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O grande Dragão

por mandarina, em 03.01.12

Depois de ler este artigo e, constatar que tudo isto é verdade, a China está a ponto de tornar-se a dona do mundo, será ela a ditar as regras do jogo e a senão mudá-las, a geri-las à sua maneira. Não é preciso perceber muito de política e mercados financeiros para saber que a China está com a faca e o queijo na mão. Bom sinal ou não? A seu tempo o descobriremos, mas uma coisa é certa, os chineses têm garra, perseverança, determinação. E mais, tem muita ambição. Desde o jardim de infância, sim as criancinhas de 3 anos dos papás ávidos pelo conhecimento da língua universal (inglês salvo seja) põem as criancinhas aos fins de semana de manhã a aprender 3 horas seguidas de inglês quando se sabe que uma criança tão pequena nunca se consegue concentrar mais de meia hora seguida. Além disso, os adolescentes e jovens não tem vida social por aí além, por isso, não se importam muito de sacrificar todo o tempo-livre no seu enriquecimento enquanto cidadãos e a levar avante o crescimento do país. São ávidos por riqueza, aqui não há religião que os cegue, nem espiritualismo que lhes valha, trabalham muito, esforçam-se mais ainda, podem até dar a sensação que trabalham como um rebanho mas é mais cada um por si. É isso que vejo todos os dias. Cada qual por si, e numa sociedade em que ser o mais forte é dificil, a competição está-lhes no sangue e vivem para vencer, ainda que muitos para sobreviver. É uma sociedade que vive com os olhos postos no futuro, naquele em que eles deixarão de ser a fábrica do mundo para passarem a ser os patrões do mundo e das grandes empresas do mundo.

 

Muitos dizem que esta China com a mania das grandezas é uma China rude, mas eu diria antes, é uma China que quer provar que não deve nada a ninguém e usa-se do seu poder económico para fazer valer a sua vontade perante uma Europa cansada, uma América amedrontada, e o resto do mundo meio perdido entre guerras e governos fracassados. A China perante este cenário avança certeira, e não tenho a minima dúvida que falta tão pouco para o mundo lhe pertencer e lhe obedecer. Eles continuam dispostos a pagar o preço que for necessário.

 

E depois, com que olhos eles nos vêem? Vejo nos chineses um misto de curiosidade e de desdém perante os estrangeiros, alguns são mesmo arrogantes, e vêm esta invasão de estrangeiros com olhos pouco amigáveis, até mesmo com um trejeito de troça, como quem diz "pois com o barco a afundar na Europa vêem na grande Nação a tábua de salvamento". Aos olhos deles, podemos ainda não ser uma ameaça (nós os expatriados), a maioria jovens com poucas oportunidades de emprego na Europa ou então empresários que vêm aqui vender os seus produtos, mas que, no geral, sempre que um chinês toma conhecimento dos muitos estudantes estrangeiros a aprender a sua língua fica com um brilhozinho nos olhos, um brilho de malicia, diria até, como que, suspeitando que nós precisamos deles mais do que eles precisam de nós. Ainda que não saibamos se é mesmo assim, uma vez que o chinês nunca será uma língua acessível e usada universalmente como o inglês o é.

 

Dinheiro, o deus magnânimo dos chineses, juro que, ultimamente, só vejo nos chineses o ímpeto de comprar, comprar sem parar, como se todos tivessem sido infectados com o vírus da compra compulsiva e desenfreada. Cifrões a passar pelos olhinhos deles a mil a hora, comprar é a palavra de ordem, o resto pouco importa, a compra traz felicidade, juro que é o que sinto no dia-a-dia, principalmente nestas épocas mais festivas. Comprar para satisfazer os seus ímpetos de consumidor que pode, e que ganha face porque se compra mais é porque agora pode mais, e numa sociedade em que mostrar que se tem e que se pode é tudo, então, compra-se para se ganhar mais face perante os outros.

 

Assusta-me esta necessidade compulsiva de show off de poder a toda a hora, seja no supermercado, nos centros comerciais sempre apinhados, seja na imitação do estilo europeu ou americano, seja na ostentação de luxo e poder, seja no desperdício à mesa de um qualquer restaurante, assusta-me todo este "demasiado" por ser uma ostentação agressiva e, ainda mais, porque o gap entre ricos e pobres é tão visível e está a nú nesta China tão desigual.

 

É a China do blim-blim. O pior é que nem tudo o que reluz é ouro.

Bom ano do Dragão. Bom ano na China (país) ou sob os tentáculos dela (resto do mundo).

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1 comentário

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Rita a 03.01.2012


Dinheiro, compras, sacos de marcas estrangeiras, desperdício à mesa, gente sem parar, letreiros e cartazes com promoções... É assim o centro comercial mais próximo, o supermercado da esquina, Wuhan, Shanghai, Pequim, Cantão, enfim... Toda a China. E realmente há uma grande competição entre as pessoas, salve-se quem puder, cada um por si...

E nós, coitadinhos, ocidentais, tentamos aprender a línguas dele com a esperança de que nos queiram, já que os nossos países... Enfim, cada vez pior. (Mas atenção, precisamos da China como ela precisa de nós...!!)

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