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Modo: estudo

por mandarina, em 07.11.11

Estou de volta a Wuhan depois de uns dias muito bem passados em Shanghai. Foi, sem dúvida alguma, uma pausa necessária, que foi, não tanto, porque não me fartei de passear, uma visita turística, mas mais uma visita familiar, para revisitar sitios onde já havia estado mas onde sabe bem voltar com pessoas que gosto.

Mas como o tempo passou a correr, e o estudo ficou "pendurado" agora é hora de pôr mãos à obra e lançar-me de cabeça a esta tarefa. Adivinha-se uma semana cansativa, de muito estudo, poucas horas de sono, e algum stress.

E além disso, com aulas, as que tenho e as que tenho de dar, ainda sobra menos tempo, por isso, esta semana com a dona desta "mandarina sem tempo de sobra, o blog ficará, normalmente, em stand-by.

Há lugar para tudo, sempre me ensinaram esta máxima, lugar para o lazer e lugar para o trabalho. O lazer já lá vai, e foi 5*, agora que venham de lá essas obrigações da vida de estudante.

 

加油,加油! (jiayou, jiayou) Força, força!

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Shanghai e uma ida a medo

por mandarina, em 01.11.11

Não, não é medo que o avião caia, se bem que como andam ultimamente a acontecer tantos acidentes com os transportes na China, também não é de fiar a 100% mas é mais doutro medo que falo.

Vou porque, passados quase dois meses é a primeira oportunidade e, também a única nos próximos tempos, que se adivinha, e vou porque tenho saudades das pessoas que tanto gosto, dos meus amigos, e da cidade, e para desanuviar antes dos temidos exames. Não vou bem a férias, levo a tralha (livros, dicionário, áudios, livrinhos e livretas) atrás para estudar, mas vou com o desejo de passar uma "espécie" de pausa desta nova vida de estudante. Todos os dias se resume a acordar às 7h, a correr para estar na sala de aula antes das 8h, depois o intervalo das 8h40 seguido do das 9h40 e do das 10h40 para se ouvir o tão ansiado toque final de debandada das 11h45. Depois é almoço, sempre entre o 12h00 e a 13h00 e depois é, quando é, ir "laurear a pevide" às compras (comida & afins entenda-se) e voltar para a escravatura do tpc que é sempre às toneladas todos os dias, e a tonelada aumenta ao fim-de-semana (por falar nisso hoje não durmo mais que 4horas é certinho) mas é ver a semana passar sempre da mesma maneira, sempre as mesmas caras (ao fim de 2 meses já conheces todas as pessoas, de vista pelo menos) e ir sempre aos mesmos sitios almoçar e fazer sempre o mesmo quase todos os dias. Vá para desanuviar sempre vou tendo o skype (a Rita), o MSN (Sílvia) e o fb (LoL) "pra converseta" e gossip, também. Ah e claro o gym... que faz bem e faz transpirar e faz rir e à falta de melhor serve para descomprimir todas as energias menos positivas.

E, no entanto, já devem tar todos a pensar, "bem que seca de vida", ou "já tá aborrecida", pois mas não, nada disso, no início custou imenso entrar neste ritmo, agora é mecânico, adoro começar o dia bem cedinho e pôr o cerebro a trabalhar mesmo que ele esteja cheio de preguicite e insista no "quero dormir, quero ir dormir, quero ir", mas já lhe vou dobrando as manias e ele agora já me obedece.

 

Mas este post não é sobre a minha vida aqui, a vida de estudante que me dá gosto pela primeira vez na vida, nunca gostei muito de escolinha, não que aqui ame, mas gosto e também não sei explicar porquê... por isso, não perguntem, não saberia bem explicar, mas sei que sinto!!!

Mas ia eu a dizer, este post é sobre quebrar a rotina e ir a Shanghai ver amigos, estar com eles, estar numa cidade que gosto, e que é mais limpa, moderna e cosmopolita, citando a Rita, aquando da sua ida a Shanghai no ano passado, "A cidade do momento, o sítio para se estar. O presente e o futuro. :)"

É como viver na aldeia e ir à cidade, mas vá eu vivo numa "aldeia" com quase a população de Portugal, sim, Wuhan tem 9M de pessoas, e poucos estrangeiros, ainda que cada vez mais. Enfim, mas também não é sobre Wuhan, isso fica para outro post. O meu medo, sim é esse o título e já ando aqui perdida, mas o motivo pelo qual vou a medo prende-se com N razões. Medo de me sentir deslocada, medo de sentir que Shanghai já não me diz muito, medo de me sentir perdida, de a bem dizer me sentir "lost in translation", é este o termo exacto.

 

Acho que o meu ritmo e estilo de vida é tão diferente daqueles que vivem em Shanghai, talvez também por ser estudante e viver neste ambiente internacional de estudantes, mas tenho receio de ao fim e a ao cabo me sentir "um peixe fora de água" e que aquelas águas me pareçam agora demasiado agitadas para o peixinho que agora vive no lago e já não sabe nadar no rio grande.

 

De qualquer maneira, vamos lá ver, lavar as vistas, passear, e palrar muito em Pt!!!

Será, senão espectacular, diferente!

 

Inté,

A dona desta "mandarina" vai de férias, volta já!!!

 

PS. Ritinha levo-te no meu big 心 com a certeza que para a próxima vez iremos juntas:)

 

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Os bastardos da política do filho único

por mandarina, em 01.11.11

Ontem uma das notícias em destaque no sapo.pt sublinhava que a China não abdicará da política do filho único, política essa que entrou em vigor há 30 anos e que segundo especialistas chineses evitou o nascimento de "cerca de 500 milhões de nascimentos desde sua introdução". Não quero focar-me na política que só por si é extremamente polémica, e que por uns é considerada a única maneira de impedir a superpopulação, e por outros, é vista como uma lei injusta que só discrimina os mais pobres que como não têm capacidade de "pagar" a multa que advém do nascimento do segundo filho se vêem marginalizados enquanto que os mais ricos podem sempre contornar esta lei e "pagar" o segundo filho.

 

É bem verdade que as coisas funcionam assim, muitos chineses que conheço têm irmãos e muitos pensam ter dois ou mais filhos, por isso, a verdade é que esta política é também mais uma forma de corrupção e, que mais uma vez põe a olho nú a discrepância entre ricos e pobres. Quem pode e quer pode ter mais filhos, mas sem querer ser cruel, não é justo que num país tão populoso faça sentido ser assim. A meu ver, nas famílias mais pobres, os filhos são, muitas vezes, uma fonte de mão-de-obra, uma "mão a mais" para ajudar no negócio da família, ou mesmo em casa com os mais velhos. Bom, sinceramente não me cabe a mim julgar a razão e a predisposição de pessoas mais pobres para quererem mais filhos, não digo que em todos os casos seja assim, mas muitos desses nascimentos evitados com a político podem ter significado o estancar  da pobreza do país, e, por outro, como também já se provou, veio fazer com que a população activa estagnasse e que em muitos sectores se sinta a falta de mão de obra jovem.

 

Sinceramente para mim o pior nesta situação, não são as crianças que não puderam nascer nem as famílias que viram frustradas a vontade de aumentar a família, aqui em destaque neste vídeo é precisamente a situação precária em que vivem as crianças que contra a lei acabaram por nascer e que hoje não são nada aos olhos da sociedade chinesa porque não têm identidade, não têm quaisquer direitos, não tem direito à educação, nem à assistência médica, nem ao trabalho, nem sequer o direito de se deslocarem de transportes como o comboio, avião, barco etc... a não ser numa situação ilegal.

Acho tão chocante esta situação, coloco-me no lugar desta rapariga do vídeo e só consigo sentir angústia, não ter direito a ser mais do que "ninguém", viver à margem mesmo tendo vontade de querer pertencer à sociedade e não poder fazer nada contra isso, porque os pais decidiram que ainda assim viveria sem identidade, viveria para a família e só dentro dela.

Nem sei, é uma situação tão extrema, tão insólita que nem consigo, quando a oiço contar a sua história, materializar o que significa não ter identidade, ser uma sombra, como se não existisse. Acho triste a história destes "meninos-negros" e acho que é desumano simplesmente ignorá-los e marginalizá-los e chego mesmo a pensar que sinceramente, como no vídeo alerta o especialista, é legitimo que um dia se insurjam contra o sistema e que se tornem criminosos, porque no fim de contas, se não têm quaisquer direitos também não têm de respeitar leis e uma sociedade que prefere simplesmente fazê-los desaparecer das estatísticas pelo bem do país, qual quer que seja esse bem.

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