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Estado actual da rebaldaria

por mandarina, em 17.11.11

Ah pois, época de exames acabou, os primeiros que tive na China, os chamados exames intercalares. Já sei que chumbei a um, passei nos outros quatro, das notas miseráveis não vamos falar, falemos, aparte de desgraças, de outro tipo de desgraças. Métodos de ensino em voga nesta bela instituição e do caos que reina nela.

Bom eu falo claramente do que vejo e experiencio, não sei como anda a bagunça nos outros niveis, o meu é nível iniciado escalão intermédio e eu posso jurar a pés juntos que as professoras não sonham o que é ensinar com coerência, duas delas pelo menos.

Uma é maniaca dos tpcs, pensa que não temos vida para além das aulas dela, obriga as pessoas seja porque motivo for a telefonar sempre que faltem às aulas porque exige ser avisada, ainda que a desculpa por não ir seja normalmente uma mentira, a mais comum, "estou doente, professora", sim porque se estiver mesmo doente a primeira coisa com que me vou preocupar é ligar às 7h da manhã à professora a avisar de tal facto. Segundo sintoma de falha definitiva da massa cinzenta daquela cabecinha, julga que nós lhe devemos alguma coisa e que se não somos bons alunos como ela espera que sejamos é culpa nossa, não dela porque está visto que se julga uma professora e pêras. Terceiro, seja segunda, terça, quarta, quinta ou sexta, todos os santos dias, passa 2 horas a gritar, dá as aulas a gritar, quem quer que esteja fora da sala ouve-a a gritar, acha bem que para a ouvirmos bem o tenha de fazer a gritar. Eu não posso com ela, principalmente porque ela só sabe gritar, porque como prof. já vi pior.

 

Enfim, mas ela é maluca ponto final, a de compreensão também não encaixa bem, deu-lhe para fazer um exame, pela segunda vez, mas ainda mais dificil que o anterior. Resultado: chumbou toda a gente e desapareceu com o exame, mas afixou as respostas certas. Vá-se lá entender, sim porque o que conta é que vás ver as respostas e na melhor das hipóteses consigas fazer as contas por ti próprio baseado nas respostas que sabes que acertaste...Ó Maria, mais valia estares quieta e seres razoável. Espero que te puxem muito as orelhas no "office" pela professora incompetente que és.

 

Estado das coisas: confusão e caos, principalmente naquelas cabeças.

A professora, a doida e maluca, que é também a chefona das outras 3 (tenho 4 prof.), hoje então estava uma pilha, ao que parece o senhor que estava no fundo da sala era inspector e estava a avaliá-la. Parecia uma galinha tonta e zarolha, sempre a sorrir, sempre a querer mostrar que os alunos lhe dão atenção, a inventar exercicios patéticos, algo nunca visto.

Amanhã em vez de um inspector vão ser prai uns 5 ou 6, resultado: mandou tpcs impossiveis e que nunca mais acabam, mandou decorar uma data de textos, e ameaçou que amanhã toda a gente não ouse chegar atrasado e que é obrigatório que quando ela pedir para fazer algo todos levantam a mão, ou seja todos se dêem como voluntários ainda que não sejam capazes de o fazer.

 

Ai não fosse eu bolseira, e temer pela minha estimada bolsa, amanhã não ponha o cú neste circo, ela stressa-me e preocupa-me... Mas quem sabe se a partir de amanhã algo não muda. Eh, mas para melhor, espero, que se for para pior, o caso fica negro.

 

加油,加油老师!!!哈哈哈哈  - - Força professora, estamos contigo, LoL ou nãooooo...

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Re(a)lações pra quê

por mandarina, em 15.11.11

Ísto, (o acento no i é propositado) porque necessito vir extravazar porque acabei de ver uma das meninas asiáticas a laurear a pevide na rua e eu a arrancar os cabelos a estudar para o exame de 听力 (tingli=audição) que é só a minha maior dor de cabeça. Eu aqui roída de inveja dos asiáticos todos que só porque na língua deles têm prai uns 7, 8 ou 9 tons e depois com o chinês (de 4) acham uma brincadeirinha...heeeee!

 

Bom mas o post, para descomprimir logo não se espera que saía daqui grande coisa, é sobre as relações ou devo antes dizer ralações. Sinceramente, confesso que assumi uma relação ultimamente, é uma relação complicada, que exige imenso de mim, não me deixa dormir, não me deixa comer sossegadamente, tira-me o apetite, cria stress (tenho o meu ombro num 8), dá dores de cabeça a toda a hora, tira-me todo o espaço, a bem dizer...apoderou-se da minha vida. É uma relação atribulada de amor ódio, às vezes dá -me alegria, outras só me provoca uma imensa tristeza e faz-me mesmo desesperar. Outras dá-me vontade de começar o dia bem cedinho e ir toda contente para as aulinhas, outras só me faz amaldiçoar o cabr** do despertador e desejar (figurativamente) morrer!

 

É uma relação exaustiva, resolvemos há 3 meses assumir este compromisso e agora é só exigências, e mais exigências, das cedências essas tenho ouvido falar muito pouco, se lhe falo ele vinga-se, se o ignoro ele castiga-me, se o tento esquecer ele faz-me sentir na pele as consequências desse acto. É uma relação extremamente injusta, lá está, muito pouco equilibrada, eu preciso dele, ele tá-se nas tintas para mim, tanto se lhe dá como se lhe deu, e eu, bem tento dar uma de irreverente, mas no final de contas, lá volto a procurá-lo, a pedir-lhe desculpa e perdão para que me aceite de novo. Invariavelmente, tenho de dar o corpo ao manifesto e de acatar as suas vontadinhas todas...

 

Quem disse que as relações eram justas...pois ninguém, esta é extremamente injusta. Eu bem tento impor-me, mas ele leva sempre a melhor, e eu como sua fiel (uma das muitas que tem) namoradas cedo sempre aos seus encantos e abomino-o pelos seus defeitos. Afinal, a mal ou bem, seja por quanto tempo durar, assumimos (assumi eu) este compromisso e cabe-me a mim não outra coisa senão honrá-lo. Tal como em qualquer relação desiquilibrada, o elo mais fraco (neste caso eu) pede, arrasta-se e suplica pela divina compaixão, ama-se sempre mais o que não se pode realmente ter, e mesmo assim, idolotra-se o personagem, idealiza-se a bela história com final feliz, imana-se paixão na triste ilusão de capturar a essência total. Tal como nas histórias de amor mais trágicas, o final adivinha-se não tão feliz, não tão perfeito, mas as paixões são como os sonhos, lutam-se por elas ainda que se saiba nunca poder vir a concretizá-las.

 

Ele, contudo, apesar de me ter prostrado aos seus pés e o fazer dia após dia, ainda não cedeu aos meus encantos. Um dia cederá, vamos acreditar, já diz o ditado "a esperança é a última a morrer"!!!

 

A minha re(a)lação tem nome: 汉语 (hanyu) tchanananan mandarim

Mas vocês pensavam que eu tava a falar de quem? eu bem deliro mas nunca (espero eu) tanto para algum dia me subjugar assim a um espécimen masculino

 

哈哈哈哈 (hahahaha)

 

p.s e sim, esta (relação) absorve-me toda a energia possível que eu tenho e ainda assim o estúpido faz pouco de mim:@

 

 

nota: este post é o resultado de muito pouco descanso, dose extra de stress, dose minima de sanidade mental depois desta semana e meia de exames...

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Exames - 考试 (kaoshi)

por mandarina, em 15.11.11

Época de exames...os chineses e os exames, o quanto não haveria para escrever acerca deste tópico. Para além de os estudantes chineses passarem a vida a fazer trabalhos de casa, que é normalmente proporcional ao seu tempo livre, passam a outra metade a preparar-se para os temidos exames, porque a pressão é enorme e porque é uma vergonha o aluno não passar nos exames, por isso, o medo e a vergonha é o sistema a que os professores recorrem como método de os obrigar a estudar sempre, mais e melhor. A exigência é grande, a pressão ainda maior, e as expectativas sempre lá no alto, depois é vê-los a matarem-se e a matar o tempo livre em prol dos standards a que aspiram. Num país em que, o nível de competição é alto e em que ser fraco ou preguiçoso é o mesmo que ser falhado, é ponto assente que a sua vida gire à volta dos exames e dos resultados que obtêm deles. E estudar significa normalmente pôr tudo para dentro da cabeça tal e qual o professor o ensinou. Se as respostas saem ao lado então é porque a atenção nas aulas ou a fazer os tpcs foi pouca e o poder de memorização anda a falhar, porque não se pede que os estudantes pensem por si, senão que sigam à risca as regras e não andem para ali a inventar que depois faz o professor ter de pensar e pensar dá trabalho como o caraças!

 

Mas como é sabido, os professores são exigentes, exigem pelo menos que as respostas estejam conforme o que ensinaram, por isso, alunos toca a decorar, decorem tudo, bem decoradinho, que isso é o suficiente para tirarem boas notas, boas notas essas que fazem o professor feliz e dá-lhe a sensação que o rebanho não anda perdido e que, assim, não terão problemas a explicar aos superiores o porquê da sua falha enquanto professores.

 

Odeio exames, mas daí sempre odiei, não é so desde agora, é desde que sou criança, poucas vezes os falhei, e sempre que isso aconteceu senti uma imensa vergonha, nunca fui capaz de ser leviana o suficiente para pensar, "quero lá saber, é só uma m***a de um exame". Ainda hoje penso assim, se recebo uma má nota sinto vergonha e sinto-me extremamente desiludida comigo mesma porque sei sempre, disso nunca duvido nem quando o exame é mesmo dificil, que podia ter sempre feito melhor.

 

Com os exames da passada semana foi assim, não correram bem, a culpa não é de mais ninguém senão minha. E, no entanto, já lá vai o tempo que olho para os exames como uma prova de fogo que senão for passada significa que sou uma falhada. Sei da importância dos exames, e sei que, apesar da pressão e até alguma injustiça por em 2 horas ser obrigada a mostrar aquilo que aprendi em 2 meses, é muito importante que existem estes momentos de avaliação, porque nos obrigam a rever, porque nos obrigam a estudar e porque assim conseguimos avaliar as nossas fraquezas e, o mais importante, que nos dêem conta da nossa evolução. Por isso, neste sentido, um bem haja aos exames.

 

Falo por mim, porque realmente interessa-me pouco como as outras pessoas encaram os exames, cada qual com os seus fantasmas, a mim chegam-me os meus. Eu sou stressada com os exames, lá está sempre fui, corra pelo melhor ou pior, nunca me satisfaço com pouco e com muito só momentaneamente, mas vou amadurecendo e, especialmente, nesta fase da minha vida penso que os exames no seu cômputo global só tem uma função que é a de me permitir avaliar até que ponto estou a evoluir e de que forma posso mudar para poder evoluir mais. Os exames (o conhecimento que deles advém) não é um meio em si para provar o quão excelente aluna sou, ou seja, "ai tirei 99% no exame que feliz que estou". É antes um meio para atingir um fim, que no meu caso, será o domínio da língua de modo a usá-la e tirar partido dela.

 

Não importa o conhecimento que adquiras se, ao fim e ao cabo, nunca descubras como pôr esse conhecimento em uso. Por isso, os exames são a forma que tenho para me aperceber o que tenho de melhorar, e não para provar que sou mais ou menos capaz, porque cada meio deve ter um fim em vista, e não existir por si isolado de contexto. O meu objectivo é em 2 anos saber falar chinês de maneira fluente e poder usar a língua como instrumento de trabalho. Para outros, certamente, será pelo prazer de estudar e de superarem provas, o que só prova que a forma como cada um usa o conhecimento difere de pessoa para pessoa. Mal seria se assim não fosse, era mesmo uma seca se fossemos todos iguais uns aos outros.

 

PS. vou masé estudar que amanhã há exame...o Último até daqui a um mês e meio

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Momento embaraçoso do dia

por mandarina, em 14.11.11

Estava eu a fazer algo que nunca faço, que é estender os meus soutiens no entendal que tenho à porta, do lado de fora do quarto, e digo que nunca faço porque tenho um estendal próprio para a roupa interior e que deixo sempre na casa-de-banho. Hoje por acaso, não sei o que me deu que tive a ideia de os pôr lá fora, bela ideia, no momento que os tava a estender ouvi o elevador a parar e então aí, porque para além dos soutiens não tinha mais nada no entendal, corri a buscar um vestido para ocultar os soutiens, bem que a intenção era boa, era, mas não fui a tempo e o rapaz que passou por mim viu-os claro, aos soutiens e à minha atrapalhação para os esconder, vai daí que entoa um bem sonoro "HI" e eu, cabisbaixa, e a fazer de conta que não era nada comigo e que não tava minimamente envergonhada pela situação, digo um Hi bem pequenino e envergonhado e ele lá segue com um sorriso nos lábios.

Ai sinceramente, que mau timing pah! Reconheci o moço, no outro dia, pediu-me à descarada, como se fosse minha obrigação saber, ajuda para perceber como funcionava a máquina de lavar, pois, com pena minha, não consegui ajudar, queria centrifugar a roupa e eu não sei qual a função, lá está a função está escrita em caracteres chineses. E ele a insistir comigo e eu "pois mas eu não sei" ai, teimoso. És bem giro e grande e tens uns belos olhos azuis ou verdes, ainda não percebi bem, só tens é um enorme defeito, acho que és daqueles países onde as mulheres não são propriamente muito bem tratadas e isso tira-te de súbito a piada toda...

 

Belos momentos para acabar um dia em beleza :-O

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Homesick

por mandarina, em 14.11.11

Faltam exactamente dois meses para as férias de Inverno, dois meses para acabar o primeiro semestre, e parece-me uma eternidade. Digamos que vamos a meio do semestre e eu já começo a sentir os primeiros sinais de cansaço e de saturação. Talvez seja só uma fase, e que, quando passar esta época de exames e de receber notas e tudo o mais, que maça e que perturba, porque sinto que fico sempre aquém das expectativas, talvez então aí volte a sentir-me com mais energia.

Mas no final, não é só cansaço, é também saudades de casa, saudades de Portugal, saudades dos amigos, da família, saudades dos meus, do sitio a que pertenço, da comida que gosto, do tempo que adoro, das pessoas com quem gosto de estar, dos sitios que me fazem verdadeiramente sentir feliz e que me dão a sensação de pertença.

Faltam dois meses para as férias, que serão de um mês, e eu não faço ideia com o que vou fazer com esses 30 dias de férias, trabalhar é uma das hipóteses, viajar um pouco por aqui e por ali é outra, mas o que verdadeiramente acho que me faria bem era ir a casa, mas essa questão por agora não se põe. É uma viagem que me custa horrores fazer, odeio mesmo, é penoso, amaldiçoo esta distância que não dá para encurtar nem por nada, e prefiro pensar que vai passar rápido. Além de ser uma viagem que normalmente entre escalas, check-in e check-out, esperas intermináveis, etcs acaba por demorar sempre mais de 20 e tal horas é, além disso, uma viagem que fica cara; e a bem dizer, 700 euros, na melhor das hipóteses, para ir 2 ou 3 semanas a casa parece-me um preço um pouco alto demais principalmente quando se é estudante e não se pensa recorrer à familia para pagar a conta. Fora de questão.

 

Bom, se eu já não me conhecesse, diria mesmo que me deixei atacar pelo stress da última semana de exames, e de uma maldita inércia que não me deixa em paz nem por nada. A passar esta fase vou certamente reencontrar a vontade e energia que me tem faltado ultimamente.

Estar homesick faz parte quando se está alheado de tudo e de tudo o que nos faz sentir em casa, que nos faz sentir dentro da nossa zona de conforto, agora resta é saber se eu aguento um ano na China sem quebrar. Da experiência passada, os 6 meses em Shanghai não posso dizer que tenham sido um mar de rosas, mas, nessa altura, não era tão forte como agora, ou pelo menos, estou a contar que seja mesmo. A ver...só o tempo o dirá.

 

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糟糕 What a mess!!!

por mandarina, em 11.11.11

ZAOGAO (糟糕) - ou que rica porcaria!!!Foi assim que correram os exames desta semana. "Ah queres ir para a rambóia na semana anterior aos exames? Ah pensavas que em 3 dias, com pouqíssimas horas de sono em cima ias dar conta de aprox. 500 caracteres. Pois bem te enganaste?" A minha consciência a falar mais alto...trop tard!!!

Enfim, não correu lá grandes coisa, ontem o de gramática, que achei fácil, porque se baseava integralmente no livro, mas ainda assim saber um livro inteiro e de cor em 2 dias pareceu-me surreal...e foi! De tarde, o de Oralidade, bela piiiiiiiiii..., a professora fez tudo mal, iamos um de cada vez fazer o exame, à frente de toda a gente, logo toda a gente ouvia o que os outros faziam, supostamente uma vantagem para quem ficava para último, e desvantagem para quem tinha de se sacrificar e ir em primeiro lugar. Bom, lá para o meio o exame acabou por virar palhaçada, depois de se comentar o exercício já ninguém estava a levar aquilo a sério e as conversas iam intensificando-se e já não se percebia nada de nada, os colegas da Korea ainda acharam giro começar a trancar um moço lá fora na varanda e só se riam, eu perante isto não sabia se haveria de rir ou chorar, comportamentos infantis durante um exame parece-me extremo. Bom, mind your own business, então voltando ao exame, passámos da hora que era suposto o exame acabar mas ele continuava, afinal 20 pessoas irem 4 vezes ter com a professora "takes time, a lot of time" (demora pra caraças)! Posto isto, menos tempo para preparar o exame de hoje, da bela dor de cabeça que é a disciplina de Leitura.

Nas aulas já se percebe pouco, do exame o que dizer, mais parece uma charada que um exame, ele é caracteres que nunca vimos na vida, ele é perguntas que não percebemos porque lá está nem os caracteres conhecemos quanto mais o significado da pergunta, e ele é respostas que fazem tudo menos sentido, porque uma vez que não percebes a pergunta como se há-de conseguir encontrar a resposta. Há e depois a professora, que de todo não bate bem da bola porque certamente ainda não se apercebeu que o nosso nível é iniciação intermédia e não nível avançado, ainda se lembra, de dizer que o exame é baseado no anterior, e esquece-se de dizer que vai incluir escrever pinyin! Escrever pinyin, "whati", sim é importante mas eu vou lá decorar o pinyin de 200 caracteres, sim, talvez até devesse, mas não é normal fazê-lo se nem sequer sabíamos que o tinhamos de fazer.

A sério, exame surreal, e no fim do exame a prof. ainda veio ter comigo e perguntou-me "oh não conheces estes caracteres" eu nem respondi, só fiquei a olhar para ela com cara de parva, ao que ela continuou "de certeza que não conheces estes caracteres, este é o "tao"" e eu a pensar, olha que rica ajuda o tao, o dao, o mao...eu sei lá que "tao" é que é, e ela continua a olhar para mim e risse. (Grande suspiro)!!!

 

Enfim o que dizer senão ... ZAOGAO 糟糕

 

P.S pensei que hoje nunca mais chegaria, chegou finalmente e agora já volto a ter vida, que agora, apesar de faltar o exame de audição para mim um dos mais temidos, já posso dormir, ir às compras (comida), jantar, almoçar, voltar ao ginásio e sair do quarto quando me apetecer, e não passar horas a fio a olhar e a desenhar caracteres, a decorar-lhes o significado e a recordar se o traço fica aqui, se vai ali, se tem se não tem...

 

 

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Intransigência chinesa

por mandarina, em 10.11.11

Esta é uma das barreiras culturais em que mais esbarro e a que me tira mais do sério. Os chineses, e agora é com pena que o vou dizer, mas, em geral, não sabem pensar por si próprios, sabem seguir regras e tudo o que for pôr em causa essas regras é uma dor de cabeça para eles.

Fico estupefacta como a maior parte deles não sabe agir de outro modo que não o modo que as tais regras ditam, e esta forma de ser tira-me do sério, a mim e à maior parte dos que têm de levar com estas regras.

Será que nunca ensinaram que as regras só são boas e perfeitas até ao momento em que dão problemas, e que, quando este momento surge signigica que a regra está a falhar e, que, por isso, nessa altura é bom deixar a regra de lado e pensarem pelas suas cabecinhas uma vez na vida. Percebo que pensar por si custe, e andar em rebanho seja mais fácil e que seja à maneira chinesa porque o individuo não tem querer ou não querer, tem é de obedecer e não provocar confusão porque eles devem pensar  que, no minino, se metade de 1.3 biliões de pessoas começar a questionar cada regra idiota que seguem, então aí é o fim do mundo.

Pois bem, e como lida um estrangeiro com estas intransigências todas?  tá visto que não lida bem , e o que fazemos ou tentamos fazer, como na nossa cultura nos ensinaram, ordeiramente, é questionar, revoltarmo-nos e bater o pé e tentar provar que há outras maneiras de ver e resolver o problema, muitas vezes causado pela obediência das esúpidas regras que eles inventaram.  Mas aí então é que surge o problema, eles não sabem lidar com mais do que uma opção, especialmente se essa não for contemplada na regra.

 

Incompetente e preguiçoso, é como eu classifico o staff chinês, para além disso têm medo, têm preguiça de questionar, e lavam, sempre que podem, as mãos, afinal nem é o trabalho deles que é exigido que façam bem, não, o problema é de quem os vem incomodar e lhes quer arranjar problemas. A sério não há pachorra para tanto comodismo e burrice. A sorte deles é que eu com o meu chinês primitivo não os posso incomodar muito nem não arredar pé até que me resolvam o problema, senão coitados iam arrancar os cabelos com as minhas reclamações.

 

Já não é a primeira vez que me esbarro com este obstáculo e passe o tempo que passar vou sempre esbarrar nele por melhor ou pior que fale chinês, normalmente só reajem quando nos mostramos mesmo furiosos, e aí pensam "é melhor acalmar o laowai (forma como tratam um estrangeiro regra geral) e tentar resolver senão ainda me arrisco a arranjar problemas sérios e até mesmo perder o emprego". Se mesmo a fúria não resultar, podem sempre ameaçar chamar a polícia para tentar resolver o problema, já vi esta estratégia funcionar.

 

Por mais que tente ser benevolente e ter em conta que eles não cresceram numa sociedade que os ensine a criticar, a pensar por si próprios, é com angústia que lido com estas situações e que penso que triste que é não ter a capacidade de julgar até que ponto a regra faz sentido e quando deixa simplesmente de fazer. Mas é assim que por aqui funciona, e salvo rara excepção, todos segue as benditas regras, as sagradas regras criadas por uma elite e que ir contra o pensamento da elite é impensável e sobrehumano já que, os que mandam, mandam, e ponto final. O que fica para além disso o raciocinio não alcança.

 

 

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Das dores de cotovelo

por mandarina, em 09.11.11

Se há situação que me deixa mesmo desconcertada é a capacidade e vontade de disputa das mulheres relativamente ao mesmo homem. Por melhor que ele seja, eu não acredito que ele valha tal disputa, é que entrar em confronto com outras por causa disso não faz sentido algum, pelo menos na minh cabeça não faz. Que atitude mais mesquinha. E se há coisa que me deixa de muito mau humor é que me tentem atingir e "tentem" humilhar às custas de tal disputa, da qual eu não quero pretendo fazer parte mas na qual acabo por me ver envolvida. Aí fico mesmo mal disposta, porque o problema não é meu, não sou eu a culpada que a pessoa em questão não esteja a dar bola à pessoa "interessada", e como eu não sou um obstáculo detesto ser tratada como tal. Por isso, perante tal comportamento reajo mal, que posso ser muita coisa, mas sonsa e idiota é que não sou mesmo. Tenho o discernimento de levar tais picardias na desportiva e nunca assumindo uma atitude agressiva quando muito sarcástica até porque, sinceramente, a meu ver, estas "picardias " só servem para encher o ego deles, que se vêem cobiçados e ficam, salvo rara excepção, de peito inchado.

 

Não admito ser mal-tratada, também não tenho sangue de barata, e normalmente estas parvoíces só me fazem rir interiormente ao ver que muitas mulheres voltam à sua infância e andam para ali a ver quem leva o Ken para casa. Eles, posto isto, é normal e legítimo que fiquem com o ego a chegar ao tecto e depois, ouve-se inúmeras vezes, mulheres a queixar-se que os homens têm mania a mais, e esquecem-se que a culpa é invariavelmente delas.

 

Há várias maneiras de chamar a atenção, e eu opto sempre pela mais discreta que não nasci com personalidade de pavão, se, no entanto, isso os atrair então é porque preferem as que dão nas vistas à grande. Tenho sempre em conta que mais vale deixar a "parada" a fazer figuras tristes e, normalmente, tento não provocar ninguém nem provar que sou melhor que fulana tal, uma vez que acredito que não tenho de entrar em competições com outras para provar o quanto valho. Valho por mim própria, felizmente e, não em comparação com outrém.

 

Fico desconcertada com as atitudes infantis de certas muheres, que se usam de uma língua afiada e venenosa, com a intenção de rebaixar, de se afirmarem melhores, e principalmente, o que é, normalmente, mais grave é chegarem ao ponto de ser mal-educadas. Sinceramente, faço por tudo por ignorar mas não deixo que passem sem um "abre-olhos" porque, o problema, infelizmente para elas e felizmente para mim, não sou eu, são mesmo elas que descem de nível e só se rebaixam com atitudes destas. Uma mulher que sabe o seu valor vale e brilha por si própria, já a que não se fia nele acabará por ficar sempre aquém das expectativas (suas e dele) e passar a vida a temer que "outras", na sua opinião, melhores (porque passam a vida a comparar-se), lhes venha roubar o homem.

 

E ciúmes todo(a)s sentimos, mal seria se assim não fosse, agora deixar que eles nos ceguem e que sejamos mesquinhos com quem mal conhecemos é fazer uma figura muito triste. Um homem não é um troféu para ser exibido nem um animal de estimação para ser puxado pela trela, e sim, uma vez mais, como quase tudo na vida também nesta questão "less is more"!

Sinceramente, é, com tristeza, que constato que a falta de amor e auto-estima das mulheres é a doença crónica mais grave de que sofrem! É uma pena que assim seja...

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Atitudes Vs Palavras

por mandarina, em 08.11.11

Esta foi uma das licções de vida que talvez me custou mais a encaixar na cabeça e coração, mas que finalmente interiorizei, e espero que de um modo definitivo porque já sofri alguns dissabores por não ter tido em conta que no final de contas, não são as palavras que contam, o que conta realmente são as atitudes. Tenho testemunhado que isto se aplica a todas as pessoas, as que dizem A e fazem B, as que criticam A e depois fazem como A também fez, as que julgam que as palavras valem mais do que os seus actos, e as que acham que as palavras desculpam os seus actos. Pois, eu também não sou perfeita e posso também eu (tento por tudo não o fazer) dizer A e fazer B, se calhar mais inconsciente do que conscientemente, porque aprendi, às minhas belas custas, que é muito bonito dizer, jurar, prometar coisas bonitas, elogiar, e pronunciar palavras de fazer chorar as pedras da calçada mas que depois não são em nada fiéis às atitudes da pessoa, e cujas acções (ou falta delas) acabam por desmentir todo esse palavreado, lindo sim, mas falacioso.

 

Aprendi que sabe bem ouvir palavras bonitas mas que se elas não passarem disso, então mais vale não serem sequer pronunciadas, é bonito dizer aos outros que sentimos coisas boas por eles, mas se não agimos de forma a provar o que dizemos então para que vale a pena dizer.

Felizmente, tenho tido a sorte de não só ouvir palavras bonitas mas mais do que isso ouvi-las fazer sentido e ter o privilégio de vê-las justificadas pelas atitudes que não deixam mentir. Felizmente, rodeio-me de pessoas que primam mais pelas suas atitudes e destacam-se por elas, e quando isso acontece as palavras são o complemento perfeito porque aí sim vêm comprovar o que ficou assente nos actos, e, neste caso, as palavras servem para nos fazerem sentir pessoas melhores, bons amigos, bons amantes, boas pessoas de uma maneira geral.

 

As atitudes são o espelho da alma de uma pessoa, já as palavras são simplesmente o reflexo de algo que nem sempre é necessariamente verdadeiro nem necessariamente bom porque lhes falta o vigor das atitudes. Para mim, também por isso, é preferível fiar nas atitudes do que em palavras porque já dizia o ditado "Palavras, leva-as o vento"!

 

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Let´s get it started!

por mandarina, em 08.11.11

Ontem comecei as tão ansiadas aulas, fui substituir um professor a tempo inteiro, e estava previsto ter dois alunos, um muito calado e tímido e o outro um senhor mais agressivo, nas palavras do Sunny, o meu (nosso) "boss". Só o rapaz quis ter aula, e também pouco me interessa saber as razões do outro ter cancelado, primeiro revi o plano da aula com o supervisor dos professores até o meu aluno chegar. À primeira vista parecia nervoso mas segundo o "boss" o moço era mesmo assim.

Bom, lá fui eu dar a minha aula, com a indicação do sempre simpático Sunny que apesar do meu sotaque ser "sweet" eu não estava ali para falar pelos cotovelos e que o objectivo é fazer com que o aluno fale, porque o ponto fraco deles é a Oralidade. Deu-me o livro do professor e disse "tem cuidado a controlar o tempo". Bom, a aula correu bem, a minha auto-avaliação é positiva de um modo geral, o aluno gostou, disse que seria bom ter mais aulas comigo. Aprendi que o tempo é tramado para controlar, quando olhei para as horas ia tendo uma coisinha má, faltavam 10 min. e eu ainda tinha 2 secções para ver com ele, e aí ups, meti o turbo e coitado assustei o rapaz que ficou a olhar para mim e a pensar para si próprio, esta prof. é doida, bom depois como vi que o pobre rapaz estava aflito pensei, "que se lixe (por hoje) o tempo" porque a meu ver, dei uma hora e um quarto de aula mas pelo menos ele ficou contente e não a apanhar moscas. O chefinho a bem dizer também nem ficou a saber, senão acho que talvez me chamasse à atenção para a questão do tempo.

Segundo ponto, eu supostamente devia falar 10% da aula e fazê-lo falar 90%, devemos ter ficado pelos 40% e ele 60% , dei por mim a falar mais do que devia, e a interrompê-lo quando ele se engasgava. Tenho de aprender a controlar-me e a calar-me já agora!!!

Tirando estas duas questões correu bem, vou tendo isto tudo em conta para próxima vez, o chefe gostou, disse que fiz um bom trabalho, e o aluno também parece ter ficado contente. No fim, tive de o avaliar, dei-lhe, se calhar fui muito generosa, boas notas, ele também foi um aluno esforçado e não demonstrou dificuldades acrescidas tirando quando eu disse em 5 segundos o que demoraria uns 2 minutos a dizer. Tive dificuldade na parte da gramática, o meu grande tendão de Aquiles, não sei explicar coisas óbvias que sei como funcionam mas não sei como se explicam, felizmente nunca terei de dar nesta escola aulas de Gramática, eles deixam a parte aborrecida para os professores chineses, ufa!

 

Gostei, senti-me útil, cheia de pica, com vontade de continuar para ali a falar se preciso fosse, com vontade de fazer-lhe N perguntas.

P.S o chefe para mim "smile is always a good thing" pois lá isso é verdade, e eu quando estava a ouvir o aluno só fiz sorrir!

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