sabe bem o que quer perde a razão, o juízo e a decência. E perde o Norte.

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Ano Novo, desejos novos

por mandarina, em 01.01.12

Entrar no ano com o pé direito é obrigar-me a dizer adeus ao Ano que passou que foi cheio de coisas boas mas também cheio de coisas menos boas. Tenho a sensação de ter parido um filho, depois deste ano, até ao último momento a sofrer, para hoje dizer, "sim, eu quero um recomeço em pleno, quero ser feliz, quero estar bem comigo e com os outros, quero fazer os outros felizes, quero fazer-me feliz, quero dar-me o valor que verdadeiramente tenho, quero dos outros respeito, confiança e amizade. Quero amar e ser amada, tal como sou, tal como penso que mereço." Por tudo isto, e porque 2011 foi um ano de perdas, mas de muitas vitórias também, quero que 2011 fique lá atrás e que não me venha atormentar em 2012.

O calendário muda, mas a vida nem por isso, não quando a nossa atitude perante a vida continua a mesma. A minha atitude perante a minha vida vai mudar. Chega de ser fraca, chega de ser preguiçosa, chega de ser indulgente, chega de ser irresponsável com os meus sentimentos, chega de ser aquilo que não tenho orgulho nenhum em ser. Forte, destemida, dedicada, comprometida com os meus objectivos na vida, focada em mim, virada para os amigos, responsável, crescida. Crescer é também isso, ter a noção que os anos mudam e que tu mudas com eles, e, não querendo ser perfeita, quero ser uma pessoa melhor, uma mulher que sabe o que quer, que sabe o que vale a pena querer, que é fiel aos seus valores e que não os trai só porque muitas vezes é mais fácil.

2011 fica lá atrás, foi um ano em cheio, mas foi um ano muito doloroso para mim, sofri demais, trai-me demais, menti-me demais, expôs-me demais e acabei o ano com o coração em estilhaços.

2012 consertará o que 2011 destruiu, e custe o que custar vai ser um ano em que irei pôr o compasso em mim e naqueles que me amam verdadeiramente e focar-me-ei apenas e somente nessas duas coisas.

 

Um ano novo, um novo recomeço não é uma mudança de calendário, é um estado de espírito que exige esforço e dedicação mas que a seu tempo resultará, é só não baixar os braços às adversidades da vida.

 

Bom ano meus queridos amigos e leitores, que 2012 vos sare todas as vossas feridas, vos traga muita amizade e amor em igual dose.

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