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...

por mandarina, em 17.12.11

Quando não se tem nada, não se tem nada a perder. É bom chegar a conclusões destas. Não é reconfortante mas é bom.

Tu não me deves nada, eu não te devo nada a ti, por isso nada com nada, é simplesmente nada de nada.

Não dei porque senti que devia dar, dei porque quis, a minha amizade, a minha confiança, a minha disponilibildade, a minha boa-vontade... O que recebi de volta: uma grande ausência. E ausência é um grande nada que deixa o outro com uma grande sensação de vazio, um buraco que não dá para tapar, que se sente e que se nota a mil léguas de distância. E o silêncio é a ausência que ecoa na alma como o mais sonoro dos vazios. É um "não estou, não quero estar, não me interessa, nem quero saber". Não é só desinteresse, é a alienação total. É a espera que vira desespero, é a espera que deixa de o ser, para ser a certeza de que esperar em vão é dar dois passos atrás. E dois atrás não entra no meu universo. Eu quero caminhar em frente com a firme e inquieta esperança que um dia a espera (aquela que hoje sei ser em vão) seria uma certeza amanhã.

Que quem sabe pelo que espera, ainda que a espera seja sempre ingrata, sabe esperar.

 

Hoje sei que a espera não é ingrata, quando tem valor e significado, esperar em vão é que é ingrato. Por isso, não espero mais, nem esperarei.

Que em vão um dia esperei, esperei estar enganada, esperei ser uma fase, um contra-tempo, uma desatenção menor. Para hoje saber que a espera não me vai levar a lado nenhum, não havia ali nada para mim, a não ser migalhas. Hoje só vejo indiferença, ausência e alienação.

 

Hoje não espero mais. Preciso viver, que a vida assente em esperas inertes é uma vida muito amarga, muito infeliz e muito insípida.

Hoje espero da vida, aquilo que sei merecer. Aquilo que sei um dia ser-me dado pela vida, mas não espero em vão, espero com a mais forte das convições porque sei quem sou, sei quem quero ser e sei saber quem merece as minhas esperas - aquelas com razão de ser!

 

Do* exactly what you would do if you felt most secure.

Meister Eckhart

 

* Em vez de "Do" neste momento diria antes "Say"!

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