Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]


Carpe Diem

por mandarina, em 13.12.11

Hoje é um dia como dizer FELIZ! Ando tão feliz com tanta coisa, com coisas grandes, com coisas pequenas, com novidades boas, com recordações saudosas, com projectos futuros, satisfeita com o mundo, feliz pelos meus amigos, ando cheia de ideias, cheia de vontade de fazer isto, aquilo, mais e melhor, satisfeita com o meu trabalho, com mais paz de espírito, mais certezas, menos dores de cabeça, mais bem-estar, mais optimismo, mais amor para dar, mais vontade de ser feliz. Acho que fui atacada pelo espírito natalício, só pode, o meu coração anda a transbordar de bonomia, e já era hora que por ora chega de amuos e sentimentos maus:)

 

Pois e não me perguntem porquê mas hoje apetece-me postar esta poesia de Ricardo Reis, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, que gosto muito. Eu não sou muito dada a poesia, mas há algumas que nunca me sairão da cabeça e esta é uma delas, disfrutem:

 

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento —
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim — à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.

Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa 

Encerra uma mensagem que me diz muito neste preciso momento.

Boa semana

Autoria e outros dados (tags, etc)


1 comentário

Imagem de perfil

Rita a 14.12.2011

Fiquei pensativa e triste depois de ler o poema... Tão bonito, tão simples e tão verdadeiro... Faz-me pensar que fiz asneiras...

Que bom que te sentes mais feliz e optimista! As aulas correm bem, tal como o trabalho; as tuas amigas e familia estão a passar por um bom momento... E o estado de espírito está em alta, bem como a saúde. Isso é que é importante!

Fico feliz, acredita! Conhecemo-nos há pouco tempo, mas estou a gostar muito! :)

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2012
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2011
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D



Favoritos